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            Rum e charutos de Cuba vendidos informalmente, moeda forte dos médicos cubanos que conhecíamos na África. Vivendo em condições precárias,  sujeitos a regras laborais draconianas, os internacionalistas usavam a renda extra para comprar amenidades, tornando o dia-a-dia menos oneroso e melhorando sua qualidade de vida

            Produção em massa de médicos, havia convertido a medicina cubana em uma commodity de exportação que, somada com as remessas monetárias de refugiados nos Estados Unidos, representam a maior fatia da renda e fonte de divisas do país. Vigas de sustentação de um sistema econômico obsoleto que seria totalmente inviável de outra maneira.

            Espelhada na experiência da Venezuela, a justificativa do nosso governo foi que a importação de médicos cubanos seria a maneira mais eficaz de resolver os problemas do SUS.  Afrouxamento das regras de aprovação de títulos, exames de proficiência profissional e idiomática com viés de acreditação rápida dos “Mac Doctors”,   permitiria o ingresso de médicos em comunidades carentes sem primeiro resolver as deficiências prevalentes na infraestrutura de policlínicas e hospitais naquelas áreas.    

            Estima-se que o Tesouro Nacional pagará R$ 1,5 bilhão nos próximo três anos.  O Governo de Cuba retém quase 70%, uma transferência massiva de renda do contribuinte brasileiro para um sistema de governo antidemocrático. Somos cúmplices também quando aceitamos restrições de liberdade de expressão, do direito à mobilidade e ao asilo, como  codificado na Declaração Universal de Direitos Humanos e sem o mínimo respeito às convenções da Organização Internacional do Trabalho. Um convênio com a Organização Panamericana de Saúde, serve de barriga de aluguel para a contratação dos profissionais com isenção de imposto de renda e outros privilégios extraterritoriais, cobrando uma taxa de custos indiretos de 5% por seus serviços de gestão.

            Preocupações legítimas e anseios da classe médica brasileira e oponentes do programa são demonizadas pelo governo e a mídia com uma postura exaltada e belicosa, muitas vezes expressada por uma retórica que instiga o conflito dialético entre raças, classes e profissionais  de saúde.  Alto preço para justificar nossa generosidade com um regime que representa a antítese da nossa vocação democrática.  

Palmarí H.de Lucena é membro da União Brasileira de Escritores

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