- afora as tentativas e erros de praxe, induzidos pelas elevadas aspirações que nos acometem nestas épocas festivas de cada ano: miudezas fáceis de cumprir, como amar ao próximo, dar mais do que receber, parar de encher o saco de vizinhos e parentes, ter paciência com vizinhos e parentes chatos-insuportáveis, tolerância com filhos, cara-metade, gatos, quero-queros, evangélicos distribuidores folhetos, fonepedintes, caixas de som sobre rodas, motoqueiros, chuva na praia, programas de auditório, auditórios de programas, sábios jornalistas, cultos economistas, insignes editorialistas, mocinhas fashion, cantoras caras e bocas, cantores meia-boca, aspones atrás de boquinhas, balzacas bocudas e botocudas, empresários lamuriosos, políticos dotados de altas convicções, sempre prontos a defender com destemor os direitos dos fortes e opulentos, prefeitos especializados em cosmética urbana, futebolistas, produtores de factóides, burocratas, presepeiros, puxa-sacos, lambe-botas arrogantes, prepotentes cheios de piedosa modéstia, espancadores, torturadores, chacinadores (inclusive das artes e da cultura), agenciadores de talentos, lobbistas de verbas culturais, produtores de megaeventos, reencenadores de “clássicos” Broadway, escritores de novela, atores, cantores, esportistas dublês de comentarista político, emuladores fajutos do Paulo Francis, direitistas modernos, ex-esquerdistas hidrófobos, psicólogos-filósofos, filósofos-mundanos, editores audaciosos que não têm receio de arriscar em Harry Potters e Paulos Magos, modelos e atrizes, filhos de compositores/cantores consagrados, curadores vazios e pichadores sem causa, concessionárias privatizadores de serviços essenciais, discriminadores, bombardeadores natalinos, fanáticos religiosos, âncoras policialescos, artistas plásticos elitistas, classes-médias moralistas, profetas do apocalipse, anunciadores de tsunamis, torcedores pela crise, líderes religiosos canalhas, governantes assassinos, mais quilômetros de etecéteras, porque afinal, o inferno são todos os outros (excetuando nossos discos, livros, amigos do peito e nada mais).

- depois, em caráter estritamente pessoal: fumar menos, beber menos, fazer exercícios (assistir TV e buscar latinha na geladeira não é exercício), caminhar mais (e já não chega o que camelo eu?), ouvir mais, falar menos, escrever coisas consistentes, incrementar o bom humor, buscar a beleza na simplicidade (essa é clichê), buscar a simplicidade no dia-a-dia (clichezão), acertar ao menos uma vez a megassena (pelamordedeus), não ser assassinado depois de ganhar(tóc tóc), conter a ira, mas despejar o verbo, rever amigos antigos, ouvir músicas novas, ver filmes novos, ler livros novos, reler livros velhos, conhecer novos movimentos, novos rostos, novas realidades, participar da vida vivida, antes de integrar-se definitivamente ao pó que será o destino de todos nós (aliás, todos antes de mim; sem ofensa, pessoal...).

- sonho recorrente: não morrer antes de conhecer o deserto de Atacama, Machu-Pichu, Teotihuacan, Marrakesh, Nova Iorque, Havana e Barcelona. E Marte, se possível.

- e fim de papo, por enquanto dá pro gasto.

- ah, sim, e desejar boas entradas (que não seja pela tubulação) pra todo mundo.

Exibições: 52

Comentário de Sérgio Troncoso em 31 dezembro 2008 às 19:58
Bom texto como lhe é habitual,belas entradas e melhores saídas ainda.Abração,Sérgio.
Comentário de Liu Sai Yam em 1 janeiro 2009 às 10:32
Que capaz de melhorar, de piorar ou de continuar a lesma lerda de sempre.
Ah, doce mistério da vida! Vamos encarando, né, professora Dirce.
Cê tá bunita com essas maria-chiquinha...
Comentário de Edmar Roberto Prandini em 1 janeiro 2009 às 15:48
Uau....

Liu...

temos que abrir sociedade...
principalmente na mega sena!

Abraços!
Comentário de Liu Sai Yam em 1 janeiro 2009 às 16:30
Claro, amigo Edmar,
Sabia que você se interessaria logo pela parte "sacrificada" do empreendimento.
Estou recalculando e atualizando o investimento a fundo perdido dos últimos 25 anos de volantes atirados ao lixo, mais despesas de logística, tinta de BIC e locomoção a casas lotéricas, para você integralizar metade do capital social. Garanto sucesso em 11 meses.
Prefere em cartão ou mando boleto?
Viu como demos um pé na crise?
Abração, Edmar.

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