Marcello Tupynambá - Pai da Canção Brasileira

 

Marcello Tupynambá (Fernando Álvares Lobo)

 

 * 29/05/1889 - Tietê (SP)
 + 04/07/1953 - São Paulo (SP)

 

 

 

Marcello Tupynambá, (na grafia moderna Marcelo Tupinambá) integra, ao lado dos compositores Chiquinha Gonzaga, Ernesto Nazareth e Pixinguinha, a base sólida de um estilo de composição que marcou a música verdadeiramente nacional.

 

 

 

As músicas de Tupynambá já receberam mais de 200 gravações desde 1913 até hoje, por intérpretes como Pixinguinha, Francisco Alves, Inezita Barroso, Eudóxia de Barros, Guiomar Novaes, e foram reverenciadas por Villa-Lobos, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Guilherme de Almeida, Menotti Del Picchia e Darius Milhaud.

 

 

 

 

 

 

O que exalta a música de Marcello Tupynambá é a linha melódica. Muito pura e variada. O compositor encerra nela a indecisão heterogênea de nossa formação racial... é atualmente entre os nossos melodistas de nome conhecido, o mais original e perfeito”.

 

 

 

 

 

Mário de Andrade foi parceiro de Tupynambá em “Canção marinha”.

 

 

 

“Canção marinha” (Marcello Tupynambá/Mário de Andrade) # Inezita Barroso, 1969.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

"Seria desejável que os músicos brasileiros se dessem conta da importância de seus compositores de tangos, maxixes, sambas e cateretês como Tupynambá e Nazareth. A riqueza rítmica, a fantasia sempre renovada, a verve, o impulso, a prodigiosa invenção melódica que se encontram em cada obra desses dois mestres, fazem desses últimos a glória e a joia da Arte Brasileira".(Darius Milhaud).

 

 

 

 

Sou batuta” (MarcelloTupynambá/José Elói) # Alexandre  Dias (piano). Obs: uma das músicas citadas por Darius Milhaud em seu balé Le Boeuf sur le Toit (1919).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Villa-Lobos, considerado nosso maior compositor, afirmou ter composto uma sinfonia sob inspiração dos temas de Tupynambá, e assim escreveu na dedicatória: “Foi de um tema, de uma parte de tua alma sonora, filha dos trópicos de nosso Brasil, que criei esta sinfonia sertaneja.”

 

 

 

 

 

Segundo o site “Marcello Tupynambá - pai da canção brasileira”- as partituras que compõem sua coleção, em sua maioria, são para canto e piano, piano solo, coro, banda e orquestra. “Uma obra extensa, composta por mais de trezentas partituras para canto e piano (canções) e piano solo, uma dezena de peças para coro e orquestra (operetas), outra dezena de músicas para orquestra sinfônica (bailados e trilha sonora) e ainda algumas composições para instrumento solo e piano (lendas para violino e piano) e outras para coro (motivos folclóricos e música sacra)”.

 

 

 

 

Vamos destacar algumas capas de partituras através de fotos (site citado acima), áudios do IMS (Instituto Moreira Salles), da coleção Memórias Musicais CD 4 (Pixinguinha e o lendário conjunto “Os oito batutas”) e vídeos do site YouTube.

 

 

 

 

 

 

 

 

Tristeza de caboclo” (Marcello Tupynambá/Arlindo Leal) # Mário de Azevedo (piano).

 

 

 

 

 

 

 

 

Flor de maracujá” (Marcello Tupynambá/Amadeu Amaral) # Abigail Maia. Disco Victor (33425B), 1931.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O matuto” (Marcello Tupynambá/Cândido Costa) # Mário Pinheiro. Disco Odeon (121354), 1915 – 1921.

Até a volta” (Marcello Tupynambá) # Os Oito Batutas. Disco Victor (73835B), 1923.

