Música e Futebol entram em campo, driblam bonito, tabelam na entrada da área e marcam um gol de placa. Essa relação inspira compositores e cantores que compuseram notas e versos para exaltar nossas conquistas e/ou levantar a torcida brasileira.

 

 

O Brasil foi o primeiro país a inserir música na história da Copa do Mundo. Em 1938 nossa seleção entrou no certame de olho no título e com possibilidades de ganhar. Os compositores Alcyr Pires Vermelho e Alberto Ribeiro compuseram “Paris” e Carmen Miranda gravou em homenagem aos torcedores que estavam sonhando de ir à Paris torcer pelo Brasil, na Copa da França.

 

 

Paris” (Alcyr Pires Vermelho/Alberto Ribeiro) # Carmen Miranda. Disco Odeon (16.613-A), 1938.

 

 

 


 

 

Outra composição - “Deixa falar” -, de Nelson Petersen, também gravada por Carmen Miranda com introdução de Ary Barroso faz referência aos jogos do Brasil X Tchecoslováquia, na Copa da França de 1938, foi composta para elevar o moral dos torcedores brasileiros, abalados com a derrota do Brasil na Copa do Mundo daquele ano. Os craques da época - Leônidas e Perácio - são citados na letra da música.

 

 

Deixa falar” (Nelson Petersen) # Carmen Miranda/Ary Barroso. Disco Odeon (11.640-A), 1938.

 

 

 

 

Ary Barroso - Jogo Brasil e Tchecoslováquia.
Entram em campo os checos (vaias).
E agora os brasileiros (aplausos).
Vai começar a partida.
Leônidas entrega a Perácio.
Perácio a Leônidas.
Leônidas avança pelo centro, dribla o
(?), (?), (?), gol! (som de flauta)

(Estribilho)
E todos têm seu valor (deixa falar!)
Este samba tem Flamengo
Tem São Paulo e São Cristóvão
Tem pimenta e vatapá
(Fluminense e Botafogo já têm seu lugar)
E todos têm seu valor (deixa falar!)
Este samba tem Flamengo
Tem São Paulo e São Cristóvão
Tem pimenta e vatapá
(Fluminense e Botafogo já têm seu lugar)

Você pensava que o "Diamante" fôsse jóia
de mentira para tapear
Você pensava que o "Caboclinho" fôsse negro
de senzala para se comprar
Só porque viu que ele tem um pé que deixou
o mundo inteiro em revolução
Quando ele bota aquele pé em movimento,
chuta tudo para dentro e não tem sopa não

(Estribilho)
Quando você dizia que trocava
a gostosa feijoada pelo macarrão
desconfiava que você não era brasileiro,
abençoado deste meu rincão
Você torcia p'ro italiano e apostou
o meu dinheiro e nem sequer me deu
Jogou a minha feijoada fora, falou mal
da minha gente e ainda me bateu

 

 

 

Em 1950, as músicas chegaram definitivamente aos estádios. Durante a goleada do Brasil por 6 X 1 sobre a Espanha, por exemplo, os torcedores presentes às arquibancadas do Maracanã começaram a cantar, espontaneamente, "Touradas em Madri", de Braguinha e Alberto Ribeiro, música composta há mais de dez anos atrás, com o intuito de provocar os espanhóis. Um dos compositores, o Braguinha, estava no estádio e, emocionado, começou a chorar ao ouvir sua música cantada por mais de 200 mil pessoas. Conta-se que um torcedor que estava perto dele falou: “Que é isso espanhol, veio aqui torcer contra o Brasil?”.

 

 

Touradas em Madri” (Braguinha/Alberto Ribeiro) # Almirante. Disco Odeon (11550-B), 1937.

 

 


 

 

Quem fez uma composição contando com a vitória do Brasil na Copa do Mundo de 1950 foi Ary Barroso. Trata-se de “O Brasil há de ganhar”, samba gravado por Linda Batista, que canta antecipadamente a nossa vitória, que infelizmente não aconteceu (*).

 

 

O Brasil há de ganhar” (Ary Barroso) # Linda Batista. Disco Victor (80.0662-B), 1950.

