MAHLER, A ORQUESTRA SINFÔNICA DE HELIÓPOLIS E A FALTA DE EDUCAÇÃO DO PÚBLICO. CRÍTICA DE ALI HASSAN AYACHE NO BLOG DE ÓPERA E BALLET.

   

   A Orquestra Sinfônica de Heliópolis comandada pelo Instituto Baccarelli abriu a temporada 2016 na Sala São Paulo no Dia do Trabalho com uma obra pra lá de complexa. A Quarta Sinfonia de Mahler para soprano e orquestra exige maturidade devido as suas exigências técnicas. Diferente de muitas sinfonias mahlerianas a quarta não tem uma orquestra enorme, em outras obras os metais se sobressaem, nesta estão em equilíbrio com os demais instrumentos e as madeiras tem destaque maior que nas sinfonias que a antecederam e que a precederam.
   A regência do titular da casa Isaac Karabchevsky tem uma leitura conservadora onde todas as anotações que estão na partitura foram seguidas a risca. O que se ouviu foi uma versão lenta que mostra todas as nuances da música mahleriana. A mistura de orquestra jovem e partitura complexa tem tudo para dar errado, a musicalidade esteve quase sempre consistente embora ocorressem diversos desencontros entre naipes e solistas muitas vezes perdidos. As melhores passagens da Orquestra Sinfônica de Heliópolis foram as líricas e menos densas, quando os naipes se juntam a confusão sonora se instala. 
   O quarto movimento tem a canção para soprano, o poema "A Vida Celestial" da coletânea de textos alemães "A Trompa Mágica do Menino". Nele está a visão do céu por um menino onde a comilança saborosa e a boa vida é descrita. Pena que não existiu legenda na Sala São Paulo e o público ficou perdido no meio do texto alemão. O soprano Paula Alamares foi incumbida de dar voz ao texto, pede o compositor na partitura uma linha da canto serena e infantil. A voz de Paula Alamares oscilou: lírica e suave com uma tessitura rica nos agudos quando sua projeção acontecia a contento, diversas vezes a voz da cantora desapareceu pelos confins da Sala São Paulo.
   O público jovem que acompanha a orquestra, parentes de músicos e colegas da turma mostrou um comportamento incompatível com um concerto. Sobraram pessoas com celular ligado, conversando, derrubando objetos e fotografando. Infelizmente nenhum monitor para chamar a atenção da moçada. O que se vê é que os jovens transportam para qualquer lugar seu comportamento no dia a dia e não entendem que regras existem. Um senhor se irritou com o moço que insistia em ficar com o celular ligado e a discussão foi feia, quase parando a apresentação.
Ali Hassan Ayache 

Orquestra Sinfônica de Heliópolis, foto Internet.

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