Memória MPB - Tute (Artur de Souza Nascimento)

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Artur de Souza Nascimento - Tute
* 01/7/1886 - Rio de Janeiro
+ 15/6/1957* - Rio de Janeiro

 

Violonista de seis e sete cordas. Bandolinista. Banjoista. Executante de bombo e pratos. Na foto acima com Pixinguinha 


Inicialmente fez parte da Banda do Corpo de Bombeiros como bombeiro (tocador de bombo) e como pratista (tocador de pratos).

Mais tarde, como violonista, integrou a orquestra do Teatro Rio Branco, dirigida por Paulino Sacramento. Na ausência eventual de Antônio Maria Passos, flautista efetivo dessa orquestra, propôs como substituto o flautista Pixinguinha, então com 15 anos, que iniciou, assim, sua carreira de profissional.

Foi violonista de vários conjuntos, entre os quais o Grupo Chiquinha Gonzaga, o Grupo da Velha Guarda, Os Cinco Companheiros, Gente Boa, a Orquestra Copacabana (tocando banjo), a Orquestra Victor Brasileira.

De 1929 a 1945, foi companheiro de Luperce Miranda (bandolim) na Rádio Mayrink Veiga e Rádio Nacional, do Rio de Janeiro, que o chamava de violonista “pé-de-boi”, ou seja, aquele que deixava qualquer solista seguro.Também com Luperce, acompanhou Carmen Miranda, Francisco Alves, Mário Reis e um casal de bailarinos a Buenos Aires, Argentina, em 1931.

Foi introdutor, nos conjuntos de choro e nos conjuntos regionais de que fazia parte, do violão de sete cordas, com a sétima corda afinada em dó, que anos depois seria adotado pelo talentoso Dino 7 Cordas (foto abaixo).




“O falecido violonista Artur do Nascimento, o Tute, foi o primeiro que eu vi tocar um sete cordas. Eu ficava fascinado com o som daquelas baixarias, mas achava impossível vir a tocar um.

Tute tocava com Pixinguinha, na antiga Rádio Mayrink Veiga, e, com sua morte, resolvi experimentar o instrumento. Encontrei um violão idêntico ao seu e iniciei um auto aprendizado.

Levei uns três meses e, por fim, consegui domá-lo. A vontade e tocar um sete cordas nasceu, também, da necessidade de florear o acompanhamento do choro nos fraseados mais leves” (Depoimento de Dino 7 Cordas a Roberto Moura. Cf. Roberto Moura, MPB em sete cordas, Lira Carioca, 2004).





Tute participou de inúmeras gravações históricas para a MPB, acompanhando com seu 7 cordas grandes nomes como Francisco Alves, Orlando Silva, Luperce Miranda, Luiz Americano.


Ouça abaixo algumas composições com a participação de Tute.

 

 

"Assim mesmo" (Luiz Americano) # Luiz Americano [participação de Tute]. Disco Odeon (10902-B), 1932.

Dançando com lágrimas nos olhos” (Joe Burke/Lamartine Babo [letra]) # Francisco Alves (voz) / Tute (violão) / Luperce Miranda (bandolim). Disco Odeon (10825-A), 1931.

Inspiração” (Laurindo Almeida) # Gastão Bueno Lobo (guitarra havaiana)/Laurindo Almeida/Tute nos acompanhamentos. Disco Odeon (11649-B), 1938.

É o que há” (Luiz Americano) # Luperce Miranda e Tute nos acompanhamentos. Disco Odeon (10797-A), 1931.

A origem do violão de 7 cordas é discutida. Segundo Maurício Carrilho alguns citam ciganos russos como os responsáveis por sua chegada ao Brasil, o que ainda não foi comprovado por nenhum historiador.

O fato é que foi a partir de Tute e de seu contemporâneo China (Otávio Vianna, irmão mais velho de Pixinguinha), que o violão de 7 cordas entrou na música brasileira para não sair mais.

Inicialmente seu uso ficou restrito a um número reduzido de músicos até Horondino José da Silva, o Dino, passar a utilizá-lo em 1952. A partir da linguagem elaborada por esse mestre, outros violonistas, a exemplo de Rafhael Rabello passaram a se interessar pelo instrumento.

