O Metropolitan Opera Association, situado em Nova York, é um grande apresentador de todos os tipos de ópera, inclusive Grand Opéra. São apresentadas anualmente por volta de 240 óperas de uma forma rotativa. A companhia conta com um enorme número de membros: músicos, bailarinos, coristas (tanto adultos quando crianças) e solistas. Entre os solistas do Met estão Luciano Pavarotti, Renée Fleming, Ramón Vargas e Plácido Domingo. Aquela terça-feira, era especial: eu assistiria a minha primeira ópera - Simon Boccanegra, de Verdi. O frio intenso que fazia naquela noite, o engarrafamento, e o cansaço não foram capazes de conter a minha verve... Antes de adentrar aquele suntuoso local, passei rapidamente por uma livraria, em que havia um coquetel de lançamento de um livro e vários exemplares do mais novo romance do Dan Brown ( autor de sucessos como O Código da Vinci e Anjos e Demônios), que infelizmente não pude conferir . A pressa e ânsia em assistir a minha primeira opera não me deixaram...Saboreei rapidamente um delicioso chocolate quente, cheio de espuma, com gostinho europeu. Desci as escadas, e algo me chamou a atenção: havia uma espécie de elevador para transportar idosos e cadeirantes naquela escadaria. Bravo! pensei.
Escolhi uma poltrona numa posição estratégica: nem muito perto do palco que me fizesse ficar de cara com os artistas, e nem muito longe, que eu mal pudesse observar o que se passava. Sob aplausos, uma orquestra dotada de virtuosismo me encantava com um maestro vibrante e violinos enfurecidos. No palco, cortinas se abriram, surge o sinuoso Plácido Domingo, interpretando o protagonista, Boccanegra. Sua voz era tão maravilhosa que ecoava aos quatro cantos daquele recinto, como se eu estivesse no paraíso. Figurinos luxuosos, bem ao estilo medieval italiano; para os homens, roupas de cavalaria, pesadas capas, coroas e espadas. Para as mulheres, longos vestidos, espartilhos, cordões no pescoço e longos cabelos. O reencontro de Boccanegra com a filha Amélia, que ele julgava morta, ao som de “Figlia! A tal nome palpito”, levaram a mim e a platéia às lágrimas! Os cenários eram um espetáculo à parte. Dentre eles, o que mais me chamou a atenção foi aquele pertencente à cena 2 do 1° ato, ambientada na Câmara dos Conselheiros, no Palácio Real. As paredes e o teto daquele palácio mais pareciam os afrescos do Michelangelo na capela sistina, impressionante! Senti-me em pleno Renascimento, em alguma província da Itália, tamanho realismo que me transmitia aquela ópera! Fim do espetáculo, a morte de Boccanegra: pulsante com emoções latentes!As cortinas se fecharam. Os artistas, em especial, Plácido Domingo, foram ovacionados à exaustão. As luzes se acenderam. Saí daquele mundo de fascínios e sonhos deslumbrada! Pensei comigo: Como era fácil! Tão perto e tão simples assistir a uma ópera!
Não caros leitores, eu não moro em Nova York! Tampouco alguma vez pisei em solo americano! Assisti à belíssima ópera que vos relatei em São Paulo! Isso mesmo, Sampa, a nossa New York brasileira, há uma hora e meia da minha casa. Fui ao Conjunto Nacional, lá na Avenida Paulista, minha Fifth Avenue. Tomei aquele delicioso chocolate quente que vos falei na Livraria Cultura. E assisti à ópera no Cine Bombril, a sala de cinema do Conjunto Nacional, que naquela semana, apresentava o Festival Met Opera, que trazia gravações em película das principais óperas do Metropolitan! Nunca fui a uma ópera de verdade! No entanto, naquela noite saí daquela apresentação como Audrey Hepburn no musical My Fair Lady: metamorfósica e divina!

Exibições: 40

Comentário de Marçal, T. em 20 agosto 2010 às 1:04
Viva o cine Bombril...

Comentar

Você precisa ser um membro de Portal Luis Nassif para adicionar comentários!

Entrar em Portal Luis Nassif

Publicidade

© 2019   Criado por Luis Nassif.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço