OS IMPORTADOS E O SUFOCO INDUSTRIAL-NACIONAL
 


                                                                                    J. R. Guedes de Oliveira
 
 
 
          Com a recente visita da Presidenta Dilma Rousseff à China e a sua fala firme e resoluta sobre a questão da balança de importação e exportação, numa grita sobre o que necessitamos, vale apena transcrever um pequeno artigo que há algum tempo publiquei sobre este assunto.
 
         Antes, porém, devemos evidenciar os seguintes comentários feito pelo jornalista Clóvis Rossi”:
 
         “Na China, Dilma fez ver aos chineses que o Brasil não pode continuar a ser apenas exportador de produtos primários. Obteve a promessa de que os chineses estimularão suas empresas a importar produtos de mais valor do Brasil.
 
          A diferença entre os dois países é espantosa, nas contas do ministro Aloizio Mercadante (Ciência e Tecnologia): o preço médio da tonelada exportada pela China supera os US$ 3.000, ao passo que a do Brasil fica em magros US$ 163.
 
          O problema com a queixa do Brasil é a de que o próprio empresariado admite que não dá para exportar mais manufaturas. Talvez por isso, o foco da viagem passou a ser atrair o "ouro de Pequim", a fantástica pilha de dinheiro que os chineses têm para aplicar no exterior.
 
          Embora não tenha sido resultado direto da visita, já funcionou: a Foxconn anunciou espetaculares US$ 12 bilhões em seis anos para, entre outras coisas, construir uma "cidade inteligente" em local já escolhido mas ainda não anunciado. Serão 100 mil "habitantes" (trabalhadores), dos quais 20 mil engenheiros.
 
          É o tipo de investimento que cria valor agregado como quer o governo -e, de resto, como é necessário”.
 
                                                    :::::::::::::::::::::::
 
          Vivemos, neste imenso Brasil, um momento de extrema angústia ante a abertura (ou melhor, escancaramento) das portas dos nossos portos e aeroportos aos produtos estrangeiros, principalmente os vindos da República Popular da China.
 
          É claro que não temos nada contra a terra de Mao Tse-Tung e outros países asiáticos, mas convém alertar que estamos sendo invadidos, em nosso pleno sono, “deitado eternamente  em berço esplêndido“, por inúmeros produtos, em detrimento ao sufoco e aniquilamento das nossas produções que absorvem, principalmente os agregados.
 
          Com efeito, numa política desastrosa, efetivando o fechamento dos nossos parques industriais, promovendo o desemprego, criando um enorme contingente de pedintes e que são, por via de regra nos momentos atuais, abastecidos pelo assistencialismo criminoso, pérfido e de aberrações imagináveis, vamos caminhando por caminhos trôpegos e que, na verdade, nos levarão ao abismo infindável.
 
           Vamos tomar como base, agora, a questão dos vestimentos: calças, camisas, blusas, sapatos, biquines e lingeries. Tudo está em sufoco, pela grande invasão de mercadorias de baixa qualidade e de grande aceitação, já que o brasileiro se inclina, sempre, pelo preço mais baixo e não pela qualidade. Contestem-me, se estou errado.
 
           Uma política de aperto de impostos, espécie de “derrama” dos velhos tempos coloniais, vem se misturando com bolhas invisíveis de avanço econômico: miragem... somente miragem.
 
           Enquanto não se efetivar uma grande mudança, com investimentos econômicos, do tipo empregado por John Keynes, haveremos de amargar um grande prejuízo mesmo sendo regado pelas condições climáticas, geográficas e minerais. Não basta ter; é necessário produzir, envolver a massa humana para o trabalho. Lembramos que os chineses estão fazendo isto, porque diferentemente disso, seria a aniquilação da própria formação e concepção da República Popular da China: uma espécie de auto-destruição.
 
            Contudo, vivemos um paradoxo de aceitação a estes importados e a invasão do domínio capitalista chinês aos nossos bens produtivos e que se sufocam, através dos decênios, por uma questão de carga excessiva de impostos.
 
             Lemos, estes dias, um artigo do professor e economista Cláudio Lembo, com o título de “Os riscos do novo capitalismo”. Perfeita colocação, que merece uma reflexão imediata e não para depois. É preciso uma tomada de posição e um estudo mais detalhado sobre estes enormes riscos à nossa integridade econômica, mesmo a mundial, em termos mais amplos.