 

 

 

 

 

 

 

 “Balaio” (Marcello Tupynambá/Castello Neto) # Jessy Barbosa/Mário Pessoa e Orquestra Victor. Disco Victor (33219A), 1926.

 

 

 

 

 

O cigano” (Marcello Tupynambá/João do Sul) # Alexandre Dias.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Canção da Guitarra” (Marcello Tupynambá/Aplecina do Carmo) # Inezita Barroso.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Outras composições

 

 

 

 

Até eu” (Marcello Tupynambá) # Os Oito Batutas. Disco Victor (73826B), 1923.

 

 

Cafuné” (Marcello Tupynambá/Hélio Azevedo) # Francisco Alves. Disco Parlophon (1285B), 1928.

 

 

Serenata d' amor” (Marcello Tupynambá/Bento Ribeiro dos Santos Camargo) # Francisco Alves e Hotel Itabuja Orquestra. Disco  Parlophon (12.812B), 1928.

 

 

São Paulo futuro” (Marcello Tupynambá/Dalton Vampré) # Baiano. Disco Odeon (120986), 1912-1915.

 

 

 

 

 

 

Capa da partitura de Xodó (edição uruguaia, 1925).

 

 

 

"Xodó” (Marcello Tupynambá/João Taful) # Ely Camargo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Que sôdade!” (Marcello Tupynambá/Arlindo Leal) # Alexandre Dias.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Gosto de beijo” (Marcello Tupynambá/Afonso Schmidt) # Antônio Mário (piano) e Orquestra.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Canção da saudade” (Marcello Tupynambá/Olegário Mariano) # Roberto Vilmar. Disco Odeon (10142B), 1928.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Capa de Cabocla Apaixonada (aranjo de Antonio Sinópoli para dois violões, edição argentina).

 

 

 

Cabocla apaixonada” (Marcello Tupynambá/Gastão Barroso) # Gastão Fomenti (voz), Rogério Guimarães (violão). Disco Odeon (10057B), 1927.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Viola cantadêra” (Marcello Tupynambá/Arlindo Leal) # O Grupo Passos no Choro. Disco (121516), 1915-1921.

 

 

 

 

 

 

 

 

O passo do soldado” (Marcello Tupynambá/Guilherme de Almeida) # Máximo Puglisi e Orquestra Cruzeiro do Sul. Disco Columbia (8143).

 

 

 

 

 

Maricota sai da chuva” (MarcelloTupynambá/Arlindo Leal) # Inezita Barroso.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O raio de alcance da obra de Marcello Tupynambá (foto/1946) atingiu várias “mídias” da época, a começar pelo Teatro de Revista, onde compôs a música para a revista “São Paulo Futuro”, de Dantas (em outras fontes “Danton”) Vampré, encenada e estrelada pela Companhia Arruda (1914). O rádio se tornaria, a partir de 1924, outro importante veículo de divulgação de sua obra. Na área da sétima arte escreveu trilhas sonoras e, assim como o amigo Ernesto Nazareth, acompanhava, ao piano, as películas do cinema mudo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Como mencionamos no início deste post, as músicas de Marcello Tupynambá receberam mais de 200 gravações desde 1913 até hoje por inúmeros artistas. Mesmo assim uma parte considerável, infelizmente, permanece desconhecida do grande público. Os pesquisadores Alexandre Dias e Marcelo Tupinambá (foto abaixo) apontam como possível causa o difícil acesso, por parte dos músicos/cantores, às partituras.

 

 

 

 

Marcelo Tupinambá Leandro e Alexandre Dias

 

 

 

Na minha opinião a dupla acima, com a criação do excelente site “Marcello Tupynambá - pai da canção brasileira”, presta um valioso serviço em prol da memória musical brasileira, ao tempo em que oferece, no mesmo espaço, informações ao público em geral e aos pesquisadores, que, como agentes de difusão, alargam os horizontes dos leitores.

 

 

 

 

 

Ilustração de Ralfe Braga, encomendada por Alexandre Dias.

