Leilão de gás não garante preço baixo ao consumidor

VIVIANE MAIA
Da Redação - ADV


Os efeitos do primeiro leilão de gás natural sobre o mercado e orçamento da população ainda aguardam definições. Na última sexta-feira (24/4), a Petrobras comercializou 3,59 milhões de m³/dia para entrega em maio e 3,24 milhões de m³/dia para junho, arrematados por um valor 35% inferior ao preço médio previsto nos contratos atuais. A empresa comemora os resultados e estuda, inclusive, novos leilões com o objetivo de aquecer o setor e oferecer preços mais competitivos ao consumidor final. Entretanto, as distribuidoras ainda analisam regras para o repasse do desconto e o desperdício do produto persiste.

Segundo a Associação Brasileira de Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (ABEGAS), os associados também estão assumindo riscos, pois devido á retração do mercado, não há compradores do produto para os próximos dois meses. A entidade, que se reuniu durante toda esta semana para analisar o caso, prefere ainda não se manifestar sobre os leilões ou qualquer estratégia de vendas, mas lembra que o preço final do produto dependerá das agências reguladoras de cada estado brasileiro.

O estancamento dos negócios, disparado pela crise, também acentuou o desperdício de gás nos últimos meses. A queima em vão do produto não vem de hoje. O especialista em indústria de petróleo e gás, do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Professor Edmar de Almeida, recorda que a média de gás queimado, em 2008, girou em torno de seis milhões de m³/dia. Isso representa mais de 10% da produção total que chegou a 59 milhões.

Em 2009, até o momento, de acordo com o relatório do Ministério de Minas e Energia (MME), os números do problema cresceram em média 29% . Em fevereiro, a queima chegou a oito milhões, pois a maior parte da produção está ligada à extração de petróleo.

Almeida pondera que sempre haverá perdas, característica da extração off-shore (zonas livres), mas acredita na possibilidade de atenuá-las. Utilizar o gás na própria plataforma e usá-lo em suas operações é uma das saídas apontadas pelo professor, além de apostar em tecnologias alternativas, já existentes, mas ainda inviáveis economicamente. “A Petrobras tem procurado estas soluções, porém, faltam incentivos fiscais que poderiam incentivar tipos de aproveitamento mais racionais”, argumenta.

Não há data prevista para a realização de novos leilões, classificados publicamente como “xepa” pelo presidente da Petrobras, Sérgio Gabrieli. Contudo, para Almeida, dificilmente alcançará o pequeno consumidor e avalia como possíveis beneficiários os grandes industriais, que detenham recurso extra em caixa. A Petrobras, por sua vez, defende que os leilões somente têm sentido se o preço melhorar para o consumidor final e mantém a expectativa de que o repasse seja feito pelas agências distribuidoras.

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