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Miles Davis, entre inspiração e devastação

Quase no final da década de 70, Miles Davis se afastou dos palcos por problemas de saúde atribuídos ao consumo de drogas, particularmente heroína. Ele mesmo admitiu seu estado precário. Em 28 de setembro de 1991 o som do trompete de Miles Davis silenciou definitivamente. Entre inspiração e devastação, entre talento e mito, entre jazz e cultura pop, Miles Davis é considerado um dos mais influentes músicos do século XX. Desde a Segunda Guerra Mundial até a década de 90, Miles Davis reinventou o jazz. Além de participar do bebop, foi o fundador do cool jazz. Miles participou também do jazz modal, do jazz-rock e do fusion ou acid jazz.

O som puro, macio, despojado e sem vibrato do seu trompete tornaram-se suas marcas registradas. Sua personalidade difícil, também. Sua brilhante carreira foi iniciada dentro do bebop em 1948 com a formação da célebre ‘Miles Davis-Capitol Orchestra’, onde o genial arranjador Gil Evans escreveu obras-primas sofisticadas ao longo de 50 anos e executadas com brilhantismo por Miles. A partir de 1949, nasceu com Miles o estilo cool, bastante apropriado à sua maneira intimista de tocar.

De 1956 em diante liderou um quinteto/sexteto que, através de suas várias formações, entrou para a história do jazz. Os talentos envolvidos se revezavam. Inicialmente com o saxofonista John Coltrane, o pianista Red Garland, o contrabaixista Paul Chambers e o baterista Philly Joe Jones. Com a entrada do sax alto Cannonball Adderley, o conjunto se transformou em sexteto. E o grupo gravou um dos discos de jazz mais cult de todos os tempos, ‘Kind of Blue’. Paralelamente, Miles com a colaboração de Gil Evans gravou duas obras-primas absolutas com orquestra: ‘Porgy and Bess’ e ‘Sketches of Spain’. Em 1964 surgiu uma formação inteiramente nova do sexteto, com George Coleman no sax, Herbie Hancock ao piano, Ron Carter no contrabaixo e o brilhante adolescente Tony Williams à bateria. Em 1965 a chegou o talentoso saxofonista e compositor Wayne Shorter.

No final dos anos 60, Miles começou a fazer experiências com a fusão entre jazz e rock que nasceu efetivamente com o revolucionário álbum ‘Bitches Brew’. Durante os anos 70, Miles continuou realizando experiências afastando-se do jazz, mesmo do jazz-rock, e aproximando-se do funk até do hip-hop. Mesmo com as críticas divididas, o som de Miles continuou inconfundível e poderoso.

Charlie Parker, Tommy Potter, Miles Davis, Duke Jordan, Max Roach (1947)

Miles Davis no ‘Nice Jazz Festival’ (1989)

A influência do álbum ‘Kind of Blue’ na música, abrangendo gêneros do jazz ao rock e a música clássica, tem levado críticos a reconhecer este como um dos mais influentes álbuns de todos os tempos.

Acordes, estruturas melódicas e ritmos da música tradicional espanhola são encontrados no álbum ‘Sketches of Spain’ inspirado por ‘Joaquin Rodrigo's Concierto de Aranjuez’.

O álbum ‘Bitches Brew’ continuou a experimentação de Davis com instrumentos elétricos, como o piano e a guitarra. Davis rejeitou os ritmos do jazz tradicional em favor de um estilo mais solto. ‘Bitches Brew’ ganhou reconhecimento como um dos maiores álbuns de jazz e um progenitor do gênero jazz rock, assim como uma grande influência no rock e músicos de funk.

The Best of Miles Davis The Capitol/Blue Note Years (Full Album)

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