J. R. GUEDES DE OLIVEIRA " Armadilha de Linguagem: TAUTOLOGIA "





 

Armadilha de Linguagem: Tautologia

 

J.R. Guedes de Oliveira

 

A língua portuguesa é uma das mais complexas e, verdadeiramente, uma das mais lindas filhas latinas. É recheada de complexidade e de caminhos que podem traduzir sentimentos.  Bastar-nos-á uma busca na palavra “saudade” e sentiremos o seu valor transcendental.

Contudo, empregá-la corretamente é dever de todos e procurar difundi-la pelo mundo é compromisso inadiável de todos aqueles que são seus filhos: de Portugal, do Brasil, de Cabo Verde, de Guiné-Bissau, de Angola, de São Tomé e Príncipe, de Moçambique e de Timor Leste.

Mas esta nossa língua é pura magia. Se não empregada corretamente, então estaremos caindo em pleno delírio de cometer escorregões incalculáveis. É que cada palavra deve ser utilizada no momento certo, na sua expressão correta, na sua colocação exata. Para isso, deixamos, aqui, a sabedoria de Graciliano Ramos, um dos nossos mais célebres escritores, que nos diz:

“A palavra foi feita para dizer.   Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes. Depois enxaguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota. Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar. Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer”.

Assim, temos que a palavra foi feita unicamente para dizer, nada mais que isso. Qualquer acrescentar é um risco enorme que vai de redundância - coisas repetitivas e que nem servem para reforço de linguagem – até às formas desconexas, como, por exemplo, viajar anexo (anexo = junto de).

Um dos gravíssimos problemas que encontramos no mundo, na língua portuguesa, está na área filológica da tautologia. A tautologia, para quem não sabe, é o vício de linguagem que consiste em dizer a mesma coisa, por formas diferentes. Isto porque, desatentos, invariavelmente deslizamos em erros crassos, na escrita ou na fala, muito embora já identificado no próprio vocábulo que empregamos.

Alguns exemplos bem comuns, temos: sair para fora, entrar para dentro, subir para cima, descer para baixo, etc. Este emprego é comum e precisamos estar sempre atentos com o único intento de primar pelo bom uso da nossa querida e opulenta língua portuguesa.

No que concerne ao problema da tautologia, apresentamos, aqui, alguns exemplos tão comuns no nosso cotidiano, que se tornam armadilhas medonhas:

elo de ligação

acabamento final

certeza absoluta

quantia exata

nos dias 8, 9 e 10, inclusive

juntamente com

expressamente proibido

em duas metades iguais

sintomas indicativos

há anos atrás

vereador da cidade

outra alternativa

detalhes minuciosos

a razão é porque

anexo junto à carta

de sua livre escolha

superávit positivo

todos foram unânimes

conviver junto

fato real

encarar de frente

multidão de pessoas

amanhecer o dia

criação nova

retornar de novo

empréstimo temporário

surpresa inesperada

escolha opcional

planejar antecipadamente

abertura inaugural

continua a permanecer

a última versão definitiva

possivelmente poderá ocorrer

comparecer em pessoa

gritar bem alto

propriedade característica

demasiadamente excessivo

a seu critério pessoal

exceder em muito.   

 

Com tudo isto, é bom que tenhamos sempre a atenção voltada para esta questão, que muitos chamam de reforço de linguagem. Mais ainda, para que evitemos surpresas inesperadas. Epa! Apenas surpresa.

Sobre o autor

J
. R. Guedes de Oliveira

E-mail: guedes.idt@terra.com.br

 

 

 




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Comentário de Delcio Marinho em 8 julho 2011 às 20:45
Comentário de Delcio Marinho em 8 julho 2011 às 20:46

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