 

 

 

A realização deste post foi viabilizada quando descobri o site “Marcello Tupynambá - o pai da canção brasileira”.

 

Os poucos subsídios que tenho em casa sobre o assunto são o texto de Duprat Fiúza (Revista da Música Popular) e os livros “Viva o rebolado”, “Sambistas e chorões”, “A canção no tempo”, “Dicionário Houaiss ilustrado” e “O Boi no Telhado”. Este último, gentilmente presenteado pelo amigo Georges Mirault Pinto, a quem, juntamente com o também amigo Alexandre Dias, dedico este post.

 

 

 

 

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Fontes:

 

LIVROS E REVISTAS

 

1- Dicionário Houaiss Ilustrado (da) Música Popular Brasileira. Supervisão geral; Ricardo Cravo Albin.  Rio de Janeiro: Paracatu, 2006.

 

2- FIUZA, Duprat. “Marcello Tupynambá, traços da vida e da obra do grande compositor popular”, in Revista de Música Popular. Rio de Janeiro, n°9 - set. 1955.

 

3- LAGO, Manoel A. C. do. (Org). O boi no telhado - Darius Milhaud e a música brasileira no modernismo francês. São Paulo: Instituto Moreira Salles. 2012.

 

4- PAIVA, S.C. de. Viva o rebolado! Vida e morte do teatro de revista brasileiro. Rio e Janeiro: Nova Fronteira, 1991.

 

5- RANGEL, Lúcio. Sambistas e Chorões – aspectos e figuras da música popular brasileira. São Paulo: Francisco Alves, 1962. (vol. 6 da Coleção Contrastes e Confrontos).

6- Site YouTube (Canais: "Marcello Tupynambá", "Gilberto Inácio Gonçalves", "BATUQUILIN BRASIL", 1000amigovelho", "luciano hortencio", "canal de amigovelho1000", "Sandor Buys").

 

6- SEVERIANO, Jairo; MELLO e Zuza H. de. A canção no tempo. São Paulo: Ed. 34, 1997, vol.1.

 

SITES:

 

- Marcello Tupynambá - pai da canção brasileira.

 

- Dicionário Cravo Albin da MPB – Verbete "Marcelo Tupinambá”.

 

- Instituto Moreira Salles.

 

 

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Exibições: 765

Comentário de Gregório Macedo em 5 julho 2013 às 4:57

Ouvi cada uma das faixas. O pioneiro Marcello Tupinambá merece todas as homenagens, pois sua obra é, de fato, notabilíssima.

Beijos.

Comentário de lucianohortencio em 5 julho 2013 às 19:09

Amiga Laura,

Obrigado por incluir Abigail Maia nesse excelente Post. Obrigado ainda uma vez por corrigir o parceiro de Marcello Tupinambá em Flor de Maracujá, que eu havia trocado por Oduvaldo Vianna, um dos maridos de Abigail.

Tenho ainda dois arquivos com músicas de Marcello Tupinambá, Viola Cantadêra, com Ely Camargo; Sorriso de Mulher, com Abigail Maia. Oportunamente os postarei como comentários em tão belo Post.

Abraço do luciano

Comentário de Laura Macedo em 5 julho 2013 às 21:26

Amigo Luciano,

Eu e o Marcello Tupynambá agradecemos sua visita, que por sinal, é super bem vinda, sempre.

Hoje recebi, por e-mail, 179 arquivos de áudios com as músicas do Marcello Tupynambá enviadas pelo pesquisador Alexandre Dias. Caso você tenha interesse em editar outras músicas do referido compositor é só mencionar o nome da música que enviarei com todo prazer.

Abraços.

Comentário de Laura Macedo em 5 julho 2013 às 21:28

Gregório,

Sei que você é um dos meus leitores mais assíduos e que curte realmente o post " de cabo a rabo", como se diz aqui no nosso nordeste.

Beijos

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