O que vem a ser a liberdade espiritual? E como podemos conquistá-la? Eu estava louco por espiritualidade, quando me mudei para São Lourenço, em Minas Gerais, eu queria a presença de Deus em sua vida. Mas Deus de verdade. Não era de discursos e rituais que eu sentia falta. Não era de religião que eu sentia falta. Não mesmo! Eu sentia falta era de conhecer Deus, de quem somos descendência e semelhança. Enfim, todos nós saímos de Deus. Eu pretendia me voltar para Deus. Isso foi na década de 70. Mas conhecer Deus não era algo que eu entendia como ler versículos evangélicos. Isso eu já tinha lido muito e entendia como algo superficial. Queria poder dizer a Deus: Muito prazer em conhecê-lo. Sim, eu queria ver Deus com seus dois olhos e ser livre. Não achava que era impossível! Pelo contrário, o conceito de impossível eu entendia como um bloqueio psíquico, uma limitação, um medo de ser autossuficiente. Naquela época, me falaram que Chico Taquara, de São Thomé das Letras, havia alcançado a liberdade plena ainda em vida. Também me falaram que o professor Henrique José de Souza, da Eubiose, era um iluminado. E ouvi falar de Nhá Chica, uma mulher mineira que se iluminou e dedicou toda a sua vida aos necessitados de oração. Enfim, ela foi uma pessoa que orou muito pelos outros. E se esvaziou de si mesma. Ao mesmo tempo, o espírito foi ocupando o espaço vazio dentro da sua alma. Simples assim o processo. Esvaziar-se é a estrada real. Foi então que eu senti que precisava me esvaziar de todos os condicionamentos religiosos. Naquela época, eu construí um atelier e uma pequena capela na cidade de São Lourenço para praticar minhas meditações e para acelerar o processo de esvaziamento do meu ego. E essa capela foi apelidada de Capela Nhá Chica, em homenagem ao voluntariado social dessa mulher aos seus semelhantes. Quando, porém, eu ouvi a história na qual Isabel Maria, na hora da morte, pediu a Nhá Chica para não se casar e "permanecer livre", uma luz acendeu dentro de mim. Essa frase entrou nos meus ouvidos de uma forma diferente. Naquele momento identifiquei que essa seria a estrada real da espiritualidade verdadeira. Parecia que Isabel Maria, a mãe de Nhá Chica, estava ali junto de mim soprando no meu ouvido: seja livre também, Auréllio. Foi um momento mágico. A frase de Isabel Maria ("permanecer livre") ficou ecoando dentro de mim. Foi então que resolvi seguir o conselho de Isabel Maria. Na verdade, descobri que precisava estar livre de tudo o que há no mundo e ter tempo disponível para buscar em mim mesmo a minha semelhança que com Deus, bem como a vida eterna do espírito. Não se alcança a iluminação em grupo. A iluminação é individual. Ela acontece no silêncio de cada um. Além disso, ninguém se ilumina da mesma maneira. A iluminação é como escrever um livro. Cada um vai escrever o seu. Eu já sabia que a liberdade é fundamental para alguém crescer na espiritualidade. Mas, naquele dia, eu ouvi ou entendeu diferente a palavra liberdade. E tomei a firme decisão de ser livre. Tudo que era do mundo perdeu o encanto para mim. Eu precisava de algo novo. Algo que ainda não tivesse sido inventado. Eu estava detestando repetir as frases dos outros. Estava detestando pensar no que os outros já tinham pensado. Não queria mais repetir as citações dos outros. Pouco me importava o que os livros sagrados diziam. E eu nem acreditava em livro sagrado. A não ser que me provassem cientificamente que um livro de papel é sagrado. Papel é feito de árvore. Nenhuma árvore é sagrada. Enfim, eu não queria me sentir um papagaio. Um imitador dos outros. Eu queria algo que saísse de dentro de si e que fosse parecido apenas com minha semelhança com Deus. Eu queria as minhas próprias verdades fundamentadas em realizações pessoais. Verdades que eu poderia provar para mim mesmo. Eu queria o espírito, não religião. Eu queria Deus, não livros. Naquela época, quando tomei conhecimento do que chamo de o Dia do Conselho, cinquenta anos se passaram. Eu aprendi muito. Não sei no que essa minha experiência e maneira de buscar a Deus pode ser útil aos meus semelhantes. Porém gosto de narrá-las para os turistas que visitam São Lourenço e que vão conhecer o meu atelier e a minha capela, onde ele vivo retirado. Quero acrescentar apenas que Isabel Maria, mãe de Nhá Chica, foi uma ex-escrava. Ela viveu em São João Del Rei. Embora analfabeta, foi capaz de dar este conselho: seja livre. O qual foi de muita importância para Nhá Chica, sua filha. É um conselho que serve de orientação para qualquer um. Portanto, querido leitor, a minha mensagem é esta: busque em você mesmo a sua semelhança com Deus que está dentro do seu coração. 
 
***** Por Marco Aurellio Dias

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