AS ORIGENS
O Japão durante séculos foi um país quase totalmente isolado do resto do mundo – o que despertava no ocidente a imaginação fantástica de terras distantes e culturas exóticas, quando do relato de alguns viajantes e aventureiros. Por volta de 1870 o presidente americano Ulysses Grant enviou uma expedição de reconhecimento a Sua Majestade Imperial, cujo intuito era estabelecer laços de amizade e comerciais com o Império do Sol Nascente. Nas décadas seguintes, centenas de oficiais e soldados da marinha americana pisaram em solo japonês, alguns dos quais se estabelecendo na ilha e contraindo matrimônios temporários (permitidos pelas leis nipônicas da época) com jovens japonesas.

Várias histórias decorrentes dessas relações extravagantes foram registradas no séc. XIX, sendo que uma delas foi romanceada pelo advogado e escritor norte-americano John Luther Long. Com o título “Madame Butterfly”, Long relata o relacionamento de um desses oficiais americanos com uma jovem gueixa de Nagasaki de apenas 15 anos de idade (vide). A novela despertou o interesse do dramaturgo David Belasco que, juntamente com Long, a adaptou para o teatro, sendo estreada em 1900, em Nova Iorque, numa peça de um ato apenas. Sete anos depois Belasco elabora uma versão em três atos que é apresentada em Londres. Giacomo Puccini assiste a uma das apresentações e fica profundamente impressionado e comovido com a história. Decide então transformá-la em ópera, contando com a colaboração dos libretistas Giuseppe Giacosa e Luigi Illica.


A primeira apresentação da ópera, no Scala de Milão, em 1904, foi um fiasco. O diretor de cena resolveu inovar criando efeitos sonoros especiais para dar mais colorido ao intermezzo do segundo ato. Pretendia que quando os pássaros chilreassem no ambiente japonês do palco, outros respondessem de vários pontos do teatro. Para isso, distribuíra pelas galerias alguns funcionários, munidos de instrumentos que imitavam o pio de passarinhos no momento adequado. Mas o efeito foi bem menos poético do que se esperava. Segundo o depoimento da soprano que fez o papel principal, Rosina Storchio, “graças a uma imprevista colaboração do público, de todos os lados ergueram-se cantos de galos, ladrar de cães, mugidos de vacas e zurros de asnos, como se naquela madrugada estivesse despertando a própria arca de Noé”. Óbvio que o espetáculo tornou-se uma patacoada.
Puccini e seus libretistas, entretanto, acreditavam no valor da obra e fizeram sua revisão eliminando episódios, reduzindo compassos, dividindo atos e simplificaram a história de forma a evitar comparações desagradáveis entre as enormes diferenças culturais dos dois países. Puccini escreveu mais quatro versões da ópera depois do fracasso inicial. A última versão data de 1907 e tornou-se a definitiva. Puccini construiu assim uma partitura com maravilhosas gamas inteiramente novas de timbre e harmonia, conseguindo uma narração fluida e comunicativa, que passou a comover platéias no mundo inteiro.


Foi a ópera que assinalou o ponto mais alto da carreira de Giacomo Puccini, cujas obras posteriores não alcançaram popularidade equivalente. Foi também o trabalho que deu maior divulgação ao talento de Giuseppe Giacosa, poeta e dramaturgo que se caracterizava por descrever, de forma realista, os fenômenos da decadência, crise e transformação de um mundo que experimentava os desafios do novo século que se avizinhava. Giacosa não teve a oportunidade de acompanhar a sucessão de êxitos obtida pela obra que ajudara a escrever, pois faleceu em 1906. Mas esta satisfação foi dada a Giacomo Antonio Domenico Michele Secondo Maria Puccini, que viu o mundo inteiro aplaudi-la, até 29 de novembro de 1924, quando morreu, deixando inacabada a ópera Turandot, que Franco Alfano iria terminar.

