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Mais profundo que o amor # D. H. Lawrence - Leonardo Fróes

Chama - Bruno Giorgi


Mais profundo que o amor 


O amor existe, e é coisa funda,
mas há coisas mais profundas que o amor.

Antes de tudo, há o homem só.
Que nasce sozinho, que morre sozinho
e que sozinho vai vivendo, no seu ente mais fundo.

Como as flores, o amor é vida que cresce.
Mas por baixo estão as rochas profundas, a rocha viva que leva a vida sozinha,
e ainda mais por baixo está o fogo ignoto, ignoto e pesado, pesado e só.

O amor é coisa dual.
Mas o homem, por baixo de qualquer dualismo, está sozinho.

E por baixo das grandes emoções do amor turbulentas, da violenta
parte verde de fora,
jaz a rocha viva do orgulho de uma singular criatura,
o orgulho cândido escuro.
E ainda mais por baixo do leito da rocha firme do orgulho
jaz o fogo ponderoso da vida sem atavios
com sua estranha consciência primordial de justiça
e sua consciência primordial de conexão
conexão com o fogo-vida mais fundo, mais terrível,
e a velha, velha e final verdade-vida.

O amor é dual, e é amorável
como a vida que viceja na terra,
mas por baixo de todas as raízes do amor jaz o leito de rocha do orgulho
nu, subterrâneo,
e por baixo deste leito do orgulho acha-se o fogo primordial do meio
que se mantém
conectado ao para sempre incognoscível fogo mais remoto
de todas as coisas
e que se embala com um senso de conexão, religião
treme com um senso de verdade, consciência primordial
e cala com senso de justiça, o imperativo primordial de fogo.

Tudo isso é mais profundo
mais profundo que o amor.

D. H. Lawrence - Ed. Alambra -
Tradução de Leonardo Froés

Exibições: 199

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