J. Roberto Militão na CCJ -Senado: argumenta contra ´leis raciais´

Prezados,

para conhecimento, críticas e comentários que serão bem recebidos tendo em vista que tratamos nesse debate, muito mais que a questão social de inclusão dos afro-brasileiros, tratamos de questão relevante da cidadania brasileira:

Afinal, pode o Estado nos impor uma identidade jurídica racial para a outorga ou exclusão de direitos?

Anexo a síntese em matéria da ´Agência Senado´ comentando os debates na CCJ-SENADO FEDERAL em 18/12/2008, http://www.senado.gov.br/agencia/verNoticia.aspx?codNoticia=81964&a...

na qual, compus a bancada ´contra leis raciais´. O outro debatedor, favorável ao projeto PLC 180/2008 (Cotas raciais nas Universidades Públicas e Escolas Técnicas Federais) foi o Doutor André Lázaro, Secretário Nacional de Educação Continuada e Diversdidade, do Ministério da Educação.

Eu tinha 20 minutos, mas com benevolência do Presidente da CCJ, Senador Marco Maciel, minha exposição levou por 32 minutos. Iniciei apresentando aos Nobres Senadores, a argumentação ética, jurídica e doutrinária sobre AÇÕES AFIRMATIVAS que não se confunde com ´cotas raciais´ nem com leis ´raciais´ ou políticas públicas em bases ´raciais´ citando lições dos Ministros e juristas MANGABEIRA UNGER e JOAQUIM BARBOSA, pois para ambos: somente os inimigos de Ações Afirmativas as denominam por ´cotas´ raciais.

Prossegui afirmando que a boa doutrina de ações afirmativas é necessária e indispensável em sociedades forjadas sob a cultura da desigualdade como ocorreu com a escravatura, o patriarcalismo e o machismo no Brasil, mas que ela não é política de ´reparação´nem é política de ´separação´ de direitos não tendo por fulcro as mazelas do passado, mas serve para alterar a realidade do presente.

Disse anos Nobres Senadores que Ações Afirmativas são políticas públicas visando corrigir as mazelas sociais, discriminações e preconceitos que atuam hoje, e produzem desigualdades sociais em nosso dia a dia, no presente, e, deve ser voltada a melhorar e aperfeiçoar o ambiente social do futuro, neutralizando discriminações, destruindo preconceitos e fazendo a PROMOÇÃO da igualdade de oportunidades e de tratamento.

Em suma, falei como afro-brasileiro, na condição de advogado ativista por Direitos Humanos e ativista contra o racismo, criticando o racialismo nos projetos de leis raciais e políticas públicas raciais impositiva, de forma compulsória, a todo cidadão uma personalidade jurídica racial estatal baseada na falaciosa ´crença em raças´, por conseguinte, com desprestígio do conceito da única espécie humana. Lhes disse, que a nossa tarefa ética, e a tarefa ética do Estado é a destruição da ´crença em raças´ e não a sua legitimação para o povo.

Ponderei ainda, em minha exposição, que o racialismo pelo Estado - mesmo que o seja com boas intenções - aprofunda e legitima a crença em ´raças diferentes´. Argumento e concordo com os racialistas que o conceito de ´raças´ é uma construção social e nessa construção está implícita uma hierarquia e nessa hierarquia os pretos são a base inferior, o que, a meu ver, viola a dignidade humana dos afro-descendentes e em especial dos afro-brasileiros que não herdamos a identidade racial nem traços étnicos culturais ou religiosos relevantes para a distinção estatal. Ponderei que tais políticas públicas, se impostas de forma coercitiva e compulsória pelo Estado, produzem efeitos colaterais terrívies, e o que principal dele, será legitimar e aprofundar o conceito de ´raças´.