A ÓPERA

Em Nagasaki, o tenente Benjamin Franklin Pinkerton, da marinha dos Estados Unidos, vê pela primeira vez a casa onde residirá com a “esposa” japonesa durante sua curta permanência na cidade. O agente matrimonial, Goro, mostra-lhe os aposentos e Pinkerton fica maravilhado com tanta arte. Conclui que a aventura lhe sairá barata, afinal, por apenas 100 iens, desfrutará a bela residência e terá como mulher uma jovem encantadora, mediante um contrato de matrimônio por 999 anos! E pelas leis do país, poderá desfazer o relacionamento a qualquer momento.
O cônsul americano Sharpless adverte Pinkerton de que a menina com quem se casará leva o matrimônio a sério e não de forma leviana como ele. Seria um pecado destroçar seu ingênuo coração. Butterfly tem apenas 15 anos e está apaixonada por Pinkerton. Sua família era próspera, mas sobreveio a pobreza e ela foi obrigada a tornar-se gueixa para sustentar a mãe viúva. Para Pinkerton, egoisticamente, isso não faz diferença, está transtornado de desejo pela jovem japonesa e nada o deterá no alcance de seu objetivo. Ambos brindam à América, seu poderio e seus valores. Pinkerton está seguro de que está acima de todas essas questões de uma cultura inferior.
Nesse momento Goro, o casamenteiro, anuncia o cortejo nupcial da noiva. Pinkerton e Sharpless ficam fascinados com o exótico espetáculo – algo a que seus olhos ocidentais ainda não se acostumaram. Butterfly e suas acompanhantes cantam louvores à natureza e as vozes chegam como um murmúrio de brisa, distantes, irreais. Butterfly, apaixonada, anuncia às amigas sentir-se a mulher mais feliz do Japão.





Terminada a cerimônia nupcial, irrompe a cena o tio bonzo (sacerdote) de Butterfly que a amaldiçoa por ter renegado sua religião para casar-se com um estrangeiro. Há enorme tumulto e Butterfly fica arrasada com as palavras do tio.
Pinkerton fica penalizado e a conforta com palavras de carinho. A noite vem descendo; ambos se abraçam, iluminados pelo luar. Trocam, então, ardentes palavras de amor e, depois se recolhem à casa. É o dueto de amor, considerado pelos estudiosos como uma das obras-primas de Puccini. Constitui, possivelmente, a página mais expressiva de quantas já foram compostas no gênero.



Três anos se passaram e Pinkerton não dá notícias: voltara aos EUA deixando Butterfly a aguardá-lo. Suzuki, a criada, não acredita mais no seu retorno, mas implora aos deuses que isto aconteça. Butterfly, obstinada em sua fé, procura infundir-lhe esperança.
“Um belo dia, veremos elevar-se um fio de fumaça lá distante, no mar”, diz ela com ar sonhador. “É ele quem chega”. E prossegue em sua fantasia, imaginando o que ocorrerá em seguida: Pinkerton sobe a colina, chama por ela e tudo será maravilhoso como antes.
A intensidade melódica desta ária atinge o ponto mais emocionante quando Butterfly conclui (pretendendo ela própria convencer-se do que afirma) “Tudo isso acontecerá, prometo-te. Eu, com segura fé, o espero”.


Butterfly recebe a visita de Sharpless que recebera uma carta de Pinkerton na qual relata seu casamento com uma conterrânea. Butterfly não lhe permite ler a carta, demonstrando intensa alegria (mas obviamente temendo conhecer seu conteúdo). Pergunta ao cônsul se na América os pintarroxos regressam todos os anos para fazerem os ninhos. Diante do embaraço de Sharpless, ela esclarece: Pinkerton lhe dissera que estaria de volta quando isso ocorresse, e no Japão as aves já haviam retornado três vezes!
Sharpless a aconselha a esquecer Pinkerton e aceitar a oferta de casamento feita por um rico aldeão, mas ela o repudia, furiosa e ofendida. Corre ao aposento contíguo e volta com o filho no colo: “E este, se pode esquecer?” Sharpless, estupefato, reconhece os traços de Pinkerton na criança, e pergunta como se chama. Butterfly declara que seu nome é Dor, mas que o mudará para Alegria quando da volta de Pinkerton.
O navio de Pinkerton chegou finalmente. Butterfly sente, triunfante, que sua angústia terminou e corre para o terraço. Saúda a canhoneira branca que entra no porto. Agitada, faz com que Suzuki recolha todas as flores que puder, a fim de enfeitar a casa. Ri e chora ao mesmo tempo, enquanto espalha por todos os cantos a colorida colheita da criada.
Neste trecho (que se tornou famoso como “dueto das flores”, Puccini utiliza uma estrutura musical complexa. Há mudanças bruscas de tonalidade, ligeiros acentos orientais na linha melódica e a orquestra volta a atuar como parte integrante da movimentação. Há quem veja nessa passagem características de Wagner e Debussy.
Suzuki e Butterfly dão uma poética conclusão ao dueto, que se fecha com grande delicadeza.



