Livro mostra as diversas facetas de Nássara

Da Folha - 01/01/2011

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Biografia passeia pela vida do caricaturista e compositor de marchas como "Alá-la-ô"

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MARCELO BORTOLOTI
DO RIO

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Uma informação relevante do livro "Nássara Passado a Limpo", de Carlos Didier --uma das raras homenagens ao centenário do caricaturista e compositor Antonio Gabriel Nássara, celebrado em 2010--, é que este não é o ano do seu centenário.

O equívoco, que o próprio Nássara nunca fez questão de desmentir, foi elucidado por Didier ao levantar em cartório sua certidão de nascimento. Mas já era tarde para comemorar o centenário correto, 12 de novembro de 2009, que passou em branco.

O exemplo ilustra como a vida de Nássara é pouco conhecida do público brasileiro, embora até hoje suas marchas como "Alá-la-ô" e "Formosa" continuem entoadas durante o Carnaval.

O mérito do livro é apresentar o personagem e suas facetas de forma integrada, mas sem esgotar o assunto.

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Acervo Família Nássara/Divulgação
Caricatura de Machado de Assis, feita em 1979 por Nássara

Caricatura de Machado de Assis, feita em 1979 por Nássara

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Ele faz um passeio mais saboroso do que profundo pela vida de Nássara, não por leviandade de Carlos Didier, pesquisador tarimbado que tem livros que reviram a vida dos biografados, como "Noel Rosa - uma Biografia", em coautoria com João Máximo, e "Orestes Barbosa: Repórter, Cronista e Poeta".

Foi uma opção do autor diante do material e do tempo que dispunha. Didier conheceu Nássara já em seu ocaso, nos anos 1980. Fez doze entrevistas com ele até o ano de sua morte (1996).

O livro se baseia neste material e em uma dezena de outros depoimentos encontráveis em arquivo.

Nássara foi, durante mais de meio século, peça importante da cultura brasileira. Como desenhista, deixou caricaturas celebradas por colegas como Millôr Fernandes. Como músico, fez marchas e sambas inesquecíveis como "Caixa Econômica".

Ele foi parceiro de Ary Barroso e Noel Rosa, conviveu com Carmen Miranda e Pixinguinha, trabalhou com Nelson Rodrigues.

Foi autor do primeiro jingle da história do rádio brasileiro, para a padaria Bragança, em 1932, retratou em desenhos a Revolução de 1930, foi cantor, ficou surdo, e viveu 85 anos. Trabalhou no "Pasquim" e conviveu com a geração seguinte de cartunistas, como Jaguar.

Carlos Didier conseguiu aglutinar esta variada sequência biográfica de forma palatável, recheando-a com histórias divertidas. E, como conhecedor do ambiente musical carioca na primeira metade do século 20, soube localizar Nássara no cenário.

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NÁSSARA PASSADO A LIMPO
AUTOR Carlos Didier
EDITORA José Olympio
PREÇO R$ 35 (250 págs.)


Exibições: 88

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