Las Meninas de Alcázar: as meninas dos olhos

Talvez seja a pintura mais analisada da história da arte. No  século passado,  foi objeto de percepção privilegiado por Foulcault ("As Palavras e as Coisas") e Lacan ("Seminários").

As alusões à obra por diversos pintores são inúmeras, além de ter sido uma obssessão para Picasso. Manet classificava  Velásquez como impressionista, desviando-o do barroco na linha do tempo que arte desenha de modo peculiar. 

Jogo de evidências geométricas misteriosas, um paradoxo, no labirinto diluidor de perspectivas, de espaços "reais e "virtuais" entre espelhos e ambiguidades, construído no século XVII e que ultrapassa os elementos pictóricos essenciais, tradicionais, no trabalho de figuração da "família do rei"; que expõe simultaneamente a pintura e os limites do quadro, trazendo ao olhar um exercício de topoi cambiantes, desvios que apresentam a pintura e a não-pintura no mesmo ato.

A imagem imprime o desejo apaixonante de desdobrar as dobras, estender o comentário, seja sobre o cão, sobre as figuras relacionadas em pares, sobre o protagonismo da "menina", seja o que mais poderia projetar sobre nós mesmos.

É uma obra prima que tende, obstinadamente, como observou Balzac, a permanecer inalcançável ao conhecimento.
 
Está no Museu do Prado, em Madri.  A imagem da pintura é o fundo de tela do meu computador. O pintor é uma das minha obssessões benditas.   

No belo artigo de  Felipe Pereirinha, ele  afirma:

    "é um quadro que faz falar, que faz escrever, ao mesmo tempo que se mantém
      num silêncio irredutível".

 

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