O meio-soprano é um tipo de voz feminina cuja tessitura se situa entre o contralto e o soprano. Na cena lírica atual essa distinção passa praticamente despercebida porque, via de regra, os papéis que eram destinados a contraltos são entregues a mezzo-sopranos.
Entretanto, embora geralmente possuam uma voz mais pesada e escura do que a dos sopranos, os mezzos possuem uma extensão vocal maior do que a do contralto.
Normalmente os mezzo-sopranos cantam papéis secundários em óperas, com raras e honrosas exceções como a Carmen na ópera homônima de Bizet e a Rosina no Barbeiro de Sevilha de Rossini.
Curiosamente, não sei porquê, os compositores destinavam a essa tessitura os papéis que retratavam feiticeiras, mulheres maduras e mais experientes, ou então sedutoras e vilãs – como se a personalidade feminina estivesse diretamente ligada ao timbre vocal da mulher. Há também papéis masculinos escritos para essa tessitura, sendo que qualquer deles, tradicionalmente cantados por mezzo-sopranos – como, por exemplo, Cherubino em Le nozze de Figaro de Mozart - poderia tranquilamente ser interpretado por um barítono, mas isso contrariaria a tradição da cena lírica.

Vejamos (e ouçamos) alguns exemplos significativos da tessitura de mezzo-soprano.

Comecemos com a italiana CECILIA BARTOLI (Roma,1966). Cecília, além de seu enorme sucesso na cena lírica desde muito jovem, é também aclamada como excelente intérprete do canto barroco.



Cecilia Bartoli em Agitata da due venti, de Vivaldi




Outra exemplo de mezzo-soprano é a grande cantora inglesa JANET BAKER (Hatfield, 1933). Em 1976, Baker foi agraciada com o título de “Dame Commander of the British Empire” em reconhecimento à sua projeção internacional como representante da cena lírica britânica.


Dame Janet Bakerr interpreta a canção Plaisir d'amour de Giovanni Martini
(este recital, de 1982, foi gravado poucos meses antes de sua retirada da cena lírica)




Impossível, em se tratando de mezzo-soprano, não incluir a americana MARILYN HORNE (Pensilvânia, 1934), cantora geralmente associada a Rossini e Handel, tal a maestria com que interpreta esses compositores.



Marilyn Horne - Handel - Rodelinda - Vivi tiranno




Assim também não podemos deixar de registrar a búlgara VESSELINA KASAROVA (Stara Zagora, 1965). Kasarova teve sua carreira internacional impulsionada em 1992, quando substituiu Marilyn Horne em duas apresentações da ópera de Rossini “Tancredi”, em Salzburgo. De lá para cá é sempre requisitada para cantar Mozart, Rossini, Bellini, Donizetti nos mais importantes centros operísticos.



Vesselina Kasarova - J'ai perdu mon Eurydice do Orfeu e Euridice de Gluck




Nesta relação exemplar de mezzo-sopranos, incluo a americana, apesar do nome alemão, FREDERICA VON STADE (Sommerville, New Jersey, 1945). Especialista em Rossini, a charmosa e simpática Flicka debutou no Metropolitan Opera House em 1970 e desde então se apresentou nas mais importantes casas de espetáculos internacionais.


Frederica Von Stade, Moon Song, Dvorak, Boston Ozawa




Encerro esta pequena mostra com um deslumbramento do bel canto atual. Aliando beleza física e vocal, a letã ELINA GARANCA (Riga, Letônia,1976) vem se destacando como um dos mais importantes mezzos do momento. De 2000 (quando ganhou o “Latvian Great Music Award”) para cá, Elina vem estrelando a cena lírica internacional, apresentando sua arte em óperas e recitais nos mais importantes teatros internacionais. As outras que me perdoem, mas esta ganha dose dupla.



Elīna Garanca canta Dopo l'oscuro nembo de Bellini




Elīna Garanca interpreta a canção Svarta Rosor de Sibelius

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Comentário de Laura Macedo em 26 maio 2009 às 21:26
Oscar,
Você está perdoado pela abstinência de quase um mês sem aparecer para nos brindar com suas maravilhosas e caprichadíssimas aulas de música clássica :)))
Um mega desfile das principais mezzo-sopranos de várias nacionalidades. Arrasou, mesmo!
Uma curiosidade minha: Quem você destacaria no Brasil?
Um super beijo.
Comentário de Helô em 27 maio 2009 às 2:29
Óscar
A primeira que conheci foi Cecilia Bartoli, mas isso tem mais de 10 anos e naquela época eu nem sabia o que era soprano e mezzo soprano :) Quando escutei Plaisir d'amour, na bela voz de Janet Baker, lembrei-me de já ter ouvido a canção interpretada por voz masculina, o que ficou esclarecido no post. E ainda bem que você colocou a Garanca em dose dupla. É quase impossível não se emocionar com "Dopo l'oscuro nembo", de Bellini. É pra escutar de joelhos!
Que bela contribuição, meu amigo. Muito bom você compartilhar seu conhecimento e sua sensibilidade com a gente.
Mil beijos!
Comentário de Jonas Alves Corrêa em 29 maio 2009 às 0:55
Oscar,
Mais uma vez vc nos brinda com uma brilhante postagem, agora sobre os mezzo-sopranos. Para mim só existiam 2 vozes femininas: contralto e soprano. Foi através de suas matérias didáticas que passei a tomer conhecimento dos mezzo, o meio, o ponto de equilíbrio daquelas duas vozes.
Caramba, a letã Elina Garanca, sua dose dupla, não tem nenhuma 'carranca', pois ela, no esplendor da sua juventude, é sinônimo de pura beleza e emoção. Eu acrescentaria um adendo ao comentário da Helô: ela é uma gata! Abração.

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