(Exemplo de efeitos colaterais dessa crença na ´raça´ é o que está ocorrendo entre os afro-americanos, inclusive da classe média, filhos de executivos, médicos, artistas: nos EUA (MIRIAM LEITÃO, 27/12, blog globo.com) os números são trágicos: 1 de cada 3 jovens (16-24anos) estão presos ou sob custódia da justiça criminal. Isso é fruto daquela sociedade racializada em que brancos e pretos acreditam em raças o que viola a dignidade humana dos afro-americanos, em especial das crianças, jovens e adolescentes que sucumbem pois, conforme dizia LUTHER KING: a segregação racial, deforma o caráter e fal mal à personalidade das vítimas.)

Aleguei que políticas de ´cotas compulsórias´ traz implícita a presunção de inferioridade, agora atestada pelo Estado, e que essa inferioridade tem o componente racial e sua hierarquia, o que também viola a dignidade humana dos beneficiários.

Argumentei que o justo é o Estado oferecer aos pobres, a igualdade de condições para a disputa do vestibular na universidade pública e gratuita, exclusivamente com a reserva de 50 ou 60%% das vagas pelo corte ´social´ para ingressantes oriundos da escola pública e nível de renda familiar. Na forma em debate, ´cotas raciais´, como fez o governo Garotinho no Rio de Janeiro nas UERJ´s, consiste numa monstruosa perversidade: os privilegiados, mais ricos, oriundos de escolas privadas carissimas que são os primeiros colocados no vestibular, nada perdem. A reserva de 50% de vagas, retira vagas dos últimos colocados: aos pobres, essa política populista do Estado condena à perigosa disputa com base no falacioso critério da origem ´racial´.

Ponderei ainda que tais políticas estatais serão sementes de conflitos e ódios raciais que não conhecemos, quando o Estado faz a perversidade de, sem investir nenhum real novo, DISTRIBUI A ESCASSEZ ao retirar, de forma aleatória e compulsória, vagas de pobres brancos e entrega-las a pobres pretos ou pardos, oriundos do mesmo bairro, da periferia, da escola pública e idênticas condições sociais, que serão incluídos ou excluídos, sob o manto de uma presumida ´diferença´ racial.

Neste ponto, contestei com veemência a afirmação do representante do Ministério da Educação, Dr. André Lázaro que disse ser terrorismo a alegação dos perigos de conflitos pois o BRASIL não é RUANDA e o fiz para afirmar que se o povo de Ruanda vive a guerra fratricida de Tutsis e Hutus é que foram ensinados a se odiarem pelo colonizador belga no século XIX através de políticas estatais conferindo direitos diferentes às duas etnias.

E disse ao Dr. André Lázaro e aos Nobres Senadores, que se tais políticas estatais forem implantadas, com o Estado conferindo direitos distintos a jovens brancos e pretos, as vítimas não seremos nós, da atual geração responsável pela implantação dessas políticas raciais, mas que dentro duas, três gerações ou de 100 anos, o Brasil poderá ser sim uma Ruanda permeada pelo ódio entre seus povos ´diferentes´, no caso, entre brancos e pretos definidos juridicamente pelo estado. Foi essa a semente plantada a mais de um século, por leis raciais, nos EUA e em Ruanda.

Conclui meus argumentos que a cidadania dos brasileiros, ainda em construção, tem por destinatários os humanos pretos, brancos, pardos ou amarelos e que, conforme nos legou o Iluminismo, todos devemos ser tratados pelo Estado com a igualdade e sem distinção pela cor, raça ou origem conforme preceituam os artigos 5 e 19. da Carta Magna.

Aliás, a tal respeito, ponderei ainda, que em seu livro ´A Audácia da Esperança´a pregação de OBAMA BARACK, consagrada como a esperança da humanidade: "CONSIDEREMOS ESTAS VERDADES como evidentes por si mesmas: que todos os homens foram criados iguais, foram dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis, que entre estes direitos estão a vida, a liberdade e a busca da felicidade." (A Audácia da Esperança, p.63).


* pedi à CCJ-Senado o vídeo da audiência pública para posta-lo aqui.





COMISSÕES / Constituição e Justiça
18/12/2008 - 15h21
Projeto de sistema de cotas para ingresso nas universidades públicas é racista, dizem participantes de debate na CCJ - PLC 180/2008 ´Cotas Raciais´
(Agência Senado)
http://www.senado.gov.br/agencia/verNoticia.aspx?codNoticia=81964&a...

