Marcus Goes especial: O musicologo, crítico de música e dança e pesquisador Marcus Goes escreve para o Blog de Ópera e Balé

Tosca no São Pedro - vale o esforço, mas...

O empresário Paulo Esper tem ocupado seguidas vezes o hiper-simpático Teatro São Pedro, em São Paulo, com as mais variadas produções de ópera, em muito válida atividade. Paulo é efetivíssimo animador cultural. Isso no entanto não dá voz a cantores, não inspira cenógrafos nem diretores de cena, nem ensina música a quem não sabe.

A “TOSCA” deste último 29 de abril foi uma pífia edição mal ensaiada, com pouca gente sabendo música (muitas entradas fora de tempo, muitas semínimas virando colcheias), alguns comprimários de péssima voz e presença, partes de música executadas internamente quase inaudíveis, como certas partes da “cantata”, e por aí.

“TOSCA” é ópera sem grandes cenas de massa e de visual à la De Mille. Peça de teatro famosa a seu tempo, foi desde o início obra ideal para grandes lances dramáticos, muitas expressões faciais, caras e bocas, símbolos e “coups de théâtre”. Ficaram famosos a cara de Tosca ao ver a faca na mesinha, o fuzilamento de Mario ironicamente aos pés do arcanjo que simboliza “a força de Deus”, as ironias do Sacristão, a submissão meio homossexual de Spoletta, a protagonista se jogando lá de cima do castelo.

O diretor de cena Fernando Bicudo, icônica figura de nosso meio musical e teatral, bem que tentou aquela dramaticidade, vide San Michele Arcangelo todo em vermelho no final, belo golpe teatral. Mas os intérpretes e o palco que lhe deram, como utilizado, não foram motivo nem de satisfação musical nem teatral.

De início, há equívocos insuportáveis nessa “TOSCA”, como o de fazer vir à cena um Scarpia rapaz novo da praia da Ipanema. O Barão Vittelio Scarpia é um “coroa” sátiro, desonesto e safado, e o jovem barítono Rodrigo Esteves não foi nada disso. Sua voz também não ajuda no papel, no qual cabe uma voz de barítono mais pesada, mais sombria, mais maciça.

No entanto, Rodrigo é bom cantor, e seu “la Regina farebbe grazia ad un cadaver“ assim dito à la veneta, com apócope do “e” final em “cadavere” e o seu “ebbene” no ouvidinho de Tosca foram deliciosos.

O tenor Rubens Medina entrou fora de tempo seguidas vezes, foi inexpressivo e começou cantando na base da força, o que é sempre fatal. Acabou a ópera rouco, de voz rascante, não segurando as notas. Seu “difonderem” com o soprano foi penoso, ela querendo segurar, ele cortando logo. Nada operístico. Seu “la vita mi costasse” foi gritado e destoante. Esse tenor arranjou um modo de emissão de agudos muito artificial, o que torna seu canto desigual e por vezes desagradável, como nessa “TOSCA”.

O soprano Ana Paula Brunkow teve atuação de voz e presença absolutamente desiguais, ou seja, muito agradável em certos momentos, como no “Vissi d"arte” bem cantado, e desagradável em outros, como em um terrível “Io quella lama” gritado e estridente. Abusou ela de um canto quase “parlato”, o que tornava por vezes inaudível o que cantava. Aliás, houve várias frases pouco audíveis nessa “TOSCA”, da qual a campeã absoluta foi “Di tutto quanto la vedesti taci o m´uccidi“, dita pelo tenor.

Faltou drama nas relações Tosca/Scarpia, pouco sensuais, nada convincentes. O ódio de Tosca não apareceu bem nem no “muori, dannato”, nem no “ti soffoca Il sangue“. No final, ninguém nunca conseguiu fugir ao ridículo teatral que é Tosca se jogando do alto do Casté Santan"ge, (em bom romano ...). Nem a Bernhardt, nem a Duse, nem a Melato, nem Muzio nem Olivero escaparam do ridículo. Não seria a Brunkow que escaparia. Nem com quinze anos com a Neyde ... (isso tudo? excusez du peu ...). Outra coisa, prezada Ana Paula: Donato Renzetti NÃO É um dos maiores “maestros” da Europa.

