INSTANTE ESTANTE - A POESIA DE LAU SIQUEIRA

 


A POESIA DE LAU SIQUEIRA

 

o poeta chega com o verbo, a linha e uma interrogação como anzol.

 

os  poemas de Lau Siqueira que integram a Coleção Instante Estante, têm a sagacidade do deslocamento. para desfrutá-los se faz necessário acompanhar a vertigem da sua escritura, mesmo a mais despretensiosa, e encontrar o ponto focal desta artesania.

 

como o pássaro mergulha na incerteza da presa, sempre à frente, sempre à frente, antevendo a trajetória prateada do peixe, o leitor precisa intuir no eixo semântico do seu texto a perspicácia da sua lógica própria, expressa no jogo plástico que constrói com precisão e preciosismo.

 

Lau tem a linguagem como brinquedo diverso e divergente. fábrica de imbricamentos entre tradição e invento. a ideia sem rodeios. verboágil. roda filosófica de um gargalo silábico escavado por dentro de um conceito.

 

o gozo agridoce do haicai fadado ao viço ou ao fado, o verso livre de cepas nobres, partitura composta com o mosto de uvas frescas, vertem de um lagar antigo, como o gosto amargozo do poema breve, o lírio sem ismo e a flor do metalinguístico mallarmaico.

 

o excesso perfeito. a lacuna exata. a volúpia contida. nada sobra, nada falta.
depois do cansaço, depois da melancolia. antes da beleza, antes da nobreza,
sua cadeira, alheia e impassível, sustenta a carcaça que escreve o poema.

 

depois da rudeza, depois da crueza. antes da seda. antes da leveza,
do outro lado da janela entreaberta, a poesia inexistente observa a sua particular destreza.
o sólido flutua. o poeta flutua. o guapo flutua. o tigre, o jaguar flutuam.

 

queiramos ou não, tudo é cabível e cambiável na poesia de Lau Siqueira.

 
e ponto.

 

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