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Israel atacou navio de ONG outras vezes, diz professora, amiga da cineasta brasileira que estava em uma embarcação atacada

Segunda, 31 de maio de 2010, 19h26 Atualizada às 19h45
Israel atacou navio de ONG outras vezes, diz professora
Divulgação
Embarcação do movimento Free Gaza durante viagem feita em 2008. A diferença é apenas que antes ninguém foi morto, diz a professora da USP Arlene ...
Embarcação do movimento Free Gaza durante viagem feita em 2008. "A diferença é apenas que antes ninguém foi morto", diz a professora da USP Arlene Clemesha, amiga de brasileira que estava em uma das embarcações atacadas por militares israelenses

Dayanne Sousa

O ataque desta manhã não foi o primeiro de israelenses a uma embarcação que levava ativistas à Faixa de Gaza, diz a professora de História da Palestina na USP (Universidade de São Paulo), Arlene Clemesha. Amiga de Iara Lee, a brasileira que estava em um dos barcos atacados, Arlene afirma que haviam pelo menos 750 ativistas na viagem e que morreram 19 pessoas, mais que o dobro do estimado pelo porta-voz israelense.

A frota de navios atacada pertencia a ONG Free Gaza, que luta contra o bloqueio imposto por Israel à região. Esta foi a oitava viagem de barco dos ativistas. Em entrevista a Terra Magazine, Arlene afirma que os barcos já tinham sido atacados em outras ocasiões.

- A segunda tentativa foi logo após o ataque de janeiro de 2009. Já estava tudo organizado quando aconteceu o ataque. Pouco após o ataque o movimento partiu, os barcos foram interceptados e danificados.

Segundo a rede BBC Brasil, Israel afirma que os navios foram atacados porque continham armas, barras e facas. Arlene nega que houvesse armas e diz que eles carregavam apenas alimentos, medicamentos e materiais de construção.

- Em todas as tentativas, Israel sempre diz que não deixaria as embarcações entrarem, há sempre uma tensão. A diferença é apenas que antes ninguém foi morto - revela Arlene com peso na voz.

- A Iara partiu mesmo sabendo das ameaças. E não foi só ela, mais de 700 pessoas partiram porque acreditam na justiça da sua posição.

Segundo Arlene, o objetivo dos ativistas era atender uma região da Faixa de Gaza atingida por Israel em ataques há cerca de um ano e meio.

- Foram danificadas e destruídas um total de 50 mil casas. Até hoje não foram reconstruídas. Essas pessoas não tem janela, não tem vidro na janela, tem paredes derrubadas e estão expostas ao frio. É uma situação calamitosa.

A especialista cobra uma posição de Israel. Para ela, o comunicado duro emitido pelo Itamaraty é a resposta esperada num caso que envolve uma brasileira.

- Aconteceu em águas internacionais, o que significa que se trata de uma ação altamente controversa. Quer dizer, embarcações de ajuda humanitária, matar 19 pessoas? Ativistas? Solidários? Realmente é difícil de aceitar. A gente sabe que Israel vai ter que fazer uma investigação e exigir explicações e reparações.

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Comentário de Augusto César Mourão e LIma em 31 maio 2010 às 23:56
Não domino esta área do Direito Internacional, mas me parece que interceptar, abordar e invadir embarcações em águas internacionais é crime de pirataria. É assim mesmo?

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