HOMENAGEM PÓSTUMA:TENOR ALFREDO COLOSIMO (1923-2009)


O tenor Alfredo Colosimo, uma das mais importantes figuras da cena lírica brasileira faleceu, dia 27 de agosto de 2009, aos 86 anos.

Alfredo Colosimo, ainda chegou a participar dos festejos do centenário do Theatro Municipal, dia 14 de julho, tendo sido homenageado pela Casa.

Convém lembrar que Alfredo Colosimo, por ocasião do cinquentenário do Theatro, em 1959, cantou a ópera Moema de Delgado de Carvalho junto a Ondina Guimarães, Paulo Fortes e Alvarany Solano sob a regência de Souza Lima.

A ópera Moema foi a mesma que marcou a inauguração do Theatro, dia 14 de julho de 1909.

Nascido no Rio de Janeiro em 30 de setembro 1923, filho de pais italianos, estudou na Escola "Principe di Piemonte all'estero" (escola italiana), no Rio de Janeiro. Bacharel de canto pela Academia de Música Lorenzo Fernández. Colosimo ainda reuniu títulos de Aperfeiçoamento de Teoria, Morfologia, História da Música, História da Arte, Anatomia da Voz, Fisiologia da Voz, Música de Câmera, canto e bel canto, piano (básico e disciplina) e declamação lírica.

Seu repertório incluía cerca 45 óperas, entre as quais Madama Butterfly , Cavalleria Rusticana, Il Trovatore , Aida , La forza del destino , La Traviata , La Bohème , Pagliacci , Tosca, Rigoletto, Un ballo in maschera, Andrea Chenier, Faust , Don Pasquale, Adriana Lecouvreur, Carmen, Gianni Schicchi.

Foi intérprete de óperas brasileiras : de Carlos Gomes, Guarani , Fosca , e Lo Schiavo , de Villa Lobos, Izhat (estréia cênica mundial em 13-12-58), de Francisco Mignone, O contratador de diamantes e o Inocente , Malazarte de Lorenzo Fernandez, Moema de de Delgado de Carvalho, Il neo de Henrique Henrique Oswald, A compadecida de José Siqueira (1ª apresentação mundial em 11-5-1961, criou o papel do Padre João), Juca Pirama do Padre Antonio Massana, Oratório Colombo de Carlos Gomes.

Em 1993, aos 70 anos, cantou o papel do Imperador Altoum na Turandot de Puccini, encenada ao ar livre, na Praça da Apoteose no Rio de Janeiro. Em abril 2002, especialmente homenageado pelo Theatro Municipal do Rio de Janeiro, cantou outra vez, aos 78 anos, o papel de Altoum na remontagem de Turandot.

Nos últimos 30 anos Colosimo dedicou-se também ao ensino de canto.


Alfredo Colosimo - E lucevan le stelle -Tosca (Puccini)
Theatro Municipal,Rio de Janeiro, November, 19 1963. Conductor: Santiago Guerra.



Alfredo Colosimo -Vesti la giubba -Pagliacci (Leoncavallo)


Encante as musas, Colosimo.

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Comentário de Laura Macedo em 28 agosto 2009 às 22:45
Oscar,
A partida das pessoas que gostamos/admiramos e, em especial ,dos artistas nos deixam tristes. Acredito que eles, principalmente os ligados a música, são pessoas iluminadas que transcendem o rito de passagem e sua luz não se apagará jamais...
Beijos.
Comentário de Helô em 29 agosto 2009 às 1:07
Óscar
Certamente não saiu nada nos jornais e na TV.
Estou certa?
Beijos.
Comentário de Henrique Marques Porto em 29 agosto 2009 às 18:04
Oscar,
Essa notícia me deixou triste. Conheci Colosimo em 1956, numa montagem de "Madamme Buttertfly", no Teatro Municipal. No elenco estavam Clara Marise no papel título, Carmem Pimentel (Suzuki), o barítono Silvio Vieira (Sharpless), Geraldo Chagas (Goro), Carlos Walter (Bonzo) e outros. Eu fui o filho de Cio Cio San. Criança em ópera precisa da atenção do elenco ou pode estragar tudo. Colosimo, Clara e Carmem Pimentel particularmente foram muito carinhosos e souberam me acolher e me deixar a vontade. Assim, aprendi a gostar deles, figuras humanas simples e extraordinárias. Nos ensaios Colosimo era bonachão, descontraído e brincava muito.
A voz era generosa e surpreendente. Operário da ópera, nem sempre suas performances correspondiam ao que se esperava dele. Mas era um artista sério, um tenor seguro e competente, que garantiu durante décadas a apresentação de um repertório que, infelizmente, os cantores nacionais de hoje não são capazes de manter. O seu "Cannio", do "I Pagliacci" era muito bom! Sempre fazia sucesso nessa ópera.
Conversei com ele quando se apresentou nas récitas da "Turandot" mencionada por você. Reclamou do cenários em que o colocaram -um cubículo extremamente calorento por causa da iluminação e num ponto muito alto do palco. Com 79 ou 80 anos chegou a se sentir em risco. Mas quem disse que ligou para isso? O prazer de cantar era maior.
Felizmente, Colosimo deixa muitos registros de suas apresentações. Sua carreira -com fotos, elencos e discografia- pode ser pesquisada em http://br.geocities.com/tenor_colosimo/index.html. No You Tube sua voz é muito elogiada nos comentários, e é possível vê-lo cantando com mais de 80 anos. E até recentemente, como neste "Tu ca num Chiagne", na Academia de Música Lorenzo Fernandez, acompanhado por João Carlos Assis Brasil.
abraço
Henrique

Afredo Colosimo - "Tu ca nun Chiange"

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