Eduardo Nadruz Nascimento (Edu da Gaita)
* 13/10/1916 - Jaguarão (RS)
+ 23/8/1982 - Rio de Janeiro (RJ)

Gaitista / Compositor

 


Como ele mesmo dizia, era um músico que teve o descuido de tocar um instrumento sem cátedra. Nunca teve professor, nem de gaita nem de teoria musical.

 

Na sua primeira carteira de trabalho, número 70.748, série 27, está escrito: "músico excêntrico". O Ministério do Trabalho sequer reconhecia a gaita como um instrumento musical e, à falta de uma classificação oficial, ficou marcado na carteira de Edu a dificuldade que teria pela frente.

 

Morou nas cidades de Pelotas, São Paulo e Rio de Janeiro onde chegou, em 1934, para tentar a sorte. Esta se deu via Silvio Caldas que o levou para a Rádio Mayrink Veiga, onde o locutor Cesar Alencar batizou-o de Edu da Gaita.

 

Em 1956, realizou a façanha de tocar o “Moto Perpétuo” – obra criada para violino pelo compositor italiano Nicolò Paganini – com 2400 notas tocadas por minuto, fato que assombrou Villa-Lobos e fez Radamés Gnattali criar, especialmente para Edu o "Concerto para Gaita de Boca e Orquestra”.

Foto com dedicatória jocosa a Edu.


De 1937 a 1959 gravou vários discos em 78 rpm, dos quais vamos destacar alguns.

 

 

 


"NOTURNO Nº 2"


Composição de Frederic Chopin, gravada por Eduardo Nadruz, o Edu da Gaita, no álbum "Uma Gaita Para Milhões" (1959). Temos em seu repertório desde Jean Wiener, Chopin e Dvorak à Luiz Bonfá, Bororó e João Gilberto. No álbum, Edu da Gaita vem acompanhado de orquestra de Severino Filho e coro.

 

 

 

"MANHÃ DE CARNAVAL" (Luiz Bonfá / Antônio Maria)

 

 

 

 


"FANTASIA BRASILEIRA"

Pout-pourri gravado por Edu da Gaita no álbum 'Ontem e Hoje' (1965). Arranjo e direção musical de Alexandre Gnattalli.

 

 

 

 

"FANTASIA ESPANHOLA"

 

 

 

 

 

"TENEBROSO"


Composição de Ernesto Nazareth, gravada por Edu da Gaita no álbum “Edu da Gaita vol. 1” (1979). Produzido por Aluízio Falcão, com arranjo de Leo Peracchi.

 

 

 

"ROSA" (Pixinguinha)

 

 

 

 



"A música foi a razão da minha vida".

 


Essas foram,literalmente suas últimas palavras, ditas na manhã de 22 de agosto de 1982, após uma homenagem proporcionada por seu filho (Eduardo), esposa (Hercília) e alguns poucos amigos, que reproduziram num pequeno gravador o "Moto Perpétuo", de Paganini. Aplaudindo, o artista ainda teve forças para agradecer. Em 23 de agosto, falecia Eduardo Nadruz o Edu da Gaita, um dos maiores músicos que o Brasil já teve.

 

O “músico excêntrico” conseguiu vencer os preconceitos contra as origens de seu pequeno instrumento e firmar-se com um grande nome da música brasileira, independentemente de gênero, como podemos constatar nas suas interpretações acima.

 

O resgate da sua obra é de fundamental importância às novas gerações.

 

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Saiba mais nas fontes pesquisadas:

- Músicos do Brasil – Uma Enciclopédia Musical

-Site Oficial Edu da Gaita

- Um sopro de Brasil, de Myriam Taubkin (Org.). São Paulo, Projeto Memória Brasileira, 2005.

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Exibições: 894

Comentário de Alexandre César Weber em 11 outubro 2013 às 0:26

Resgate importante da memória musical brasileira, tão autentica e própria, o Edu é um intérprete primoroso.

Comentário de Laura Macedo em 11 outubro 2013 às 0:55

Alexandre, grata por registrar sua opinião.

O amigo Luciano Hortencio publicou hoje (10/10/2013) um ótimo post sobre o Edu da Gaita. Deixo o link aqui.

Abraços.

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