Começa a longa vigília noturna de Butterfly. Seu filho já está deitado, Suzuki também. Só ela permanece acordada, qual uma estátua, junto à janela, aguardando o novo dia e seu amado.
A cena, de grande força comunicativa, é ilustrada por um coro a bocca chiusa (de boca fechada), que parece emergir da noite, lá fora, qual serena cantiga de ninar.
Os sons vão se extinguindo lentamente e a cortina fecha-se encerrando o segundo ato da ópera.


O terceiro ato é precedido por um longo intermezzo sinfônico. A jovem permaneceu junto à janela a noite toda, imersa em expectativas e reminiscências. A primeira parte do prelúdio, portanto, sugere ao espectador as possíveis imagens que passaram pela mente de Butterfly: Pinkerton atravessando os mares, as juras de amor que trocaram no terraço, a maldição do tio bonzo, a interminável espera...
O dia começa a clarear e a cortina se abre: Butterfly permanece na mesma postura anterior, olhando pela janela. Ouvem-se vozes, os pássaros começam a cantar, as sonoridades orquestrais tornam-se alegres e a natureza parece encher-se novamente de vida.

INTERMEZZO


Butterfly retira-se para se preparar para receber o tenente e a jovem quer a criança vestida para conhecer o pai. Aparecem Pinkerton e Sharpless e Suzuki, ao recebê-los, nota que há uma senhora no jardim. Quando Sharpless revela que é a esposa americana de Pinkerton, Suzuki cai em prantos. O cônsul procura acalmá-la e conta que a senhora veio para adotar o menino.
Pinkerton mostra-se constrangido e confessa sua covardia perante a situação. Dando-se conta dos males que sua leviandade provocou, sente-se abater pelo remorso e pela covardia. Falta-lhe a coragem para enfrentar Butterfly: ele pede a Sharpless que procure confortá-la.
Antes de retirar-se, entretanto, olha tristemente ao redor e despede-se do ninho florido onde convivera brevemente com Butterfly. “Fujo, sou covarde”, exclama amargurado, sob comentários lacônicos de Sharpless.


Butterfly aparece em seguida e percebe nos modos de Suzuki que algo de mau aconteceu. Vê a estranha senhora e compreende o que se passa. A esposa de Pinkerton sente compaixão por ela e pergunta se o marido pode levar a criança. Com patética resignação, Butterfly responde que sim, desde que ele venha pessoalmente buscá-la...dentro de meia hora.
Todos saem, deixando Butterfly sozinha. Ela se ajoelha diante de uma imagem de Buda, permanecendo imóvel em dolorosa meditação. Com gestos lentos, cobre-se com um véu branco e tira a adaga que estava escondida no nicho da estatueta. “Com honra morre quem não pode conservar a vida com honra” está gravado na lâmina. São os últimos momentos da ópera. Na iminência de praticar o haraquiri, Butterfly é interrompida pela súbita chegada do filho, que corre perto dela. Largando a adaga, a jovem estreita a criança com infinita ternura, cobrindo-a de beijos.
“É por ti e por teus olhos puros que morre Butterfly”, diz angustiada. “Para que possas ir para além-mar, sem que te magoe, na maturidade, o abandono materno”. Despede-se dele ternamente, e manda-o brincar. A seguir, volta a empunhar a adaga e pratica o haraquiri.
A orquestra comenta essa passagem com frases dolorosas, e Butterfly morre enquanto ouvem-se os gritos de Pinkerton, do lado de fora, chamando por ela.

