Pela sua surdez,

o rio é uma cobra esculpida

de so(m)bras de terra

diante do meu olhar

crava-me um deserto

nas entranhas.

 

 

O rio desmonta o seu curso

iça suas velas, sumindo

suas imagens

se interna dentro do poço

do calabouço em si mesmo.

 

 

Nada me aparta do manancial,

sem domínio, sem obsessão,

maior que o prazer de explorá-lo,

não é a sensação de descoberta,

mas a música interior que a água compõe,

desmedida de minha alma, de meu espírito,

exigindo um rompimento altivo

e definitivo com o medo.

 

 

O rio corre adiante

viaja entre as estrelas

me escapando das artérias

dos olhos.

Te vejo como leito

sem pulso, estirado

um outro rio percorre

em tua calha exposta.

Escoadouro de pruridos,

do insano progresso,

acumulando pedras nas vísceras,

represa anzóis,

onde arrastei cardume de sonhos

na pele rugosa, hoje, cansada,

aos trancos e barrancos,

hiberna tantos (des)caminhos

camuflando diviso outras miragens

engolindo minha história,

indigente sonâmbulo.

Entre detergentes, óleos, solventes e ácidos,

o rio absorve e não expurga,

embrenha na alma catatônica.

 

 

 

www.rubensshirassujr.blogspot.com.br

 

 

 

 

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