Picasso



Frio


Ele vem por trás, ela percebe, não se vira. Ele toca seu ombro. As mãos frias, suadas. Ela sente nojo.
Finge se arrepiar. Afasta-o. Diz:
- Ai, que frio, suas mãos estão geladas.
- Você vive com frio, mulher doente, frígida.
Ela faz que não ouve.
- Gostava da minha terra, todo dia sol.
Ele volta para o escritório. Ela sabe que está inseguro.
Nela a certeza de que nunca mais terá a mão tépida e forte do outro.
Deixou-o num rompante. Pegou o caminho do sul, cansada da pobreza.
Nunca mais sorriu como antes.

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Comentário de Sérgio Troncoso em 5 maio 2009 às 1:06
Como sempre instigante e com aquele toque melancólico/tristonho. Se me arrepiou os sentidos é porque gostei. Como sempre aliás. Bjs prá você Laura!
Comentário de joao carlos pompeu em 5 maio 2009 às 14:34
senti frio de ver, de ler, de pensar, de apreciar o frio... n'alma. muito frio. arrepio do corpo azul.
amável escritora, não tem um conto calorzinho pra aquecer?
gostei.
abraços! (calorosos).
Comentário de Liu Sai Yam em 8 maio 2009 às 3:00
Frio? Eu?

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