Indústria brasileira ainda tem medo de investir em pesquisa e desenvolvimento

O Brasil sofre pela falta de cultura em investimentos para pesquisa e desenvolvimento (P&D) no setor industrial, o que segundo estudo da Associação Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento e Engenharia das Empresas Inovadoras (Anpei), é reflexo da insegurança econômica vivida pelo país, sobretudo, na década de 1980.

“Salvo importantes exceções, não faz parte da cultura e da postura da maioria das empresas localizadas no país, principalmente nas de capital nacional, o investimento na geração de conhecimento e na sua utilização para o aumento da sua competitividade nos mercados em que atuam”, destaca a entidade.

Com base na Pesquisa de Inovação Tecnológica (Pintec), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nos períodos de 1998-2000 e 2001-2003, o grupo verificou que as taxas de inovação e tecnologia na indústria do país cresceu nos dois instantes, mas ouve diminuição relativa do número de empresas inovadoras, sobretudo das que realizam atividades internas de P&D.

As empresas que incorporaram práticas inovadoras a fim de melhorar a estratégia empresarial, segundo a pesquisa, aumentaram o montante médio de investimentos e empregaram, em média, mais pessoas dedicadas à tecnologia.

“Isso indica que a realização de P&D tornou-se mais seletiva, concentrando-se em um número reduzido de empresas, pertencentes a setores industriais mais intensivos em tecnologia”, ressalta a entidade.

Assim, de forma generalizada, as atividades de P&D e inovação no Brasil são concentradas, e os setores que mais receberam atenção nesse sentido foram: o automobilístico, de tecnologia da informação e comunicações (TIC), e o farmacêutico.

A Anpei também observou que investimentos em pesquisa foram feitos com menos intensidade nas áreas de biotecnologia, nanotecnologia e bioinformática, ressaltando que, se tratando de inovação, são poucas as empresas que respondem pela maior parte dos recursos alocados.

“O meio empresarial brasileiro sempre se mostrou tímido no que diz respeito aos investimentos em atividades inovativas” – se limitam à aquisição de máquinas e equipamentos destinados a melhorar a eficiência do processo produtivo.

Além da insegurança do empresário brasileiro de investir no conhecimento por conta da instabilidade econômica, o trabalho aponta a redução do papel do Estado e da sua interferência nos processos econômicos a partir da década de 1990.

O isso nos prejudicou, porque: “juntamente com a crise do modelo de desenvolvimento e o surgimento de um discurso contrário à intervenção do Estado na economia, houve uma completa desestruturação da capacidade de planejamento do Estado brasileiro”.

Saída

Entre os emergentes BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China), o Brasil é o que menos investe em inovação, pesquisa e desenvolvimento – se coloca mais próximo da Rússia, e “bem distante de China e Índia”.

Para não ser passado mais uma vez para trás, e aproveitar o momento histórico de estabilidade, já em risco com a crise financeira mundial passando as fronteiras, o Brasil não deve reduzir recursos para estimular o setor industrial à inovar.

A Anpei defende um estimulo mais intenso na tecnologia de produtos, “procurando se distanciar dos produtos padronizados, em que o principal fator de concorrência no mercado global é o preço”, completa.

O governo deve manter os ganhos de eficiência nos setores tradicionais, como por exemplo, aqueles sobre domínio da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). E ainda, realizar planos de longo prazo para sair do atraso.

“Evidentemente, dadas as restrições de natureza financeira da economia brasileira, não é possível estimular o investimento em todos os setores simultaneamente”, ressalta o estudo.

Por não ter condições de sozinho acarretar com um movimento grande e inovador no país, o governo depende da cooperação com o setor privado. Além do investimento organizado e negociado entre os setores empresarial e governamental, a política de incentivo a inovação deve ter como principal pilar “o componente tecnológico”.

Para ler o estudo na íntegra, clique aqui.

E para ler na íntegra a resenha do estudo produzido pela Anpei, acesse.

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