 
             Para nós, aqui do Brasil, ficamos com um caso que já contamos sobre esta invasão capitalista. Eis, para alerta:


          A Empresa Quebrada
          Neste momento que antecede a criação do movimento  “Cansei”, por um grupo de empresários em conjunto com a OAB-SP, que visa, acima de tudo, dar um basta nesta economia farsa e um fim à violência, é oportuno contar, aqui, uma história (não estória) ocorrida há algum tempo e que me foi passada pela filha de um industrial.
         Há alguns anos atrás, quando da abertura das portas brasileiras para o mercado estrangeiro, numa arrancada para a quebradeira geral, um empresário do ramo de guarda-chuvas, sombrinhas e guarda-sol possuía cerca de 120 empregados, com uma produção invejável.
         Pelos custos de produção, um guarda-chuva não saia por menos de R$ 10,00 e um guarda-sol por R$ 20,00. Isto quer dizer: preço de “custo standard”, como denominamos.
        Com a entrada no mercado brasileiro dos produtos chineses principalmente, este empresário se viu em uma tremenda crise: folha de pagamento, impostos, gastos diretos e indiretos, administração altíssima, etc. Isto tudo, sem conseguir colocar os seus produtos no mercado ao preço acrescido de mais 50%. Quem compraria um guarda-chuva ao preço de R$ 15,00 ou um guarda-sol ao preço de R$ 30,00?
         O guarda-chuva, colocado pelos chineses no Porto de Santos (FOB) sairia pelo preço de R$ 3,00 a unidade e o guarda-sol ao preço de R$ 6,00. Uma grande sacada para aniquilar qualquer concorrente.
         O empresário se viu derrotado. Dispensa em massa, concordata e, depois, falência. Ficou, na verdade, na “pindaíba” (utilizando a expressão popular).
        Aconteceu, porém, que os chineses não conheciam o mercado brasileiro e, até por questão de idioma, não conseguiam pulverizar os seus produtos a todos as praças brasileiras. Na época, ainda não havia o chamado R$ 1,99.
        Espertos e desejosos de aniquilar, como um rolo-compressor, o empresário brasileiro e sua produção, os chineses fizeram contato com este empresário, que conhecia profundamente quais eram as vontades populares, quais seriam os desejos, quais seriam os compradores, quais seriam as tendências. Propuseram-lhe, já que ele estava na derrocada, um “acordo de cavalheiros”: os chineses faziam os tais produtos conforme o pedido do empresário, até com a sua logomarca e ele intermediaria a  venda no mercado brasileiro.
         E foi assim que o empresário voltou ao seu patrimônio anterior: aceitando as encomendas, colocando-as nos mercadores para os revendedores, mas sem preocupação de impostos, folha de pagamento, despesas administrativas, etc., que tanto causam horrores a quem deseja abrir ou tocar algum negócio neste país de contrastes.
         Para o nosso país brasileiro, ficou o desemprego: com 120 empregados, teríamos cerca de 300 pessoas e, indiretamente, cerca de 1000 pessoas, entre fornecedores., prestadores de serviços, etc.  Sem valor agregado, nem mesmo pedindo ajuda a John Keynes poder-se-ia resolver a parada.
         Com a massa desempregada, a rua cheia de jovens, o inferno de uma globalização de troca de computadores por rapaduras, vivemos uma crise sem fim. Isto tudo nos cheirando uma futura convulsão social, a caminhar desta forma.
         Eis, pois, o que se nos  apresenta para o momento que antecede este movimento “Cansei”. Quem sabe com um rigor maior, a retomada da brasilidade (não só em conquistas de PAN ou nos gramados de Copa do Mundo), mas no dia-a-dia, como o faz o americano que bate no peito todo dia e transforma seus serviços em ganho para o seu país.
          Quanto admiramos estes homens valorosos que, com ousadia, não se vergam, não se quebram! Mas ainda há tempo para a retomada do BRASIL GIGANTE!


                                     José Roberto Guedes de Oliveira, ensaísta, biógrafo
                                     e historiador.
                                     E-mail: guedes.idt@terra.com.br

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