" Yvone Maggie afirmou, ainda, não ser contrária à parte do projeto que direciona 50% das vagas das universidades federais e escolas técnicas para estudantes que cursam integralmente o ensino médio em escolas públicas nem à distribuição de metade dessa cota a alunos oriundos de famílias com renda de até um salário mínimo e meio per capita.

- Se o projeto tivesse parado aqui, tudo bem, a reserva de vagas seria para estudantes de escolas públicas e metade delas para os mais pobres entre estes alunos - frisou a professora, ao destacar que o projeto não beneficia os brancos pobres.

"Para o advogado da Afrosol-Lux Promotora de Soluções em Economia Solidária, José Roberto Ferreira Militão, o problema é que, ao tentar promover uma política de inclusão por meio de cotas raciais, o governo acaba criando também uma política de exclusão por meio desse mesmo aspecto racial. Para Militão, o sistema de cotas não garante a implantação de ações afirmativas voltadas para resolver o problema da inclusão social, pois "produz efeitos colaterais terríveis".

- É possível promover ações afirmativas sem recurso a corte racial.Nesse sentido, apenas a política de cotas por questões econômicas já nos atende. A luta contra o racismo tem que ser vista sob o prisma de se destruir esse conceito de identidade jurídica de raça - argumentou o representante do Afrosol-Lux.

"O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) afirmou que o pronunciamento de José Roberto Ferreira Militão foi um dos mais brilhantes dos que já ouviu sobre o assunto.

- Se tinha alguma dúvida sobre o sistema de cotas, já não a tenho mais - revelou o representante por Goiás."

Demóstenes disse também que esse projeto ainda precisa ser discutido e aprofundado antes que seja votado no Senado.

- Não há a menor condição de se votar esse projeto neste momento, de afogadilho - completou Demóstenes.

"O coordenador do Movimento Negro Socialista, José Carlos Miranda, reconheceu que existe um enorme abismo entre as classes sociais, mas a saída para a solução desse problema, em sua avaliação, não deve ser buscada por meio de uma política de cotas, mas sim pela adoção de uma educação pública de qualidade desde o ensino básico.

- O vestibular não cria nenhuma desigualdade, mas só mostra a desigualdade existente desde que a pessoa nasce. Combatemos o racismo pela igualdade e pelo socialismo. Lutamos por vaga para todos e por investimentos em educação e em serviços públicos - salientou José Carlos Miranda, para depois afirmar que a aprovação desse projeto só vai gerar "ódio entre raças".

"Essa também é a opinião do coordenador do Movimento Nação Mestiça, Jerson César Leão Alves, para quem as políticas de cotas raciais não visam à melhoria de vida dos pardos, negros e outros grupos.

- Essas cotas visam a dividir o país racialmente e eliminar a identidade mestiça brasileira. A lógica é que se invista mais no ensino básico - enfatizou Jerson César.

No lugar das políticas de cotas, ele defendeu a adoção de políticas sociais para o Brasil.

Esforço

"O secretário de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do Ministério da Educação (MEC), André Lázaro, explicou que o esforço do governo brasileiro em reduzir as desigualdades sociais e raciais não se iniciou com essa proposta de lei. Ele opinou que o projeto é bom, mas ainda não é suficiente para garantir a igualdade de direitos a todos, independentemente de raça e cor.

- Precisamos também garantir que a população brasileira tenha sua equivalente representação nos diferentes níveis do poder
- ressaltou.

O projeto, que tramita na CCJ, ainda será votado pelas Comissões de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) e de Educação, Cultura e Esporte (CE), antes de ser encaminhado para deliberação do Plenário.

Exibições: 248

Comentário de Helio Franco em 1 fevereiro 2009 às 11:49
Fantástico, José Roberto Ferreira Militao!!!
Não o conhecia. Magnífica participação. A partir dela torno-me seu admirador e potencial eleitor. Sua fala contemplou o meu entendimento sobre a questão. Parabéns!
Comentário de Helio Franco em 1 fevereiro 2009 às 11:57
Gostaria de ter aceeso a esse video, quando você conseguir o retorno do Senado.
Comentário de José Roberto Ferreira Militao em 1 fevereiro 2009 às 13:29
Obrigado Hélio.... ainda não sou candidato... rss.

