Alberto Ribeiro


* 27/8/1902 - Rio de Janeiro (RJ)
+ 10/11/1971 - Rio de Janeiro (RJ)

 

 

 

Carioca nascido no bairro Cidade Nova foi criado no Estácio, área considerada como berço do samba. Compôs com grandes nomes da MPB a exemplo de Roberto Martins, Antônio Almeida, José Maria de Abreu, Radamés Gnattali, Lamartine Babo, Alcyr Pires Vermelho, Ataulfo Alves, Mário Lago, Wilson Batista e João de Barro, o Braguinha com quem formou uma célebre parceria musical e de amizade.

 

 

 

Em 1930, Alberto Ribeiro, organizou um conjunto chamado “Grupo dos Enfezados”. Além de Alberto (cantor), faziam parte o maestro Sátrio de Melo (violão), Nelson Boina (cavaquinho) e Mesquita (violão).

 

 

 

O grande sucesso de Alberto Ribeiro apareceria em 1934: “Tipo sete”. - “Ganhei o concurso da Prefeitura com o Nássara. Nós fizemos juntos, letra e música. Em geral as minhas parcerias não são divididas. Eu faço música e letra, e em geral o mesmo acontece com meus parceiros - João de Barro, Nássara, todos eles”.

 

 

 

Tipo sete” (Alberto Ribeiro/Nássara) # Francisco Alves. Disco Odeon (11090A), 1934.

 

 

 

 

 

 

 

 

Alberto Ribeiro , em 1935, foi apresentado a Braguinha pelo editor Mangione, que os convidou para fazer a trilha sonora do filme "Alô, alô Brasil!", de Wallace Downey.

 

Eu e o Braguinha fizemos conhecimento naquela hora e fomos para o Café Papagaio, fazer logo a primeira música. Naquela época todo mundo falava em ‘lua’. Era ‘lua’ pra cá ‘lua’” pra lá. Nós estávamos ouvindo um negócio sobre ‘lua’ na loja Melodia quando dissemos: ‘Deixa a lua sossegada’. E saiu a primeira música da parceria”.

 

 

 

 

Deixa a lua sossegada” (Alberto Ribeiro/Braguinha) # Almirante. Disco Victor (33822B), 1935

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Alberto Ribeiro (1902-1971) e João de Barro, o Braguinha (1907-2006)

 

 

Confiram outros sucessos da dupla.

 

 

 

 

 

Seu Libório” (Alberto Ribeiro/Braguinha) # Vassourinha. Disco Columbia (55295A), 1941.

 

 

 

 

 

 

 

 

Yes! Nós temos banana” (Alberto Ribeiro/Braguinha) # Almirante. Disco Odeon (11550A), 1938.

 

 

 

 

 

 

 

 

Balancê” (Alberto Ribeiro/Braguinha) # Gal Costa no Show Tropical Montreux, 1980.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Composições de Alberto Ribeiro

 

 

 

Coração” (Alberto Ribeiro) # Paulinho da Viola.

 

 

 

 

 

 

 

 

Cachorro vira-lata” (Alberto Ribeiro) # Carmen Miranda. Disco Odeon (11482A), 1937.

 

 

 

 

 

 

 

 

Barbeiro de Sevilha” (Alberto Ribeiro) # Aurora Miranda. Disco Victor (34390A), 1938.

 

 

 

 

 

 

 

 

Sonho de papel” (Alberto Ribeiro) # Carmen Miranda. Disco Odeon (11228A), 1935.

 

 

 

 

 

 

 

 

As armas e os Barões” (Alberto Ribeiro) # Maria Alcina.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Alberto Ribeiro foi um grande defensor/lutador em prol dos direitos autorais. Numa atitude de rebeldia contra a SBAT (Sociedade Brasileira de Autores Teatrais), que controlava também os direitos autorais dos compositores, ele, juntamente, com Oswaldo Santiago, Braguinha e Vicente Celestino fundaram a ABCA (Associação Brasileira de Compositores e Autores).

 

 

 

Mas a SBAT era poderosíssima e nós, paupérrimos. De maneira que um grupo de compositores que ficou lá fez um departamento musical. E nós do lado de cá. A luta foi tão grande que a dualidade começou a criar problemas. Da ABCA nasceu enfim a UBC (União Brasileira de Compositores)”. [Alberto Ribeiro foi presidente por dez anos].

 

Eu fazia muita paródia na hora das brigas: fui um parodista terrível. Tão terrível que tudo que aparecia de mal diziam que era meu. Na ocasião havia a ditadura de Vargas. Confesso que naquela época fiz muita coisa contra a ditadura de 1937. E essa música de protesto começou comigo”.

 

 

 

 

Segundo o pesquisador José Ramos Tinhorão, é o primeiro disco brasileiro do gênero “protesto”.

 

 

 

“Aviso aos navegantes” é um LP de protesto, com contracapa escrita por Orestes Barbosa. Ninguém teve coragem de gravar as 16 faixas, todos de cunho político e social. Resultado: Alberto Ribeiro, autor das letras e melodias foi obrigado a colocar sua voz no disco.

 

 

 

São músicas de 1937 a 1940, anos em que ele foi preso várias vezes pela polícia do Estado Novo. O LP só saiu em 1956, pelo selo Continental.