 

 

 

 

(*) Sérgio Cabral, no livro “No tempo de Ary Barroso (p.289), aponta que o compositor mineiro “... pensava também na Copa do Mundo (de 1950). (...) compôs um samba dedicado ao evento - “O Brasil há de ganhar”, gravado por Linda Batista. A música não fez sucesso, mas tinha todos os ingredientes para o êxito (...). Infelizmente Ary não viu, como imaginava, a torcida cantando, nas arquibancadas do Maracanã”.

 

 

O sexto Campeonato Mundial de Futebol realizado na Suécia, em 1958, inspirou vários dos nossos compositores. A lista é grande.

 

 

- Denis Brean e Osvaldo Guilherme fizeram a batucada “Vingamos Maracanã” (alusão à derrota para os uruguaios, que nos tiraram o título da Copa de 1950), gravada pelo Coro e Orquestra Columbia.

 

- “Hino aos campeões do mundo” (subtítulo “Onze gigantes”), de Vicente Paiva/David Nasser, gravada pelo Coro de Severino Filho.

- “Escola de Feola”, de Luiz Queiroga/Nelson Ferreira gravada pelos Três Boêmios, em disco Mocambo.

- “Brasil campeão do mundo”, de Nelson Ferreira/Aldemar Paiva, gravada por Claudionor Germano, também, em disco Mocambo.

- “Marcha dos futebolistas”, de Agib Franceschini com a Orquestra e Coro RGE. Toda a letra da marcha são apenas dois versos:

Hip hip hurra! Hip hip hurra!

Brasil, Brasil, Vitória!

- “Marcha dos campeões do mundo”, de Alfredo Borba, com Osvaldo Rodrigues (voz) e Luiz Arruda Paes e sua Orquestra, em disco Odeon.

- “Copa do Mundo”, de Aldacir Louro e Linda Rodrigues, com Coro e Orquestra RCA Victor. São citados nominalmente: Belini, Gilmar, Orlando, Nilton Santos, Vavá, Garricha, Didi, Pelé, Mazola, Zagalo e Feola.

- “Copa do Mundo”, de Carlos Alberto da Nóbrega, na voz de Ronald Golias com Hector Lagna Fietta e sua Orquestra, em disco Odeon.

- “Brasil, Brasil” (subtítulo “Homenagem aos campeões”), de Alceu Menezes com os Titulares do Ritmo, e disco Copacabana.

- “Os canarinhos venceram”, de Altamiro Carrilho, em solo de piano por José Luciano, em disco Copacabana (instrumental).

- “Rei do futebol”, de Wilson Batista e Jorge de Castro, com Roberto Silva, em disco Copacabana.

- “Campeão do mundo”, de João de Barro, com Joel de Almeida, em disco Continental.

- “Rebola, Feola”, de J.Campos, José Saccomani e Toninho, com Blecaute, em disco Copacabana.

 

 

A música “A taça do mundo é nossa” embalou a conquista do nosso 1º Título Mundial, na Suécia, em 1958, e serviu como pontapé inicial de uma nova maneira de torcer.

 

 

A taça do mundo é nossa” (Vagner Mauséri/Victor Dagô/Mauséri Sobrinho/Lauro Muller) # Orquestra e Coro RGE. Disco RGE (10.107-A), 1958.

 

 


 

 

Para comemorar a Copa do Mundo de 1962, realizada no Chile e vencida pelo Brasil, os compositores Braz Marques e Diógenes Bezerra fizeram “Frevo do Bi”, que foi gravada por Jackson do Pandeiro.

 

 

Frevo de Bi” (Braz Marques/Diógenes Bezerra) # Jackson do Pandeiro. Disco Philips (P61135H-A), 1962.

 

 


 

 

Uma das composições mais bonitas e famosas - “A taça do mundo é nossa” -, foi feita em 1958 e regravada para o campeonato do Chile, com algumas alterações.

 

 

 

A taça do mundo é nossa
Com brasileiro não há quem possa
Êh eta esquadrão de ouro
É bom no samba, é bom no couro

O brasileiro desta vez no Chile
Mostrou o futebol como é que é
Ganhou o bicampeonao
Sambando com a bola no pé
Goooooooooool!