Na verdade esse é um debate que não podemos negligenciar. Atento ás lições de SARTRE em ´A Idade da Razão´, existem matérias de interesse ético e que diz respeito à dignidade humana, da qual, não podemos nos omitir.

As políticas raciais e leis raciais é uma delas. Aliás, acabei de fazer um revisão no texto para anotar a exemplaridade negativa do que está acontecendo com os afro-americanos: 1 em cada 3 jovens ´brother´s´nos EUA, estão presos ou sob custódia da justiça criminal. É um número extraordinário e assustados. Algo como 33% da atual geração perdida para a criminalidade.

HÉLIO, debito isso na conta psico-social da violação da dignidade humana produzida pela crença ´racial´ ainda vigente nos EUA. Com tal crença na ´raça´, a criança, jovem ou adolescente não tem estrutura para suportar esse pertencimento a uma ´raça inferior´ o que faz parte do conceito de ´raças´, e sucumbe. MARTIN LUTHER KING pregava na sua famosa Carta da Prisão de Birmingham: "Uma lei injusta é uma lei humana sem raízes na lei natural e eterna. Toda lei que eleva a personalidade humana é justa. Toda lei que impõe a segregação é injusta porque a segregação deforma a alma e prejudica a personalidade."

É isso o que está acontecendo com o niilismo que tomou conta da juventude afro-americana: a alma, o caráter e a personalidade é destruida.

Os meus prezados amigos racialistas que atuam no movimento negro e estão em cargos públicos, em ONGs ou em carreiras acadêmicas, estão equivocados ao pedirem leis raciais sem atentarem aos efeitos colaterais que são perversos.

Abraços, fico à disposição.
Comentário de Antonio em 1 fevereiro 2009 às 22:41
Militão

Eloquente com sempre.

Contudo, continuas a insistir em premissas gastas e voláteis. "Raças" são conceitos ideológicos/políticos e, nesse sentido, é razoável usá-las. E você sabe disso. Se no texto da Igualdade "Racial" existe o "racial" é só e simplesmente trocá-lo por etnia/comunidade/povo - largamente aceitas.

[...]Neste ponto, contestei com veemência a afirmação do representante do Ministério da Educação, Dr. André Lázaro que disse ser terrorismo a alegação dos perigos de conflitos pois o BRASIL não é RUANDA e o fiz para afirmar que se o povo de Ruanda vive a guerra fratricida de Tutsis e Hutus é que foram ensinados a se odiarem pelo colonizador Belga no século XIX através de políticas estatais conferindo direitos diferentes às duas etnias.[...]

Militão respeito-o como intelectual. Todavia, essa história de Ruanda é devaneio/tervegisar e, sobretudo não discutir o essencial. Existe ou não racismo no Brasil? Se existe, até que ponto isso atrapalha/atrapalhou o negro no Brasil? Será que dá para atropelar a lógica e supor que a situação [baixíssimo IDH em comparação com o IDH dos brancos, salários ruins etc...] no Brasil é delírio [violência/terrorismo??] do negro?

À semelhança do Buarque de Holanda, Freire, YVonne Maggie, Peter Fry, Magnolli você quer "apagar" [em favor do "ser humano"] o negro da história do Brasil?

Militão não queira agradar a gregos e troianos."Pense" negro. Da mesma forma que os judeus pensam judeu, os palestinos pensam judeu, os indígenas pensam indígenas, orientais pensam oriental, e os brancos pensam branco. Um país é formado por vários grupos. Brancos, negros, indígenas, orientais e por diversas outras comunidades.

Pensar negro não é, em hipótese alguma, ser contra palestinos, judeus, brancos, orientais ou brasileiros em geral. É ser a favor do negro. Simples assim.

