Índia é referência na produção de mamona e pinhão manso

VIVIANE MAIA
Da Redação - ADV


Atualmente, a Índia é a principal produtora de mamona no mundo e está iniciando um ambicioso programa de produção de biodiesel baseado na cultura do pinhão manso com o objetivo de produzir matéria-prima para fabricação de biocombustíveis. Uma delegação de pesquisadores brasileiros esteve no país a fim de conhecer as tecnologias desenvolvidas pelos indianos sobre o processamento dessas duas oleaginosas.

De acordo com o documento “Viagem á Índia para Prospecção de Tecnologias sobre Mamona e Pinhão Manso”, produzido pelo Centro Nacional de Pesquisa de Algodão da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a visita à Índia, além de tomar contato com o conhecimento sobre a mamona e o pinhão manso, teve como objetivo fortalecer o processo de cooperação técnica com pesquisadores brasileiros, tendo em vista a Índia ter excelência como produtora agrícola de inúmeras culturas comerciais de interesse para o Brasil.

Os trabalhos relacionados ao programa de biodiesel iniciaram-se em 2002, com a formação de um comitê que estudou o assunto e apresentou ao presidente um relatório em 2003, dando-se início aos trabalhos subseqüentes e ao incentivo ao plantio de pinhão manso, que é a única oleaginosa considerada no programa de biodiesel indiano.

O Ministério da Agricultura indiano revela na pesquisa que o consumo de petróleo no país é de 116 milhões de toneladas, mas a produção interna é suficiente apenas para 29% desse consumo, sendo o restante importado e o consumo atual de óleo diesel é de aproximadamente 52 milhões de toneladas e a projeção para o ano de 2012 é de 80 milhões de toneladas.

Para Hira Pathak, cientista da Sardar Krushinagar Dantiwada University – instituição pública de ensino, pesquisa e extensão e o principal órgão de pesquisa de mamona no país, que também estuda outras culturas oleaginosas, como o pinhão manso – na universidade são conduzidos os experimentos de melhoramento genético com mamona e outras culturas, além da multiplicação inicial das linhagens para produção de sementes híbridas.

O sistema de controle e fiscalização de sementes funciona de forma que não haja produção de semente clandestina. Para garantir a qualidade, além de receberem assistência técnica, os produtores de sementes são obrigados a adquirir anualmente as linhagens parentais ao invés de manterem as linhagens por conta própria.

Já a Faculdade de Tecnologia em Processamento de Alimentos e Bioenergia, localizada na cidade de Anand, fabrica máquinas de processamento agrícola e possui uma miniusina de produção de biodiesel a partir de pinhão-manso. Entretanto, um dos produtores dessa oleaginosa no país, Vinayak Patil, vê com ressalvas a expectativa sobre essa produção. “Na Índia se fala em produtividades tão altas quanto 12t/há por ano, mas desconheço lavouras tão produtivas e acho que ainda não existe tecnologia adequada para produção de pinhão-manso em larga escala. Mas se o governo desenvolvesse o melhoramento de materiais genéticos, mais apropriados para cada região, a produtividade poderia ser maior”, afirma.

O programa de biodiesel indiano, com base no pinhão-manso está apenas começando, predominando plantações com pouco mais de quatro anos de idade, que ainda não atingiram o ápice de produção. Por outro lado, o agronegócio da mamona na Índia está muito bem estruturado. Desde a década de 1970, o país vem investindo consistentemente em pesquisa e hoje é responsável por 70% da produção mundial.

Embora possua tecnologia mais avançada que o Brasil, principalmente quanto ao melhoramento genético, a cooperação científica Brasil-Índia apresenta vantagens para ambos os países, pois o Brasil detém conhecimento em áreas como agregação de valor aos co-produtos, química de biodiesel e manejo da cultura.

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