LILIAN MILENA
Da Redação - ADV
Pesquisadores do Instituto Socioambiental (ISA) do Mato Grosso e São Paulo mapeiam desmatamento de áreas de preservação permanente (APP) em município de economia agrária.
O desenvolvimento econômico típico da região e a falta de conhecimento científico em relação aos ecossistemas contribuem para resultados desanimadores em relação à preservação de espaços que são necessários para conservação de espécies animais, vegetais e recursos hídricos. Entretanto, os pesquisadores identificaram aumento da preocupação dos proprietários de terras em relação a manutenção de recursos hídricos, “impulsionados com o crescimento dos incentivos à conservação e ao reflorestamento”, o que inclui acesso a créditos por reposição florestal, mercados de carbono e serviços ambientais.
O município mato-grossense analisado foi Canarena, localizado a uma distância de 822 quilômetros da capital do estado, Cuiabá. A cidade nasceu em 1972 a partir do projeto da primeira cooperativa colonizadora do país, a Cooperativa Colonizadora 31 de Março Ltda (Coopercol). O objetivo do programa era atrair para a região produtores rurais e multinacionais.
Hoje Canarena tem 17,2 mil habitantes, sendo que 13,0 mil vivem na zona urbana e 4,1 mil na zona rural. As principais atividades econômicas do município são a pecuária, agricultura (soja, milho e arroz) e agroindústria.
O município tem cerca de 130,2 mil hectares classificados como áreas de preservação permanente (APP). As APP são espaços com vegetação nativa, essenciais para conter processos de erosão ao longo de rios e mananciais. São controladas pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA) e classificadas junto aos corpos hídricos em geral, nascentes, topos de morros, nas montanhas, serras, encostas e restingas. Proprietários de áreas classificadas como APP não podem alterá-las.
Os pesquisadores da ISA observaram que de 2003 até 2007 o desmatamento nas APP aumentou de 24,54 mil hectares para 32,42 mil hectares. As transformações são reflexos das atividades econômicas e dos sistemas de produção local. “Se considerarmos a evolução da economia nesse mesmo período, no que diz respeito à produção de grãos (soja, milho e arroz), notamos que esses valores passaram de 222.571 toneladas em 2003, para 235.633 toneladas para 2006”, completam.
As APP de Canarena estão em áreas localizadas na cabeceira do rio Xingu, logo a exploração inadequada do solo tende a comprometer os recursos hídricos não só da região, mas do próprio Xingu, uma vez que do município partem algumas das suas nascentes formadoras.
Para acessar o estudo na íntegra, clique aqui.
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