Militão a humanidade/ser humano é composta de um mosaico imenso de comunidades/povos e etnias. Todas tem suas singularidades e peculiaridades. Todas são complementares e somadas formam e compõe a humanidade.

Você é apenas negro. Não queira falar em nome de todos/povos/etnias. Já é difícil equacionar o problema étnico brasileiro...

Um abraço
Comentário de Antonio em 1 fevereiro 2009 às 22:44
Militão

os palestinos pensam judeu - leia-se os palestinos pensam palestinos
Comentário de Antonio em 1 fevereiro 2009 às 23:22
Militão

O negro brasileiro, nunca teve expressão.
O negro brasileiro foi, desde sempre, [re]inventado por não negros. Freire, Holanda, Florestan etc. Ou seja, a idéia - mesma - que se tem do/sobre negro [o próprio negro, de certa forma, embasa esse folclore sobre ele] essa fantasia/falácia criada por Holanda, Freire, Florestan e outros. No Brasil, jamais [a excessão de Abdias Nascimento e alguns poucos] o negro pensou o negro.

Na real, qual a autoridade que essas pessoas [Peter Fry, Yvonne Maggie, Florestan, FHC, Holanda, Freire e outros] têm/tinham para falar sobre o negro?

O quê um país que não tem uma identidade e não olha o próprio umbigo pode falar de etnia [assunto tabu no Brasil]. Que país é esse?

Um abraço
Comentário de Antonio em 2 fevereiro 2009 às 8:00
Militão

[...]"Essa também é a opinião do coordenador do Movimento Nação Mestiça, Jerson César Leão Alves, para quem as políticas de cotas raciais não visam à melhoria de vida dos pardos, negros e outros grupos.

- Essas cotas visam a dividir o país racialmente e eliminar a identidade mestiça brasileira. A lógica é que se invista mais no ensino básico - enfatizou Jerson César.[...]

A mestiçagem no Brasil é um fetiche. Ou seja, mais uma persona usada pelo povo brasileiro para que, nós, brasileiros não nos vejamos em toda a nossa plenitude, singularidade e beleza: negros, brancos, orientais e indígenas. Ao contrário do que alguns apregoam [Maggie, Kamel] o Brasil é/será sempre multicor, multigente. E não uma massa amorfa.

Militão eu e você sabemos que o discurso [no Brasil] oficial hegemônico é não negro, oriental ou indígena. No princípio eram os portugueses, depois os espanhóis/ingleses, depois os franceses e por aí vai. Nosso Brasil ideal sempre esteve atrelado/ligado a um pensamento eurocentrista. Coisa meio caipira.
Na verdade, nossa comosvisão miscigenada é o que mais nos aproxima desse ideal branqueador que começou lá atrás com Nina Rodrigues e sofisticou-se com, Holanda, Freire, Darci Ribeiro e tantos outros.
Mesmo os modernistas [22] pensaram o Brasil por meio de viagens constantes à Europa [a maioria filhos de ruralistas do interior de São Paulo. Tarsila por exemplo.] Esses filhos da classe abastada brasileira [há excessões] assimilaram a estética [expressionismo] européia e "pensaram" o Brasil. Em termos étnicos somos, no Brasil, ainda, modernos. Isto é, ainda nos espelhamos num ideal eurocentrista.

Um abraço
Comentário de Antonio em 2 fevereiro 2009 às 8:18
Militão

Diga-me o nome de uma teórica do feminismo, mundo afora, que fosse homem?

Diga-me o nome de um pensador [militante e não diletante], nos EUA, contra segregação/racismo que fosse branco?

Moisés quando se insurgiu contra o Faraó defendia o povo eleito por Deus, e não era, necessariamente contra os egípcios.

Essa história de que ações afirmativas para negros iriam dividir [violência/privilégios/racismo] o Brasil é um argumento falho e safado. Na verdade, um argumento meio terrorista.

Para se dividir o Brasil seria preciso -antes - unificá-lo. Ou seja, unificar socialmente, econômicamente etc. Isto é, apresentar o Brasil ao Brazil. Ou seja, unir a Índia à Bélgica.

