Lina Pesce (Magdalena Pesce Vitale)


* 26/1/1926 - São Paulo (SP)
+ 30/6/1995 - São Paulo (SP)

Filha do maestro italiano Giacomo Pesce, a menina Lina Pesce cresceu num meio em que só se falava em bemóis e sustenidos, cercados pelos músicos da sinfônica dirigida pelo pai. Cresceu, também, ouvindo a mãe tocar piano e cantar. Resultado: seu DNA artístico não demorou a revelar-se. Com nove anos, teve sua primeira música impressa - “Quantas vezes”.

Mas foi o aparecimento do pianista Alexandre Brailowsky (foto acima), na capital paulista que deixou a adolescente de 13 anos extasiada. “Aquilo sim era música!”. Comprou todos os discos disponíveis e passou a estudar e escutar, cada vez mais comovida, o grande intérprete de Chopin.

O pai e maestro Giacomo Pesce, no papel de professor, era um entusiasta e um incentivador da carreira da filha. Aí aconteceu o noivado, aos 15 anos de idade (normal para os padrões da época), e era uma vez uma concertista...

 

 


 

 

O felizardo foi Vicente Vitale, o maior editor musical da época. Casada, Lina, mudou-se para o Rio de Janeiro, passando a dedicar-se unicamente à composição, estudando com o mundialmente famoso professor Tomaz Teran (foto acima), de quem Tom Jobim, também, foi aluno.


 

Lina Pesce e Ethel Smith

Sua composição de maior sucesso foi sem dúvida o choro - “Bem-te-vi atrevido”. Quando a mundialmente famosa organista norte americana Ethel Smith realizou uma temporada, no nosso país, no Cassino Copacabana, ficou encantada com a composição de Lina Pesce, gravando-a e incluindo-a na trilha sonora de um filme de Hollywood, "Dupla Ilusão" ("Twice Blessed", no título original).

Lero lero” (Benedito Lacerda/Erastótenes Frazão) e “Bem-te-vi atrevido” (Lina Pesce) # Ethel Smith. (Cenas do filme citado acima).

“Bem-te-vi atrevido” foi gravado em vários países, como Argentina, Inglaterra, França, Itália. No Brasil, na época do lançamento, foi interpretado por Carolina Cardoso de Menezes, Altamiro Carrilho, Sivuca, Irani Pinto, entre outros. A nova geração do “choro” prestigia bastante este choro de Lina Pesce. Na minha cidade de Teresina (PI) existe um grupo de choro intitulado - “Bem-te-vi atrevido”, formado de jovens músicos (foto acima).

 

O escritor/jornalista Lúcio Rangel no seu livro, “Sambistas e Chorões”, dedicou um capítulo a Lina Pesce. Destaquei alguns fragmentos do referido capítulo.

- Considera-se inteiramente realizada como compositora?

- Na música popular sim. Creio que alcancei o que um compositor almeja. Claro que não vou parar. Quero apenas que minha música seja conhecida. Minhas composições recentemente gravadas são, muitas vezes, de dez anos atrás. Tenho confiança em mim, pretendo fazer coisas mais sérias...

Respondendo a uma pergunta indiscreta, Lina Pesce diz com vivacidade:

- O “bem-te-vi atrevido” rendeu bastante. Apesar de ser casada com o editor, dou a ele a percentagem e praxe.

- Que intérprete escolheria para suas músicas?

- Cada artista interpreta de uma forma, desde que seja realmente artista. Gosto de Elizeth Cardoso, principalmente. Morgana, no entanto, cantou admiravelmente o “Era uma vez”.

Onde estará meu amor” (Lina Pesce) # Elizeth Cardoso.

Era uma vez” (Lina Pesce) # Morgana.

Lúcio Rangel afirma: - Seu LP “Inspiração”, recentemente lançado, foi recebido entusiasticamente por toda crítica especializada.

- Não esperava, embora tivesse confiança no meu trabalho, que a imprensa recebesse tão bem essa primeira reunião de minhas músicas. Os diversos números foram orquestrados por diversos maestros, dando oportunidade a vários instrumentos solistas, principalmente ao violino excelente de Irany Pinto, que toca com muita expressão, sentindo a minha música.

Finalizando Lúcio Rangel relata que Lina Pesce senta-se ao piano e desfila magnificamente suas composições comovendo e encantando seus três ouvintes do momento: “eu, ela e o marido.

O Brasil precisa conhecer melhor a obra musical da grande compositora/pianista Lina Pesce.

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Fontes:

 

- Dicionário Cravo Albin da MPB (verbete Lina Pesce).

- Sambistas e Chorões, de Lúcio Rangel. São Paulo: Ed. Paulo de Azevedo Ltda, 1962.

- Site YouTube (Vídeos).

- Site #Radinha (Áudios)

- Fotos Google e do meu acervo pessoal.

 

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Exibições: 810

Comentário de lucianohortencio em 27 janeiro 2014 às 8:10

Comentário de lucianohortencio em 27 janeiro 2014 às 8:16

Comentário de Laura Macedo em 27 janeiro 2014 às 11:17

Amigo Luciano,

Eu tinha separado seu vídeo com a música "Nair" (Lina Pesce) para colocar no post. Na hora da montagem (aqui no PLN) ele acabou não entrando. Que bom que você trouxe não só o Urbano Medeiros mas, também, o Altamiro e Niquinho.

Abraços.

Comentário de lucianohortencio em 4 abril 2014 às 21:51

Comentário de lucianohortencio em 4 abril 2014 às 21:52

Comentário de lucianohortencio em 4 abril 2014 às 21:53

Comentário de lucianohortencio em 4 abril 2014 às 21:55

Amiga Laura,

Quem não pode perder a oportunidade sou eu.

Anexei os três vídeos novos com composições da grande compositora Lina Pesce.

Obrigado por tudo e receba um forte abraço do luciano!

Comentário de Laura Macedo em 4 abril 2014 às 22:27

Amigo Luciano.

Fico super feliz quando você aparece. Grata pelos novos vídeos e parabéns pelo vídeo de nº 3.000.

A música "Onde estará meu amor" é belíssima, principalmente com a Dolores Duran, não é mesmo?

Abraços da amiga de sempre, Laura.

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