Inês Bogéa, diretora da São Paulo Cia de Dança em entrevista para o blog de Ópera e Ballet

Blog de Ópera e Ballet: O período que vc passou no grupo Corpo (doze anos) influencia na escolha do repertório da São Paulo Cia de Dança?

Inês Bogéa :Sem dúvida o Grupo Corpo é uma referência para mim: na qualidade artística dos seus trabalhos, no rigor e no primorismo das montagens; na maneira de entender a relação entre as diferentes artes na cena. Porém o Corpo é uma companhia de autor, com coreógrafo que tem uma linguagem marcante e um grupo de criadores fixos (cenários, figurinos e iluminação), enquanto a São Paulo é uma companhia de repertório que trabalha com diferentes criadores. Construímos nossa identidade na multiplicidade e nos diferentes encontros.

Blog: Como você analisa a evolução do corpo de bailarinos da São Paulo Cia de Dança, desde a fundação até hoje?

Inês Bogéa: Bailarino cresce na cena, quanto mais dançamos mais felizes estamos. Fizemos até aqui 150 apresentações para um público de mais de 95 mil pessoas. Além disso, os bailarinos da Companhia experimentaram diferentes estilos de movimentos no decorrer destes dois anos e meio, desde a criação da São Paulo. São doze peças estruturadas em dois grandes eixos: os clássicos contemporâneos, em que a técnica clássica é o ponto de partida para as diversas vertentes de movimento – George Balanchine, Jirí Kylián, Bronislava Nijinska, Alessio Silvestrin, Ricardo Scheir e Daniela Cardim – e as coreografias de pesquisa de linguagem, as quais a expansão das possibilidades do movimento são a tônica dos trabalhos – Nacho Duato, Marie Chouinard, Paulo Caldas e Maurício de Oliveira. Todos cresceram muito tanto no sentido artístico, como na técnica, e ainda na possibilidade de dançar diferentes estilos.

Blog: A São Paulo Cia de Dança estreou as coreografias Prélude à L'après-midi d'un Faune e Sech Tänze no Teatro Alfa. Existe uma ligação entre esses dois trabalhos?

Inês Bogéa: A São Paulo apresentou aos brasileiros a coreógrafa canadense Marie Chouinard e é a primeira companhia brasileira a dançar uma obra de Kylián. São duas obras contemporâneas que se relacionam com a história da dança de forma singular: o Prélude à L'après-midi d'un Faune é uma releitura da obra emblemática de Nijinsky, de 1912, em que a coreógrafa consegue manter a provocação, o erotismo e sensualidade da obra inaugural. Já Sech Tänze é uma peça cômica, que ironiza hábitos, aponta dualidades inspiradas nas cortes do século XVII, mas que não deixam de ter pertinência hoje.

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