II- O Baixo que não é superprofundo: será Profundo? Será Cantante? Oh, dúvida Cruel!

Como disse no início deste trabalho, toda classificação é passível de controvérsias. No caso dos Baixos, por exemplo, optei por diferenciar o baixo superprofundo dos demais por um detalhe apenas. É que os superprofundos, pela facilidade que têm de alcançar as notas mais graves da tessitura vocal humana, procuram quase sempre apresentar seus dotes em peças que lhes dêem a oportunidade de exibi-los. Daí, de maneira geral, preferirem repertório constituído de canções folclóricas ou regionais, pouco ou quase nunca apresentando interpretações no campo operístico.

Isso não quer dizer que os demais baixos não possam, eventualmente, alcançar tais notas, só que dão preferência à exibição de outras qualidades, como sua maior extensão vocal (alguns, inclusive, ingressando no território dos barítonos) e a possibilidade de interpretar peças de execução rápida, com ornamentos musicais que exigem grande agilidade vocal, como em algumas óperas de Rossini.

Além disso, as notas excessivamente graves, embora impressionem pela sua ressonância, praticamente seriam inaudíveis em um palco de teatro, sem o auxílio de microfones e amplificadores, ainda que o cantor as emitisse sem a cobertura de coros ou orquestra. E, acredito, não é por outra razão que os compositores de ópera, em geral, não incluem a tessitura superprofunda em suas partituras. O Baixo Profundo seria, portanto, a voz mais grave na cena lírica.

E para que se tenha idéia de como é complicada essa questão de classificação, na França o Baixo Profundo é também chamado de Dramático ou Nobre. Aqui entre nós, Baixo-Nobre seria uma denominação bem mais elegante, sofisticação típica dos franceses. Já na Alemanha é considerado “Schwazerbass”, baixo-escuro, o que me parece bem ao gosto alemão também.

Além do Baixo Profundo, na categoria dos Baixos, podemos mencionar o Cantante e o Brilhante. A rigor, entretanto, hoje em dia tal distinção tornou-se supérflua, vivemos numa época em que quase todos cantam de tudo, ficando cada vez mais difícil distinguir se o baixo é profundo ou cantante, se é um baixo que canta como barítono, ou se um barítono que se aventura em graves profundos e cavernosos...

Bem, vamos apreciar alguns dos grandes representantes da tessitura dos baixos. Identificar se é Profundo, Cantante, ou qualquer outra categoria que queira, vou deixar por sua conta. O que me importa é que você compartilhe comigo essas magníficas vozes


KURT MOLL
Baixo germânico de voz portentosa e artista brilhante.
Moll canta “O wie will ich triumphieren”, de O Rapto do Serralho (Mozart)




MATTI SALMINEN
Baixo finlandês. Literalmente um gigante em cena, tanto pela voz como pela presença física.
Salminen interpreta “O Isis und Osíris”, de A Flauta Mágica (Mozart)




SAMUEL RAMEY
Americano, é um desses fenômenos vocais que canta como baixo ou como barítono.
A música que selecionei, Ol' Man River, foi imortalizada por Paul Robeson, no musical Show Boat de Kern e Hammerstein.

Exibições: 1214

Comentário de Helô em 18 dezembro 2008 às 23:14
Eu já amava Ol' Man River com Robeson e agora escuto esta belíssima interpretação de Ramey!
Obrigada.
Beijos.

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