 

 

Outras músicas marcantes do nosso Futebol.

 

 


Na foto, a delegação brasileira que venceu a Copa de 70, no México. Zagallo era o técnico e Parreira, o preparador físico reserva. Em pé, da esquerda para a direita: Rogério, Cláudio Coutinho, Carlos Alberto Parreira, Félix, Joel Camargo, Leão, Fontana, Brito, Clodoaldo, Zagallo e Admildo Chirol. Segunda fileira: Mário Américo, Rivellino, Carlos Alberto Torres, Baldochi, Wilson Piazza, Everaldo, Paulo César Caju, Tostão, Marco Antônio e Ado. Sentados: Edu, Zé Maria, Dadá Maravilha, Gérson, Roberto Miranda, Jairzinho, Pelé e Nocaute Jack.

 

 

Pra frente, Brasil” (Miguel Gustavo) # Coral de Joab Teixeira [na época atuava na TV Tupi/RJ] com a orquestração e regência do maestro Guerra Peixe.

 

 


 

 


 

 

Voa canarinho” (Júnior/Alceu Maia)) # Júnior, 1982.

 

 


 

 


 

Os nossos compositores da Velha Guarda também deixaram suas pérolas, a exemplo de Pixinguinha, Bonfíglio de Oliveira e Jacob do Bandolim.

 

O choro “Um a zero” foi composto em 1919, por ocasião da vitória do Brasil sobre o Uruguai por 1 X 0  que valeu ao nosso time a conquista do Campeonato Sul-Americano de Futebol daquele ano. A gravação, no entanto, só foi feita em 12 de junho de 1946.

 

 

 

 

Um a zero” (Pixinguinha/Benedito Lacerda) # Pixinguinha (sax) / Benedito Lacerda (flauta) e Regional do Canhoto. Disco Victor (80-0442-A), 1946.

 

 

 

 

 

 

 

 

Flamengo” (Bonfíglio de Oliveira) # Baden Powell, Ronaldo do Bandolim, Silvério Pontes, Marcello Gonçalves numa baita Roda de Choro.

 

 

 

 

A ginga do Mané” (Jacob do Bandolim) # Regional de Choro Som Brasileiro: Sérgio Napoleão Belluco (violão 7 cordas) / Alessandro Penezzi (violão tenor) / Taufik Cury (violão 6 cordas) / Derio Lovadino (cavaquinho) / Raul Leite (pandeiro), 1990.

 

 


O tema - Música X Futebol - é vastíssimo e ao bolar este post minha intenção não era esgotar o assunto, mas incentivar a participação dos leitores/comentaristas com outras dicas relativas a temática.

 

 

 


 

Os torcedores brasileiros terão a oportunidade de relembrar as principais músicas ligadas às Copas do Mundo. A exposição multimídia "Música de Chuteiras" foi instalada no Sesc Pompeia, em São Paulo, e vai durar até o dia 13 de julho, data da final do Mundial 2014.

 

A exposição Música de Chuteiras conta com quatro mesas interativas, quatro cabines - sendo duas delas interativas -, e duas instalações sonoras. O visitante pode escutar depoimentos de compositores e intérpretes, selecionar e construir as próprias músicas, além de conhecer suas letras e histórias e narrar gols marcantes das Copas do Mundo conquistadas pelo Brasil.

 

 


 

 


 

 

Gol de placa” # Banda Catedral.

 

 

 


 

 

 

Boa Sorte Seleção!!

 

 

 

 

 

 

************

Fontes:

- Ary Barroso - Brasil Brasileiro. Omar Jubran. CD 14 / Faixa 18 (áudio).

- A história cantada no Brasil em 78 rotações. Miguel Ângelo Azevedo [Nirez]. - Fortaleza: Edições UFC, 2012.

- Site YouTube (vídeos).

- Fotos internet e acervo pessoal.

- Jornal O Estado de São Paulo (Estadão/Esportes).

 

**********

 

Exibições: 851

Comentar

Você precisa ser um membro de Portal Luis Nassif para adicionar comentários!

Entrar em Portal Luis Nassif

Publicidade

© 2019   Criado por Luis Nassif.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço