Mercado de TI foca inovação com recursos públicos

LILIAN MILENA
Da Redação - ADV


Mercado brasileiro de tecnologia da informação e comunicação (TI&C) espera aquecer setor com inovações em produtos e serviços. Do total de projetos encaminhados ao Programa de Subvenção Econômica, coordenado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), 42% - 1.079 - foram apresentados por companhias deste segmento. O programa oferece R$ 450 milhões como recursos não reembolsáveis, para investimento em inovação. Empresários não descartam a disputa no mercado internacional e apostam em melhorias na prestação de serviços.

No edital de 2008, as empresas de TI&C também tiveram forte participação, com percentual equivalente a 43% dos projetos inscritos. Incentivar a inovação desta área, que em 2006 já movimentava US$ 13 bilhões no mercado interno de outsourcing (terceirização) para serviços e tecnologia, pode trazer maior competitividade às empresas brasileiras.

O país é considerado o oitavo maior mercado interno de TI e referência global em serviços financeiros e e-government - a exemplo da declaração de imposto de renda via internet- , conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC).

O potencial competitivo do setor levanta algumas discussões:

- As empresas de tecnologias dividem opiniões quanto à estratégia de evolução: devem atuar na produção de novas ferramentas/softwares ou inovar em programação e serviços aplicados a tecnologias de fora?

- Cabe avaliar se o país tem mão de obra qualificada para atender a demanda;

- O programa de incentivo auxilia, mas há dúvidas quanto às políticas públicas para a área;

Estratégia


As empresas do setor buscam posicionamento internacional, mas não há definição sobre a inserção nesse mercado: não sabem se preferem concorrer com países como Índia e China ou com nações produtoras de alta tecnologia.

Para o presidente nacional da Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação (Assespro), Ruben Delgado, o desenvolvimento de softwares agregará valor à área de serviços.

Roberto Carlos Mayer, diretor da entidade que representa os empresários do estado de São Paulo, aposta no mercado de serviços em TI, como administração de rede, onde há mais espaço para inovação. O Brasil, por exemplo, tem sistemas bancários avançados em relação à tecnologia da informação aplicada por instituições financeiras no mundo, sobretudo COBOL – uma das mais antigas linguagens de programação ainda em uso.

Mão-de-obra

Há consenso sobre a escassez de profissionais capacitados para este mercado. Mayer explica que as empresas privadas de TI já desenvolvem programas internos de qualificação pessoal, porém para finalidades específicas e ressalta que “para construção de softwares inovadores e que possam competir em escala mundial, é preciso ter gente com formação de ponta [ou seja, mestres e doutores] e isso só será possível aumentando o número de vagas em universidades reconhecidas”.

Ao mesmo tempo, o custo para manter profissionais com título de mestrado e doutorado eleva os encargos sobre a folha de pagamento – uma das principais reclamações dos empresários.

Em março deste ano, o Congresso Nacional aprovou a Lei 11.908/09 estabelecendo no artigo 13-A que as empresas poderão excluir do lucro líquido os custos e despesas com capacitação dos profissionais que atuam no desenvolvimento de softwares.

Políticas públicas


Apesar das dificuldades, o Brasil tem aumentado as exportações no setor. Em 2002 as vendas externas representavam US$ 100. Hoje, o país exporta cerca de 2 bilhões em serviços de TI.
Segundo o diretor-presidente do Instituto Inovação, Paulo Renato Cabral, o desempenho se deu por um conjunto de fatores que passa pelo incentivo governamental, abertura econômica e aumento da capacidade de percepção do mercado consumidor.

Para Delgado, além dos incentivos federais, as ações de organizações de interesse privado, como a Sociedade para a Promoção da Excelência do Software Brasileiro (Softex), foram primordiais para o avanço nacional.

Historicamente os recursos governamentais financiavam a pesquisa básica dentro das universidades. Nos últimos dez anos, Cabral explica que o poder público passou a migrar os incentivos às pesquisas que contribuíssem para melhorar a interação entre academia e setor produtivo, visando aplicação mais rápida e eficiência no ganho econômico dos produtos nacionais.

Atualmente o país vive uma terceira fase da evolução dos investimentos: que é a aplicação direta de recursos nas empresas, por meio das ações de subvenção ou de financiamento. O porta-voz do Instituto Inovação ressalta, no entanto, que apesar de positivas, as ações governamentais carregam “o Brasil antigo”, com seus sistemas burocráticos.

Assespro e Instituto Inovação vêem como importante o desempenho do governo quando se trata de capitalizar setores considerados estratégicos para a economia, como o de TI&C. Entretanto, Delgado, afirma que o desempenho do setor passa “necessariamente” pelas reformas tributária e trabalhista. Já Cabral, entende que nenhum setor produtivo deve depender do Estado para se desenvolver.

A sócia-diretora da Incentivar Consultoria, Christimara Garcia, diz que hoje o país tem uma política de incentivo fiscal alinhada com as políticas de países que são grandes inovadores, “não ficamos longe em matéria de concessão de benefícios. Mas sem dúvida estamos atrás em questão de burocracia”, reforça.

Entretanto, Garcia acha cedo relacionar o crescimento da produção de TI com as políticas governamentais. A Lei de Inovação foi sancionada em 2004, completando apenas 5 anos. Já a Lei de Incentivos Fiscais foi editada em 2005, entrando em vigor em 2006.

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