De médico e de louco todo mundo tem um pouco, diz o ditado. Outro ditado que gosto muito é aquele que diz: todo brasileiro é técnico de futebol. Deveria ter outro: todo brasileiro é médico. E especialista em qualquer enfermidade. Basta uma queixa e lá vem o doutor com sua receita pronta. Outro problema nosso é a certeza de que podemos receitar aos outros e a nós mesmos. A automedicação é um problema muito comum, mesmo entre pessoas bem informadas. Hoje em dia outra ferramenta está sendo muito usada pelos "automédicos": a internet e sua extensa lista de sítios, especializados ou não, sobre doenças e seus tratamentos.

Hoje em dia, na era da informação, a solução para qualquer problema parece estar na internet. A quantidade quase ilimitada de informação, disponível instantaneamente, faz da rede o oráculo de nossos tempos. Pode-se saber de tudo nela; de fofocas a assuntos científicos. Essa fartura de informação parece gerar também uma ansiedade de conhecimento. Qualquer dúvida e lá estamos nós buscando informações sobre o assunto. Mas a informação encontrada na rede nem sempre é confiável. Não sabemos quem as produziu, em que condições e com que intenção. Em política, economia, esportes, um equívoco ou notícia mal intencionada por causar alguns estragos, mas em saúde pode ser fatal. E tem muita gente utilizando a internet como médico. Basta aparecer alguma queixa, dor ou desconforto, para a pessoa buscar informações na rede. O problema é que dentre algumas notícias, há também prescrições para tratar das doenças. E convenhamos, internet não é médico.

A informação, dita como o grande bem de nosso tempo, causa no "hipocondríaco digital" cócegas para se tratar através das receitas dos "sitios especializados". O bem informado usuário de informação interpreta qualquer sinal de alteração em um exame e corre para o computador. Lê dezenas de páginas sobre o assunto e angustia-se com o próprio diagnóstico, considerando sempre a pior hipótese. Não tem sequer o conhecimento básico da doença, mas acredita que sabe de todas as suas características e especificidades. Isso gera dois comportamentos, também nocivos: a angústia e a automedicação. A primeira é consequência do excesso de informações conflitantes sobre o assunto. Tem a vantagem de fazer com que o suposto doente procure um médico urgentemente, para saber se está doente mesmo. No segundo caso, o usuário age como se fosse o especialista no mal do qual se queixa. E prescreve seu próprio tratamento.

Este comportamento, querer ser médico de si mesmo, não surgiu com a internet, mas a rede
possibilitou que ele afetasse até pessoas mais céticas em relação aos tratamentos caseiros. Como disse antes, mesmo as pessoas consideradas instruídas e bem informadas acessam sitios sobre doenças, quando sentem alguns sintomas ou percebem alguma alteração em um exame. Essas alterações podem significar uma doença, mas podem ser resultado de processos normais do nosso corpo. Mesmo quando indicam uma doença, elas podem estar ligadas a diferentes tipos de moléstias, tanto graves e incuráveis, quanto leves e curáveis. O correto, sempre que se tiver suspeitas e dúvidas sobre um sintoma, é procurar uma pessoa preparada para identificar a doença e preescrever o tratamento correto. Ou seja, um médico. A internet não pode ser usada como um substituto do profissional de saúde. Diagnóstico e prescrição de tratamentos são trabalhos de profissionais. Deixemos isso com eles, pois internet não é médico.

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