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Comentário de Henrique Marques Porto em 22 outubro 2009 às 0:15
Oscar, Helô e Lena
Ópera, como vocês sabem, é um espetáculo perigoso. O melodrama se equilibra na linha estreita que separa a tragédia da pândega. Cair para um lado ou outro é um risco que se corre assim que abre o pano. Basta um pequeno exagero e lá se vai uma noite por água abaixo.
Madamme Butterfly não escapou de ser vítima de um desses episódios bizarros que só acontecem no teatro -ópera, teatro de prosa ou balé.
Crianças em cena sempre foram um problema. Paulo Autran dizia que não gostava de atuar com crianças e animais. Se atuavam bem, roubavam a cena, se não podiam estragar tudo. Pois aí pelos anos 30, início dos 40 mais uma Butterfly subiu ao palco do Teatro Municipal. A protagonista era Violeta Coelho Neto de Freitas.
O primeiro ato correu bem. O espetáculo caminhava para mais um sucesso. Mas veio o intervalo, e com ele um grande problema. A criança que faria o papel do filho abandanado pelo pai e que se comportara tão bem nos ensaios, resolveu fazer birra. Chorava, fazia manha e dizia que queria ir para a casa. Nem mãe, nem pai, nem ninguém a consolava e a convencia do contrário. O tempo corria. Tentaram suborná-la com presentes, guloseimas e promessas de passeios incríveis. Nada feito. O pirralho era ético e batia o pé, deixando loucos a produção e todo o elenco.
O empresário Silvio Piergigli já dava como perdido o espetáculo.
-Como pode o segundo e o terceiro atos sem criança? Butterfly vai cantar "Eh questo, eh questo!" para o consul e não vai mostrar ninguém!!?? E o final da ópera? Como fica?
Desolados, todos já estavam se acostumando com a idéia de atuar sem criança mesmo e fosse o que Deus quisesse.
Até que alguém da produção, que até então apenas observava, falou:
"-Eu acho que tenho uma solução..."
"-Qual??" -perguntaram todos. O sujeito começou a expôr a sua idéia.
"-Aqui perto, lá pela Praça Tiradentes, tem um circo montado..."
"-E tem crianças lá?"
"-Crianças não, que é proibido, mas tem anões..."
"-Você tá louco? Imagina colocar um anão em cena!!"
"-Calma, peraí. Anão de circo é um artista sério e é pequenininho. Com uma maquiagem caprichada, o quimono comprido e a iluminação ninguém vai notar. O palco é grande, o anão é pequeno! E depois é um homem adulto e um artista que nem precisa ensaiar. Basta dar um dinheirinho de cachê para ele."
"-É, faz sentido....Chama correndo esse anão!" -decidiu Piergigli. Em pouco tempo, depois de um aviso ao público pelo atraso, chegou o funcionário com o anãozinho.
Foi aí que Violeta reagiu.
"-Eu não vou pegar esse homem no colo! Imagine uma coisa dessas?!"
"-Não é um homem, Violeta, é um anão! Pequenininho assim! -ponderou alguém. O anão não gostou da frase, olhou estranho, mas ficou quieto.
"-É anão e é pequenino, mas ainda assim é homem!" -insistiu Violeta. O anão olhou para ela agradecido, concordando com um balançar de cabeça.
Piergigli resolveu mais essa:
"-Tudo bem, não precisa pegar no colo. Você entra com ele pela mão. Está bem assim?"
Estava bem assim. O anão foi maquiado e instruído sobre o que deveria fazer e o segundo ato teve início.
No metade do ato a criança entra em cena trazida por Butterfly, que quer mostrá-la ao Consul. É um momento emocionante, emoldurado por acentuações vibrantes e pungentes da orquestra. Conduzido pela mão por Violeta o anãozinho avançou para o centro do palco com aquele andar característico de pêndulo. Tudo bem, crianças são meio desengonçadas mesmo. De perto devia estar horrendo como um pequeno demônio mas de longe e encantado pela música o público nada percebia.
Mas na sequência da entrada em cena da criança, no diálogo ou dueto com Butterfly o Consul se dirige à criança. O barítono cantou, então, a frase que nesta noite foi fatal: "Qui bei capelli biondi! Caro, comme ti chiamano?". Butterfly teria que responder, como já explicou Oscar, que o nome de seu filho era dor, mas se chamará alegria no dia do retorno do pai. Mas o que o público ouviu foi "a criança" responder com ressonante e grave voz de barítono:
"-Hernandez Fernandez y Gonzales! A su servicio!" -e estendeu as mãozinhas para o alto à espera de um cumprimento do atônito "colega de trabalho". O público, é claro, caiu imediatamente em gostosas gargalhadas e o drama de Cio-Cio-San não foi o mesmo naquela noite.
O anão era paraguaio. Pequeno, paraguaio e palhaço de circo! Não resistiu à oportunidade de enfiar um caco no palco grandioso que não voltaria a pisar. Assim que saiu de cena foi imediatamente expulso aos impropérios do teatro. Não ganhou cachê mas deve ter ganhado o dia.
abraço
Henrique Marques Porto
Comentário de Oscar Peixoto em 22 outubro 2009 às 17:19
Gente! Simplesmente hilariante o relato do Henrique! O teatro deve ter desabado de tanto riso! Eu daria tudo para ter presenciado! Melhor do que muito esquete que vi no teatro de revista.
Mas, Lena, a ópera não é só drama, não. Há também comédia da melhor qualidade, como futuramente você verá, quando um barbeiro de Sevilha, ou uma gata borralheira, ou um sultão gordo, pantagruélico, aparecerem por aqui. Aí, pode ter certeza, nosso amigo Henrique vai deitar e rolar com suas "associações crescentes".

