Sou o nada que procura a abundante seara

que o sol, o calor e a estiagem

plantaram a sede, a fome, a dor,

as doenças da desilusão.

Nobres são os dias chuvosos

que me contornam na estação,

miragem da vontade maior,

em contraste ao desencanto

pelo fruto que não brotou

do ventre da mãe-terra,

cujas olheiras são vastas, fundas e tristes.

A água e a pouca perspectiva

são as algemas de nossa raiz

embora a vinda do Messias, deitamos às sombras,

cada qual em seu núcleo de orgulho e angústia,

não se esquece com tamanha candura,

a insuficiência dos apelos, o ouvir das promessas,

um feixe de dias melhores obscurecido e sufocado

pela apneia, o grunhido do estômago vazio.

E a forte fé cega tornou-se esquálida e frágil

para boiar em alucinada perturbação.

 

Senti o coração estalar

pelo pesado poço profundo

plasmando o orgulho na retina do chão

quando endurece em degredo.

E o escoadouro não se isolou de mim.

Quando virá o dia em que o sol

trocará a correnteza de chamas

por outra loucura.

E ouvir à noite a morte chorar

na ventania seca, sem sangue fundindo

as gravações nas pedras.

Sei que o corpo, o tempo

esmerilado e a vertigem

cumprem a missão

rebentando os nervos de dor.

 

Mesmo volvendo os seixos,

revelam-se as veredas

do lastro e da ruína,

que nascem do tempo igual

de passante de tempo hábil

que logo ocupará atemporal

com a praga fervente do deserto.

 

 

www.rubensshirassujr.blogspot.com.br

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