A regente Lígia Amadio não foi a culpada de nada de ruim que aconteceu, fazendo uma inacreditável ginástica para compensar erros de música dos cantores e dos pequenos coros. O baixo Abumrad deu muita dignidade à sua personagem de Angelotti. Sempre útil e eficiente esse nobre cantor. Tadinho, o programa o deu como Don Basilio. Meno male, que traz à memória um de seus mais conhecidos papéis.

Um ensinamento não grátis à turma que redigiu o programa: se o desejado é escrever “Lied” no plural em alemão, o certo é Lieder e não um tenebroso Lieds. Favor mandar uma nota de um real autografada por Enrico Caruso ... Se preferirem, uma gravação de “NESSUN DORMA” com o mesmo tenor... Paulo, cuidado com essas coisas, senão parece ópera do circo Piolim.

Minha linda e gentil companheira de óperas e concertos ficou horrorizada, e jurou nunca mais cantar MONDNACHT, que canta como uma deusa. “LIEDS” ela não cantará nunca mais. Schumann nos seus duzentos anos está chorando lá no meio dos salgueiros de Düsseldorf...

Para um final curioso a estes escritos, uma tradicional expressão de gíria argentina: quando uma mulher se promete a um galanteador qualquer e depois não cumpre a palavra, dizem os portenhos que ela “se cantó la Tosca” ... Esses “hermanos” ...

MARCUS GÓES – TOSCA/ TEATRO SÃO PEDRO –SP /29/04/2010

fonte : movimento.com

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Comentário de Ana Paula Brunkow em 29 maio 2010 às 23:56
Entendi vcs são amigos, Marcus Góes é um tipo odiado no meio artistico por todos que sabem que ela n diz coisa com coisa n só para mim, como para tantos artistas, minha resposta a ele, já foi dada diretamente, pois n escondo meu rosto e n sou de falar pelas costas, é outro que pensa saber tanto, e que só sabe massacrar o artista que tanto se esforça num trabalho, quer perfeição mas n possui nem titulos nem fundamentos para tal, apenas está ali para se fazer notar tb de alguma forma, um tipo que fala em frances com tons um tanto sarcasticos e chama uma cantora de riducula n merece nenhum respeito e nenhuma consideracáo da cultura em geral de sp, todos falam mal dele, mas ninguém tem a coragem de dizer de verdade o sentem, eu n tenho medo e com certeza um dia vamos nos olhar cara a cara, e poderei dizer isto pessoalmente, sou uma pessoa educada, n ofendo as pessoas de graça, me defendo pois n acho justo uma pessoa detonar um trabalho e dizer que meus 15 anos de estudo é pura desculpa ! Sr Goes, DESCULPA DO QUE??????, és meio pazzo? eu n preciso dar desculpas de nada, n sabe nem ao menos quem é Maestro REnzetti? que belo critico é este, que pensa ser grande tanto como sr Ali, bela dupla, com certeza se encontrar para tomar una birra e falar mal de todo mundo, é eu sei./.. heheh, sejam e continuem assim, a frustraçao realmente de n poder ser feliz e realizado n é minha, sou e sempre serei, pois tenho mto ainda para dar ao público, e enfrentarei vcs e criticos que queiram detonar meu trabalho e tb de meus colegas os quais são merecedores de toda minha admiraçao, sem puxa saquismo para ter uma boa critica em jornais, enfim..falem bem, falem mal mas falem de nós, somos sempre mais fortes em todos os sentidos e o universo sempre nos traz coisas boas, pois somos de alma limpa ali, nus mostrando nosso trabalho para o público que aplaude de pé, e sempre me recepciona com mto carinho e com tudo que eu dou a eles no palco, o meu amor pela arte de cantar opera, aprendam vcs tb a cantar para poder estar ali, e ai sim poder criticar e falar mal...boa sorte...em suas vidas vazias!!!

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