Abraços
Comentário de Henrique Marques Porto em 22 outubro 2009 às 21:13
Oscar e Lena,
O que tem de mais engraçado é que a história do anão aconteceu mesmo! Nós não vimos, Oscar. Mas meu pai acompanhou tudo dos bastidores. Adolescente eu pedia para ele: "-Conta de novo a história do anão!"
Aqueles caras eram muito doidos. Imagina fantasiar um anão de criança nipo-americana? Era tudo meio improvisado, mas tinha uma graça especial.
Oscar tem razão, Lena. Eu sou um que choro com Madamme Butterfly ou com o final da Bohéme. Tem coisa mais triste que o final da Bohéme? Difícil. Mas morro de rir com o Barbeiro de Sevilha, o Gianni Schichi ou o Falstaff.
Agora, acidentes, casos bizarros e engraçados é o que mais tem em ópera.
No fundo, no fundo, e no final das contas metade do público é sádico e quer mais é que o tenor se engasgue na caballeta e que o soprano caia sentada na hora do agudo!
abraço
Henrique Marques Porto
Comentário de Marise em 22 outubro 2009 às 23:56
Oscar voltei aqui para ler tudo. Que maravilha. Nunca pensei que com minha idade iria ainda aprender tantas coisa belas com vocês. Oscar e Henrique grandes mestres para nos falar sobre ópera. Estou encantada e querendo aprender mais sobre algo que sei muito pouco
Beijão
Comentário de Helô em 23 outubro 2009 às 0:14
Lena
Já disse ao Henrique que ele tem a veia cômica de seu tio, Agostinho Marques Porto, revistógrafo que a gente passou carinhosamente a chamar de Tio Agostinho. Uma figura! Seja aqui ou na página do teatro, nosso amigo sempre "henriquece" os posts com seus comentários e histórias interessantes.
Vou lhe contar a minha pouca experiência com óperas. Comecei ouvindo coros, alguns intermezzos e só algum tempo depois fui me acostumando a ouvir árias, até chegar a uma ópera inteira. Aos poucos, a gente vai gostando cada vez mais.

Henrique
Além do história familiar, nunca pensou em colocar tudo isso em um livro? Puxa vida! É muita história pra contar! O caso do anão é de chorar de rir, kkkkkk. Fiquei imaginando a cena.
Também choro na Butterfly. Aliás, nem precisa de ópera inteira. Dependendo da ária, choro pra valer. Quer um exemplo? Casta Diva com a Inessa Galante.

Oscar
Sua Butterfly está voando alto! Já estou ansiosa pelo próximo post, hahaha.

Olha a Marise aí!

