MILAGRE NA OSESP, CONCERTOS A PREÇO POPULAR LOTAM A SALA SÃO PAULO. CRÍTICA DE ALI HASSAN AYACHE NO BLOG DE ÓPERA E BALLET.

   
A Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, OSESP  para os íntimos, abriu o ano com dois concertos a preço popular, R$ 15,00 cada nos dias 12 e 13 de Fevereiro de 2015. Uma raridade isso acontecer, é mais que sabido e comentado pelos corredores da Sala São Paulo que o nobre diretor artístico da OSESP Arthur Nestrovski odeia ver o povão na Sala São Paulo e faz tudo para que os mais humildes não a frequentem. Como ele faz isso? Aumentando o preço dos ingressos e das assinaturas, acabando com o ingresso da hora, aumentando o preço do estacionamento que em um terreno pertencente ao Estado de São Paulo cobra-se absurdos R$ 23,00 por evento e para que ninguém apareça por lá inventa uma programação desconhecida do grande público e que interessa somente a ele e a regente titular Marin Alsop. Deve ter ficado chateado ao ver a Sala São Paulo lotada nos dois eventos, apesar do horário ingrato, as 19:30.
   O convidado para reger a OSESP foi o veterano e experiente maestro Isaac Karabtchevsky, abriu o programa com Bachianas Brasileiras nº 4: Prelúdio obra de Villa-lobos executada com lirismo e harmonia. 
   Prosseguindo os trabalhos do mesmo compositor tivemos  Sinfonia nº 8, obra desconhecida e praticamente inédita no Brasil. Esta estreou em noite de gala no Carneggie Hall no longínquo ano de 1955 com a Orquestra da Filadélfia e regência do próprio compositor e caiu no esquecimento. A OSESP está gravando todas as sinfonias de Villa-Lobos e esbarra em um constante problema do compositor. Devido a enorme quantidade de obras a desorganização e a falta de acabamento musical são regra em seus trabalhos. Revisões são necessárias e estão sendo feitas pela equipe da OSESP.  
   Quatro movimentos compostos por música de qualidade, o tema da brasililidade é deixado de lado em busca de uma música universal. A estética é o romantismo, Villa-Lobos não utiliza instrumentos de percussão exóticos e abusa da sonata como fio condutor. A execução da obra mostrou naipes em harmonia, musicalidade em volume correto e os metais em noite de gala.
   Fechando a noite O Pássaro de Fogo: Suíte - Versão 1919 de Igor Stravinsky. Obra do século XX que quebra conceitos e tradições da música clássica no campo estético e temático. A orquestração de Stravinsky é repleta de temas orientais e sua composição é feita para balé. A OSESP conseguiu vencer as árduas passagens com musicalidade robusta, onde andamentos lentos realçaram todas as notas. As melodias aparecem com vigor em uma musicalidade cristalina. Novamente Karabchevsky tira da OSESP musicalidade de nível internacional. 
   O concerto a preço popular mostrou uma orquestra tocando com primor, infelizmente não veremos esse nível de apresentação ao longo do ano. A OSESP ensaiou as obras de Villa-Lobos e Stravinsky exaustivamente para a gravação de CD e apresentou anteriormente o programa em quatro cidades. Ao longo do ano teremos mais de 40 programas diferentes e a falta de tempo hábil faz com que o padrão de qualidade desabe. Programação em escala industrial afeta a qualidade musical, essa é a verdade Arthur. 
Ali Hassan Ayache     

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