Um abraço
Comentário de Antonio em 2 fevereiro 2009 às 8:41
Militão

Um exemplo "idiota". Pequenos detalhes dizem muita coisa. O ideal de beleza, no Brasil, é não negro, não indígena ou não oriental. Na verdade, eles [orientais, indígenas e negros] não espelham, segundo os brasileiros, o Brasil. Para Freire, Holanda, Darci e outros, o sertanejo e o mestiço são mais característicos como "brasileiros". Miscigenação ou sincretismo cultural?

Enfim, a Globo fez um concurso para descobrir a garota Fantástico [na verdade, isso ocorre há 30 anos com nomes diferentes]. Eu perguntaria ao Militão quantas negras, orientais e indígenas havia entre as participantes? Se você respondeu nenhuma ganhou um convite para ver o Hulk - ao vivo - Sábado.

Quantas modelos negras, orientais, indígenas havia no São Paulo Fashion Week?

Enfim, Militão onde está a nossa miscigenação se, de fato, ela não se traduz em igualdade social, econômica e educacional? Qual a cor da USP? Da Fiesp? Do Congresso brasileiro?

Um abraço
Comentário de José Roberto Ferreira Militao em 2 fevereiro 2009 às 14:30
ORLANDO, aproveito tuas oportunas provocações - que as recebo no bom sentido - para pontuar diversas respostas que servirão a outros questionamentos e não precisarei repeti-las pois já estou ficando com pouco tempo para a repetição dos mesmos argumentos:

1 - MARTIN LUTHER KING pregava na sua famosa Carta da Prisão de Birmingham: "Uma lei injusta é uma lei humana sem raízes na lei natural e eterna. Toda lei que eleva a personalidade humana é justa. Toda lei que impõe a segregação é injusta porque a segregação deforma a alma e prejudica a personalidade."

2 - ORLANDO, vc. sabe, conforme ORACY, não temos o ´racismo´ racista dos EUA, em que a Suprema Corte tenha declarado expressamente que os afro-descendentes não faziam parte do povo norte-americano e não estavam, portanto, habilitados a nem mesmo postularem em Juizo. Isso do Estado negar o ´jus postulandi´, depois reiterado pela segregação e leis de Jim Crown, consiste numa diferença exponencial, que vc. e demais racialistas, têm o DEVER ético de reconhecer. LUIS GAMA, nos anos 1860, conseguiu nos TRIBUNAIS a declaração da ilegalidade de centenas e centenas de escravos, com base nas leis existentes. Ou seja, mesmo os escravos, tinham direito de petição.

3- não nego as discriminações por preconceitos de cor. O que reafirmo é que os estudos de ORACY, 1953, não foram ainda contestados e a prática de nosso dia a dia com eleições de FRANCICO GÊ, NILO PEÇANHA, PITTA, COLLARES, ALBUINO, PAIM, BENEDITA confirmam e eles, tal como OBAMA não foram eleitos exclusivamente por serem pretos, foram eleitos, por votos majoritários. Se fracassaram ou se não tinham caráter ou aptidões, é outra coisa.

4 - o que debato é que a forma de fazer AÇÕES AFIRMATIVAS não exigem nem pode ser através da afirmação ´racial´, pois os efeitos colaterais serão prejudiciais a futuras gerações de afro-brasileiros.

5 - RUANDA não é devaneio. ´Tutsis e Hutus´as duas etnias distintas receberam status juridicos diferentes do colonizador belga no século XIX. A guerra de hoje, o maior genocídio atual, que a mídia silencia tem nesse gesto ´estatal´ a sua matriz. Por milhares de anos, esses povos conviveram no mesmo território e agora, o ódio racial, induz ao extermínio uma da outra.

5 - a ´identidade´ racial dos afro-americanos (eles foram induzidos a acreditar nisso) tem como resultado meia dúzia de líderes políticos, algumas dezenas de políticos racialistas, algumas centenas de executivos e professores nas universidades e hoje, 02/2/2009: hum milhão e quinhentos mil jovens de 16-30anos nas prisões e 33% de jovens de 16-24 anos sob custódia da justiça criminal.