Beijos a todos.
Comentário de Henrique Marques Porto em 23 outubro 2009 às 17:49
Helô,
É que ópera é bom de ouvir fazendo comentários, contando casos e lembrando grandes interpretações. Claro que sem atrapalhar a audição. Mas sempre se pode repetir uma faixa ou outra que foi encoberta pela conversa. Eu aprendi a ouvir ópera assim. Acho que Oscar também. Ainda criança já ouvia ópera com meu pai e ele ia descrevendo as ações, explicando a trama e chamando atenção para algum detalhe da partitura. E contando os muitos casos que sabia. Ele já assistia óperas quando o Teatro Municipal nem existia! Enrico Caruso, por exemplo, cantou no Rio duas vezes, em 1903 e 1917. Nas duas deixou casos para serem contados.
O Paulo Fortes era outro que não ficava calado ouvindo disco. Durante um tempo, na década de 70, ia para o apartamento dele em Botafogo ouvir música. Ele gostava de testar o conhecimento das visitas. Colocava um disco e perguntava: "-Quem é que está cantando?" Ás vezes gravava fitas cassete só com testes desse tipo. Eram gravações antigas e eu quase nunca acertava. Aí ele dizia quem era e falava a respeito. A bolacha ou fita rodando entre comentários e causos.
As que sei vou contar aqui aos poucos, de acordo com as postagens do Oscar, que também sabe de muita história.
beijão
Henrique Marques Porto
Comentário de Henrique Marques Porto em 27 outubro 2009 às 23:51
Oscar, Lena, Helô e Marise,
Houve um tempo em que tínhamos ópera de qualidade no eixo Rio-São Paulo com elencos inteiramente nacionais. Não eram montagens fáceis. Com ou sem anões de circo. Os recursos eram escassos, os cachês baixos e os ensaios muito poucos. A grande maioria dos nossos cantores jamais viveu da música. Tinham que dividir seu tempo dando expedientes em empregos diversos. Mas a dedicação, o amor pela ópera e o talento daqueles artistas superavam todas as dificuldades. Superavam inclusive o descaso dos admistradores do Teatro Municipal. Um exemplo é este aqui. Um trecho de uma Madamme Butterfly da temporada lírica de 1967. Clara Marise foi a protagonista. Depois de Violeta Coelho Neto foi a melhor intérprete brasileira de Cio-Cio-San. Baixinha, simples, sensível e extremamente talentosa. Uma cantora que se tivesse tido a oportunidade de se dedicar exclusivamente à sua arte poderia ter feito muito mais. Nessa montagem, ao lado de Clara Marise estiveram o tenor Alfredo Colósimo como Pinkerton; o barítono Paulo Fortes como Sharpless; a mezzo Carmem Pimentel como Susuki; Geraldo Chagas como o Goro; e Guilherme Damiano como Yamadori. Orquestra e Coro do Teatro Municipal regidos por Santiago Guerra. Da. Carmem ainda está viva com quse 100 anos.
A temporada de 1967 teve, além da Butterfly, títulos como Il Trovattore, Tosca, Otello, Cavaleria Rusticana e I Pagliacci e Andrea Chénier, entre outros. Houve ainda uma Aída e O Guarany, montados também no Maracanazinho -experiência que não deu certo por causa da péssima acústica.
Mas está aí a Clarinha Marise cantando a Butterfly.
abraço
Henrique Marques Porto

Clara Marise - Final de Madamme Butterfly
Comentário de julio campos em 16 agosto 2011 às 19:11

Só hoje vi tudo isto e fiquei emocionado, principalmente a que fala no tijuca tenis clube, pois

moro  perto e vio ainda no local. mais fotos como estas são de um valôr inestímavel e nos faz

recortar tempos de ouro da òpera no Brasil. Desculpem só agora vêr e comentar julio

Comentário de julio campos em 16 agosto 2011 às 19:17
Desculpem o comentario que fiz  foi sobre estas fotos Julio
Comentário de Henrique Marques Porto em 17 agosto 2011 às 0:59

Julio,

É por isso que sou a favor da "eternização das informações" na internet. Essa foi uma das melhores matérias publicadas pelo Oscar para o Blog. Está para completar dois anos e ainda recebe visitas.

Violeta Coelho Neto de Freitas realmente estreou no Tijuca Tênis Club, em 1936. O mês eu não sei. Infelizmente, nunca encontrei registros dessa estréia. Um biógrafo de Violeta pesquisou a respeito e também nada encontrou. Talvez tenha saído alguma nota na imprensa da época, mas procurá-la demandaria exaustiva pesquisa na Seção de Periódicos da Biblioteca Nacional. Mas não duvido que ainda esteja vivo algum velho tijucano de boa sepa quardando numa caixa algum documento sobre a história do clube e sobre o início da carreira de Violeta.

abraço

Henrique Marques Porto

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