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DAYANA AQUINO
Da Redação - ADV


A pesquisa com microalgas, para a produção de biodiesel, motivou uma parceria entre a Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel) e o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e a Fundação de Apoio à Pesquisa e ao Desenvolvimento do Agronegócio (Fapeagro). Embora o convênio entre as três instituições seja concretizado nesta sexta-feira (23/10), os trabalhos de pesquisas já iniciaram há cerca de um mês.

A ação quer conferir ao estado uma maior pegada ambiental, contribuindo com a diversificação de sua matriz energética, conforme avalia o diretor científico do Iapar, Arnaldo Collozzi Filho. A previsão de investimentos é de R$ 2,2 milhões em dois anos.

Além dos levantamentos para fins energéticos, o projeto também envolve pesquisa para um melhor destino dos resíduos.

Microalgas

As microalgas são organismos microscópicos que fazem fotossíntese, o que resulta na produção de oxigênio, óleos, carboidratos, proteínas e fibras.

Elas se desenvolvem em ambientes aquáticos e são enxergadas apenas com lentes de ampliação. O organismo utiliza a luz solar para se desenvolver e se multiplica rapidamente. Por essa característica, seu potencial produtivo pode ser maior se comparado com outras culturas em pesquisa para a produção de biodiesel, como o dendê.

Conforme explica a pesquisadora e coordenadora do projeto no Iapar, Diva de Souza Andrade, ainda são necessárias pesquisas para verificar a real viabilidade de produção de biodiesel a partir da microalga.

Em algumas espécies o alto teor de óleo já foi comprovado, o que sugere uma aptidão para a produção do energético e o interesse das instituições em elaborar as pesquisas. Além da possibilidade de uso na produção de biodiesel, os subprodutos também podem ser usados na alimentação humana ou animal.

A coordenadora explica que os estudos, nessa primeira fase, pretendem determinar quais são as espécies mais produtivas – com maior concentração de óleo -, bem como buscar na biodiversidade, do estado, novas matérias promissoras para a produção de biocombustíveis.

Diferentes grupos de pesquisas vêm realizando estudos com as microalgas nos últimos anos em diversos países, mas as pesquisas se concentram em levantamentos de taxonomia; saneamento (algumas produzem toxinas, um grave problema nos reservatórios de água destinada ao consumo humano); aquicultura, como fonte de proteínas para peixes e camarões; e ainda, para uso na indústria de cosméticos.

A microalga já fora alvo de pesquisas em instituições norte americanas, mas com a queda dos preços do petróleo nas últimas décadas, os estudos foram paralisados por conta do alto custo de produção do energético a partir do organismo.

Processo

Ao se multiplicarem, as microalgas formam grandes aglomerados. Para obtenção do óleo, seriam necessárias a secagem e prensagem do material. O custo, no entanto, ainda é considerado elevado, já que o cultivo das microalgas prevê a construção de tanques fotobiorreatores. Além disso, a obtenção do óleo requer catalizadores, a partir da biomassa, para que os resíduos gerados não sejam comprometidos.

A segunda fase da pesquisa envolverá levantamento de soluções para baratear o processo, com o desenvolvimento de uma tecnologia de cultivo mais viável do ponto de vista econômico e técnicas mais eficientes para a coleta das microalgas, que são obtidas através da filtragem da água. Economizar energia nesse processo será um dos desafios.

Para isso serão construídos fotobiorreatores, fase da pesquisa onde será definido se tais equipamentos serão externos ou internos. Quando externos, os tanques precisam de pouca profundidade para que a luz solar penetre com facilidade, permitindo assim que ocorra a fotossíntese. No caso dos fotobiorreatores internos, as estruturas são construídas de material transparente.

De acordo com a Copel, as microalgas têm potencial para produção de 70 toneladas de biomassa por hectare ao ano, enquanto a soja produz em média apenas três toneladas de biomassa na mesma base de comparação. Embora ainda sejam caros, os tanques para o cultivo de microalgas apresentam uma grande vantagem, pois podem ser instalados em terras degradadas ou até mesmo em desertos, bastando que haja luz, nutrientes, gás carbônico e água - que pode ser até mesmo salgada ou imprópria para consumo humano ou animal.

Tags: biodiesel, microalga, paraná, pesquisa

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