É essa ´identidade´ racial que desejamos?? O niilismo que afeta duas gerações dos afro-americanos é decorrência direta da crença racial. Não podemos e não temos o direito de condenar nossas futuras gerações a essa violência contra a dignidade humana.


6 - Eu me recuso a pensar ´negro´. ´(ORLANDO:"Pensar negro não é, em hipótese alguma, ser contra palestinos, judeus, brancos, orientais ou brasileiros em geral. É ser a favor do negro. Simples assim." ). Meu prezado, a designação dos africanos por ´negros´ é racialista e foi criada, no Brasil, pelo racismo através de lei (Marquêz de Pombal, 1755) e significa: "subhumanos, oriundos da Costa d´África, destinados a escravidão´. Continuo sendo fiel às lições de nossos avós: nós somos homens de cor. Humanos com melanina na pele. A estratégia do racismo foi sonegar a nossa inteira humanidade (MALCON X). Eu recuso esse conceito.

Eu desprezo o pertencimento racial. Penso e ensino a meus filhos e a todos os jovens, em todas as oportunidades, a pensarem como humanos. É mais simples ainda... rss.


7 - ORLANDO a semiótica já nos ensinou que a comunicação tem valor relevante para uso político e cultural. Penso que a MISCIGENAÇÃO seja uma realidade HUMANA (miscere + genus) a mistura de genes. É conceito distinto de ´mestiço´ que é equivalente a mistura de ´raças´.

A veterinária, inclusive define, que cães mestiços, são resultantes do primeiro cruzamento de ´raças´ distintas.

Para a genética, todos os humanos são miscigenados. Essa é a confusão da história, por exemplo, do Neguinho da Beija-Flor e seus gens europeus. Ele, portanto, não é ´mestiço´, mas é, naturalmente, miscigenado.

Vejo que os dicionaristas (também influenciados pela cultura racial) fazem confusão etimológica como se miscigenar e mestiçar fossem sinônimos e não são.

Portanto, faço críticas ao movimento ´NAÇÃO MESTIÇA´, e já reiterei isso a um dos principais líderes e meu amigo, o médico DR. JERSEN LEÃO, pois, para existir ´mestiço´(cruzamento de raças) é preciso acolher o conceito ´racial´.

Não pode haver cruzamento entre coisas inexistentes, eu alego.

8 - Nos anos 1980/1990 já fui até´jurado´ em concursos de Misses Afro-brasileiras e entendo bem disso rsss... : ´ORLANDO: "Enfim, a Globo fez um concurso para descobrir a garota Fantástico [na verdade, isso ocorre há 30 anos com nomes diferentes]. Eu perguntaria ao Militão quantas negras, orientais e indígenas havia entre as participantes? Se você respondeu nenhuma ganhou um convite para ver o Hulk - ao vivo - Sábado."

Não quero ir ao Hulk para ser jurado de misses. Posso ir para debater contra o racialismo... Porém, faz 30 anos que sou militante contra as discriminações e defensor de Ações Afirmativas, que em nosso caso, pode e deve ser feita, pela cor da pele e pela afro-descendência, jamais pela ´raça´ negra. É isso o que vai alterar o perfil de nosso IDH: ações afirmativas.

Cito sempre como exemplo de Ações Afirmativas ao programa de Bolsa Família que nos últimos cinco anos retirou 40 milhões da miséria absoluta e está assegurando a obrigatoriedade da educação formal o que vai alterar o destino da futura geração nessas famílias e que, em 1999, FHC dizia serm ´inimpregáveis´ e inatingíveis por políticas públicas. Destes, 82% são afro-brasileiros. É uma política pública sem viés ´racial´, porém, tem destinatários certos.

Orlando, ao abandonar o pertencimento ´racial´, vc. está evoluindo bem. O resto são detalhes de como podemos e devemos fazer ações afirmativas no que, estamos, em perfeita concordância.

SPaulo, 02/2/2009 by Militão

abraços.

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