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Medicina preventiva estimula qualidade de vida

ANDRE INOHARA
Da Redação - ADV


Cuidar da própria saúde, além de aumentar a qualidade de vida, ajuda a diminuir a incidência de internações e desonera os gastos com tratamentos corretivos. É por isso que tanto as operadoras como as administradoras de benefícios têm investido cada vez mais em medicina preventiva junto aos seus segurados, com programas de prevenção que vão de doenças crônicas (diabetes e cardiovasculares) até obesidade.

No futuro, pessoas que praticam alguma atividade física poderão ser beneficiadas com descontos nas mensalidades, apontam especialistas, mas um deles ressalta que para que essa tendência se concretize, será preciso alterações no ambiente regulatório.

“Quando se fala em prevenção, fala-se da principal ferramenta de gestão do negócio. Saúde é igual a custos menores”, diz Cristiano Lacerda, sócio-diretor da administradora de benefícios Torres Associados. “Para que a operadora possa ter apólice saudável e custos mais baixos, nunca foi tão importante cuidar da saúde das pessoas”, comenta.

Os programas de prevenção mais comuns são voltados às doenças crônicas, mas já há ampliação de campanhas de ergonomia (adaptação das condições de trabalho ao indivíduo) e obesidade infantil, e o público principal ainda são os segurados de planos coletivos empresariais. “Se a doença for detectada precocemente é bom para o cliente, pois no começo a chance de cura é maior. Se ela for crônica, terá menos complicações”, disse a gerente de medicina preventiva da Unimed Paulistana, Lilian Soares.

Todas as idades

“Começamos com programas de doenças cardiovasculares e diabetes, os que mais causam impacto de qualidade e no custo de assistência médica”, conta Cláudio Tafla, gerente médico da Amilpar (a holding que controla as operadoras Amil e Medial Saúde). “Depois estendemos os programas preventivos para a oncologia, como os de câncer de próstata e mama”.

Um deles, o Programa Amil de Qualidade de Vida (PAQV), de saúde preventiva nas empresas conveniadas estabelecido em 2001, tem mais de 190 mil segurados. Tafla disse que os programas de prevenção da Amil têm aumentado, mas não disse quanto a empresa investe nesse segmento nem o quanto representa no faturamento.

A medicina preventiva não busca tratar apenas a população mais suscetível a doenças crônicas, que normalmente estão entre os de faixa etária mais avançada. Ela também atinge as faixas mais novas, onde se busca fazer o trabalho de formação de hábitos saudáveis, como o da boa alimentação.
“Temos que investir pesado e cada vez mais nas crianças. Elas vão ser os idosos de amanhã”, afirma Lílian Soares, da Unimed Paulistana. “Hoje já existe um alto índice de obesidade infantil no Brasil, mas que não chega ao absurdo dos EUA. E temos que dar estímulos para que os adultos saiam do sedentarismo”.

O mapeamento de saúde dos funcionários é uma etapa essencial para o planejamento dos programas preventivos. Uma empresa precisa saber com precisão quantos de seus funcionários são os mais sensíveis às doenças crônicas, e quem são os saudáveis. “Os saudáveis precisam ter programa de prevenção da saúde e os crônicos têm que ser monitorados com check-up anual”, assinala Lacerda, da Torres & Associados.

Longo prazo

Lacerda observa que um plano preventivo de sucesso depende da estabilidade no ambiente de trabalho. “Se minha empresa tiver um turnover (rotatividade) elevado, terei 100% das pessoas usando o plano”, referindo-se à expectativa de os funcionários se desligarem logo, e que por isso usariam excessivamente os benefícios do plano de saúde. “Mas se ela tiver políticas de retenção de funcionários, vai poder contar com um empregado por 3 ou 4 anos”, continua.

No futuro, uma pessoa com o hábito de se exercitar freqüentemente poderá receber uma avaliação positiva das operadoras, e assim contratar uma apólice com desconto. “Há grandes chances de uma operadora diferenciar o prêmio de pessoas sedentárias e não sedentárias”, observa Lílian Soares, da Unimed Paulistana.

“Nos EUA isso já acontece, mas aqui temos um fato impeditivo que é a lei”, acrescenta Cláudio Tafla, da Amil. “Não podemos discriminar beneficiários. Se ele nos procurar, obeso ou não, o critério de cálculo de prêmio que usamos é o de faixa etária, sexo ou massa corporal”. Para ele, o incentivo a uma vida saudável será refletida no valor das apólices. “Com certeza isso vai ser o futuro. As pessoas vão ser mais co-responsáveis pela própria saúde, sem depender tanto dos planos”.

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