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Impactos do terremoto e da crise nuclear japonesa sobre o mercado internacional de gás natural

Por Marcelo Colomer e Edmar de Almeida, do Blog Infopetro

Um dos poucos consensos existentes entre os especialistas de energia neste momento é o reconhecimento de que a crise energética, em particular a crise nuclear que se estabeleceu no Japão após o grande terremoto do dia 11 de março, tenderá a beneficiar o mercado internacional de gás natural. Muitos especialistas apressaram-se em apontar uma rápida redenção do mercado de gás natural após quase três anos de preços deprimidos. De fato, o preço do gás natural, assim como o do petróleo, sofreu uma queda abrupta a partir da crise de 2008, permanecendo em um patamar muito baixo, mesmo após a recuperação do preço do barril em 2009. Esta esperada recuperação dos preços no mercado de gás é vista com grande alívio pelos agentes do setor, embora uma análise mais cuidadosa do atual contexto do mercado revele que esta recuperação pode levar mais tempo do que se gostaria.

A crença de que o desastre no Japão irá afetar o mercado de gás se apóia na elevada importância das importações do país no mercado de GNL e por ser o gás a melhor alternativa de curto e médio prazo para se restabelecer o fornecimento de energia elétrica no Japão. Em 2010, por exemplo, o percentual da participação japonesa nas importações mundiais de GNL foi de 35%. Esse número se torna ainda mais elevado se consideramos somente as importações ocorridas na região da Bacia do Pacífico e Oriente Médio, 50%.

No que diz respeito à infraestrutura de geração elétrica, estima-se que cerca de 20 GW de capacidade de geração nuclear e a carvão tenham sido afetadas pelos eventos do dia 11 enquanto que a infraestrutura de geração a gás natural foi muito pouco afetada. De fato, apenas um pequeno terminal de regaseificação, de Shin Minato, foi fechado em decorrência dos tremores de março.

Outros dois fatores contribuem para explicar a importância do gás no atendimento emergencial da demanda por eletricidade no Japão. A existência de capacidade ociosa de geração térmica a gás natural próxima dos centros consumidores e o reduzido custo da geração a gás quando comparada a geração a óleo sugerem que não haja, no curto e médio prazo, alternativas melhor do que o gás natural para compensar a perda de capacidade de geração elétrica.

Estimativas iniciais calculam o aumento da demanda de GNL japonesa em 40 milhões de metros cúbicos por dia (Mm³/dia). Em outros termos, caso o gás natural seja utilizado para compensar 50% da capacidade de geração perdida, seria necessário uma importação adicional de cerca de 40 milhões de metros cúbicos por dia. Para isto, seria necessário enviar algo como 12 carregamentos de GNL adicionais por mês para o Japão. Estes números podem impressionar numa primeira avaliação, contudo, uma análise cuidadosa da atual situação do mercado sugere que os impactos de curto e médio prazo nos preços podem não ser muito significativos. (...) continua no Blog Infopetro.

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