 

 

 

 

 

 

 

 

Encontrei algumas das 16 faixas no acervo do IMS. Ouça abaixo, clicando no nome da música.

Infelizmente os links para audição das músicas abaixo foram desabilitados. Acessando o link a seguir, para ouvir trechos das composições -  "Latifúndio" e "Agapito". AQUI.

 

 

 

Agapito” (Alberto Ribeiro) # Alberto Ribeiro. Disco Continental (data indefinida).

 

 

 

Terra de doutores” (Alberto Ribeiro) # Alberto Ribeiro. Disco Continental (data indefinida).

 

 

 

Estradeiros” (Alberto Ribeiro) # Alberto Ribeiro. Disco Continental (data não identificada).

 

 

 

Peixe caro” (Alberto Ribeiro) # Alberto Ribeiro. Disco Continental (data não identificada).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Recentemente a Rádio Batuta do IMS (Instituto Moreira Salles), no programa 'Música e História', destacou o referido LP fazendo uma interessante analogia com as atuais manifestações de rua no nosso país. As letras de protesto de Alberto Ribeiro, hoje, podem até parecerem ingênuas, mas, à época, elas tiveram o papel importante de colocar o dedo na ferida dos problemas que afligiam a população brasileira.

 

 

 

 

 

 

Alberto Ribeiro considerava “Touradas em Madri”, “Copacabana” e “Chiquita bacana” - três parcerias com Braguinha, seus maiores sucessos. Para ele, sucesso era projeção internacional, e essas músicas foram gravadas também por orquestras e cantores estrangeiros.

 

 

 

Touradas em Madri” (Alberto Ribeiro/Braguinha) # Almirante. Disco Odeon (11550B), 1937/1938.

 

 

 

 

 

 

 

 

Copacabana” (Alberto Ribeiro/Braguinha) # D*** Farney. Disco Continental (15663A), 1946.

 

 

 

 

 

 

 

 

Chiquita bacana” (Alberto Ribeiro/Braguinha) # Emilinha Borba, 1949.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A obra artística em qualquer área é imortal, permanece para sempre. A prova disso são as músicas de Alberto Ribeiro que, se vivo, estaria completando 111 anos em 2013.

 

Se estiver num baile carnavalesco ouço/danço ao som dos sucessos de Alberto Ribeiro; num baile romântico “Copacabana” não pode faltar; nas Festas Juninas com certeza vou ouvir “O balão vai subindo” / “Capelinha de melão” e por aí vai...

 

Para que a perenidade da obra artística ocorra é necessário sua constante divulgação afim de que não caia no esquecimento e as novas gerações possam usufruir das produções artísticas das gerações anteriores, preservando-as.

 

 

 

 

 

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Fontes:

- Almanaque do carnaval: a história do carnaval, o que ouvir, o que ler, onde curtir, de André Diniz. – Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2008.

- Nova História da MPB - João e Barro e Alberto Ribeiro - Editora Abril, 1977.

Sites:

- Dicionário Cravo Albin da MPB.

- #Radinha.

- YouTube.

- Instituto Moreira Salles.

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Comentário de Anarquista Lúcida em 5 setembro 2013 às 22:12

Maravilha de tópico, Laura, como quase todos os seus. E o comentário final é básico. Na minha geraçao conhecíamos as músicas de nosso tempo, as do tempo de nossos pais e a dos tempos de nossos avós. Agora cortou-se a corrente de transmissao, e o que mais se ouve é música enlatada. 

Comentário de Anarquista Lúcida em 5 setembro 2013 às 22:28

Laura, nao deu para ouvir as músicas do IMS, baixei o software que eles exigiram, mas nao funcionou. O que é para fazer? 

Comentário de Laura Macedo em 6 setembro 2013 às 2:53

AnaLu, grata pelo comentário com o qual concordo plenamente. Por isso não me canso de divulgar nossos artistas, aliás é um prazer fazê-lo.

Reproduzo aqui o comentário que fiz lá no LNO.

"Querida amiga, acabei de testar e todos os links do IMS ("Agapito"/ "Terra de doutores" / "Estradeiros" e "Peixe caro")  estão abrindo normalmente. Pena que você não consegui abrir os arquivos. E pena, também, eu não saber orientá-la. Na parte tecnológica deixo bastante a desejar (rsrsrsrsrsr). Mas você pode ir diretamente no site do IMS (aqui). Na seção MÚSICA clique em "Buscar no acervo" e, quando a nova página abrir, clique em "aqui". Chegando na página de pesquisa digite o nome da música, marque o quadrinho "música" e em seguida clique em "Buscar". Tomara que você consiga. Beijos saudosos".

Amiga, como mencionei sou fraquíssima na parte tecnológica :((

Beijos.

Comentário de Anarquista Lúcida em 6 setembro 2013 às 3:40

Eu fui burra, Laura, baixei o programa mas nao instalei. Nao funcionou, claro. Já consegui, obrigadíssima. 

Comentário de Laura Macedo em 6 setembro 2013 às 11:19

AnaLu, eu que agradeço seu empenho em tentar ouvir as músicas do Alberto Ribeiro. Valeu!

Comentário de Anarquista Lúcida em 6 setembro 2013 às 20:35

A maioria das músicas eu conhecia, mas como do Braguinha. Foi bom saber o nome do outro autor. 

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