*16/07/1920 Rio de Janeiro - (RJ)
+07/05/1990 Rio de Janeiro - (RJ)

 

 

 

Elizeth Cardoso estaria completando hoje - 16 de julho de 2012 – 92 anos. Vou homenageá-la com uma crônica de Vinícius de Moraes, escrita em 12 de julho de 1953, intitulada - A Grande Elizeth.

 

 

 

Elizeth Cardoso me pegou de surpresa, a primeira vez, quando de minha chegada dos Estados Unidos, em fins de 1950, com sua magistral interpretação de “Canção de Amor”, um samba com uma linda melodia e uma letra fraca, mas que, na voz dessa grande dama da música popular brasileira, conseguiu me revirar completamente...

 

 

Saudade torrente de paixão

Emoção diferente

Que aniquila a vida da gente

Uma dor que não sei de onde vem...

 

 

Canção de amor” (Elano de Paula/Chocolate) # Elizeth Cardoso/Zimbo Trio (ao vivo), 1968.

 

 

 

A verdade é que Elizeth dava uma aula de canto no disco em questão, e eu me pus a ouvi-la furiosamente dezenas de vezes por dia. A música me fazia sofrer, me colocava num espaço diferente no mundo, me abraçava como uma mulher – sei lá.

 

 

 

 

Foi daí que comecei a seguir a carreira de Elizeth, hoje uma boa amiga. Ela cantou depois uma duas ou três apenas razoáveis, e eu comecei a perguntar-me por que é que não davam a ela músicas à altura do seu talento vocal – uma voz rara entre nossas intérpretes, pois une as qualidades de uma boa voz erudita às de uma gostosa voz popular.

 

 

 

No ano passado encontrei Elizeth em Paris, onde tinha ido o falado baile do gracioso Jacques Fath. Uma tarde, nós pegamos Ademilde Fonseca e ela, e fomos comer ‘paella” valenciana no famoso “Maitena” - um restaurante de tradição, no Boulevard St. Germain. Quase não havia ninguém, e ficamos por ali, comendo o nosso arroz e traçando um vinhozinho, até que deu saudades da Pátria Amada e as duas morenas puseram-se a cantar só para nós.E foi aquele cantar e aquele chorar sem conta. Uma beleza.

 

 

Hoje deram finalmente a Elizeth – uma mulher bonita, charmosa e elegante – e à sua voz o lugar que merecem. Carlos Machado e Paulinho Soledade tiveram um bom gosto de colocá-la em posição de destaque no seu novo show do Casablanca – e Elizeth brilha muito, pois quando ela canta sua voz larga uma porção de estrelinhas no espaço em torno.

 

 

 

Elizeth Cardoso na Boate Casablanca

 

 

 

 

Elizeth Cardoso trabalhou em várias profissões (comércio, indústria, salão de beleza...) antes de ser levada por Jacob do Bandolim, na década de 1930, para a Rádio Guanabara. Ao longo de sua carreira, gravou mais de 40 LPs no Brasil e outros no exterior tornando-se uma das maiores cantoras brasileiras de todos os tempos. Sua classe, distinção e porte de grande dama se faziam presentes em qualquer ambiente. Não foi a toa que ganhou o apelido de A Divina.

 

 

 

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Fonte:

- Vinicius de Moraes - Samba Falado (crônicas musicais), de Miguel Jost, Sérgio Cohn e Simone Campos (Org.). - Rio de Janeiro: Ed. Beco do Azougue, 2008.

- Site #Radinha

 

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Comentário de lucianohortencio em 18 julho 2012 às 2:11
Só vi o POST agora no facebook. Saiu ontem no Blog? Eu perdendo uma boquinha dessas é um crime de Lesa Laura Macedo... Lindo Post, como sempre. Abraços do luciano.
Comentário de Laura Macedo em 18 julho 2012 às 2:56

Luciano, primeiro pensei em colocar só a foto (por sinal belíssima) da Elizeth no Facebook, mas depois que li a crônica do Vinicius de Moraes e localizei o audio da música citada por ele, resolvi fazer mais um post da série Memória MPB. Fiquei satisfeita com o resultado :)) Não coloquei no Brasilianas pois terminei tarde, depois de um dia muito corrido.

Grande abraço.

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