Tute, que completaria 125 anos hoje (1º de julho de 2011), com certeza deve está vibrando com a nova geração de 7 cordas a exemplo de Marcelo Gonçalves, Rogério Caetano, Yamandu Costa, Zé Barbeiro, Anderson Nóbrega, Marco Pereira e tantos outros.

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* Tute 15/6/1957: Existem controvérsias quanto a data de falecimento do violonista Tute.

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Atualização (14/06/2015)

Pesquisando na Revista Fon Fon - Edição nº 2308 / Ano: 1951, encontrei uma nota de falecimento do grande violonista Artur de Souza Nascimento - Tute. Confira recorte da Revista Fon Fon abaixo.

Com essa descoberta na Revista Fon Fon, acredito que a controvérsia deixa de existir.

Atualização (30/06/2016)

Sonhos de Nair (Arthur de Souza Nascimento [Tute]) # Grupo Carioca. Disco Odeon/Casa Edison (121.110). 1914.

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Fonte:

- Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira.
- Violões do Brasil – Myriam Taubkin (organizadora), edições SESC, 2007.
- Instituto Moreira Salles (Biblioteca Música).

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Exibições: 748

Comentário de Esse Tal Chorinho em 5 agosto 2011 às 2:12
O ano do falecimento de Tute foi 1951. Dessa forma foi possível Dino ter tido mais tempo tocando o 7 cordas.
Comentário de Laura Macedo em 5 agosto 2011 às 2:47

Parabéns pelo Bloco Lírico "O Bonde". Aprecio bastante a cultura pernambucana. Sou piauiense, mas fui criada na Paraíba (Campina Grande), fato que ocasionou minhas constantes idas à Recife e Olinda.

Quanto ao ano de falecimento do talentoso Tute, tanto o "Dicionário Cravo Albin da Música Brasileira" como os pesquisadores Zuza Homem de Mello e Jairo Severiano, no livro "A Canção no Tempo - 85 Anos de Músicas Brasileiras", Vol.1: 1901-1957, afirmam que o artista faleceu no ano de 1957.

Seu dado que ele faleceu em 1951 é de que fonte? Pergunto isso porque já constatei equívocos en várias fontes tidas como "seguras", em minhas pesquisas.

Aguardo suas informações.Seja bem vindo ao Portal Luís Nassif

Abraços.

 

 

Comentário de Esse Tal Chorinho em 5 agosto 2011 às 11:38

Oi, Laura, no próprio "Cravo Albim" há essa informação na página referente ao Dino 7 Cordas. E foi por causa dele (Dino) que percebi a diferença. Há vários registros que Dino começou a usar o violão de 7 cordas somente após o falecimento de Tute, e que isso teria começado em 1952, quando ele adquiriu seu primeiro violão modificado. No site "Samba - Choro" há também essa indicação :"Eu achava lindo o Tute tocando aquele violão, mas não queria que ele pensasse que eu o estava imitando, então só comecei a tocar sete cordas depois que ele morreu", conta, referindo-se à primeira metade da década de 50." Já o site http://www.musicosdobrasil.com.br/verbetes.jsf  indica a data de falecimento como sendo 1951.

De qualquer forma, tudo isso significa que estamos pesquisando e atentos às divergências. Enviei mensagem ao "Cravo Albim" solicitando análise nessas informações.

Grande abraço, Carlos.

Comentário de Laura Macedo em 6 agosto 2011 às 0:16

Carlos,

Muito boa sua providência de enviar mensagem ao Cravo Albin. Caso eles respondam, avise-me, ok?

Na área musical a minha grande paixão é o "choro". Aqui mesmo, no PLN, já fiz vários posts sobre a temática. E o "Esse tal de Chorinho"? Gostaria de saber detalhes. Você poderia divulgar, na sua Página, esses detalhes?

Abraços.

Comentário de Esse Tal Chorinho em 6 agosto 2011 às 0:28
São tantas as "frentes" nas quais trabalhamos que acabamos por deixar uma ou outra sem muita prioridade. Posso adiantar que hoje - exatamente agora - acabo de receber a informação que o programa Esse Tal Chorinho não irá mais ao ar a partir de amanhã, por falta de patrocínio. Lamentável, uma emissora que se diz educativa viver tão em cima de pagamentos de horários. Se eu tivesse uma igreja de garagem, provavelmente eu conseguiria o horário.

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