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Energia

Ministério estuda saída para rejeito nuclear

DAYANA AQUINO
Da Redação - ADV


Estratégias para expansão da energia nuclear vêm ganhando espaço na política brasileira, mas os rejeitos nucleares ainda são apontados por ambientalistas como o grande impasse do setor.

Para o Ministro de Minas e Energia, Edson Lobão, os questionamentos sobre o destino dos rejeitos nucleares é uma discussão ultrapassada. Segundo ele, a França desenvolveu reaproveitamento dos resíduos e o modelo poderá chegar ao Brasil no futuro.

Já na avaliação de André Amaral, coordenador da área nuclear do Greenpeace, pensar no modelo francês como saída não dá respostas efetivas ao problema. Ele explica que o reaproveitamento de rejeitos nucleares feito em alguns países, como a França, é um processo que reutiliza apenas uma parte dos rejeitos de uma usina, que entram no ciclo de novo.

A técnica, na avaliação de Amaral, acaba por gerar mais rejeitos, uma vez que coloca mais equipamentos em contato com o material, aumentando a contaminação.

Uma outra proposta do governo, ainda em estudo, é o lançamento de licitações para a construção de depósitos de rejeitos, que poderão armazenar o produto por até 500 anos. Alternativa também contestada pela ONG, que afirma ainda não existir alternativa viável aos resíduos radioativos.

De acordo com o presidente da Eletronuclear, Otto Luiz Pinheiro da Silva, hoje os rejeitos podem ser armazenados nas próprias usinas e ainda há tempo para construir os tanques de depósito, que poderão ficar distantes das centrais nucleares. Mas essa opção, na opinião de Amaral, pode ser uma forma de deixar para as gerações futuras o que realmente poderá ser feito com o rejeito radioativo, já que segundo ele, não há uma tancagem definitiva dos resíduos.

As alegações de Lobão e Silva foram feitas em torno da retomada da construção da usina nuclear de Angra 3. A solenidade ocorreu durante o Seminário Eletronuclear - Energia Nuclear: Desmistificação e Desenvolvimento, na Associação Comercial do Rio de Janeiro.


Angra 3


As obras deverão iniciar em dezembro, com a concretagem da laje de fundação do reator. O projeto de construção da usina, parado há mais de 20 anos, está orçado em R$ 8,1 bilhões. A previsão é que a unidade esteja concluída em maio de 2015.

Silva explica que todo o urânio utilizado no abastecimento de Angra 3 será nacional. O presidente da estatal estima reservas de 800 mil toneladas de urânio no Brasil

Sobre o custo de Angra 3, Amaral afirma que os valores são superiores em relação a projetos de geração de energia, a partir de fontes alternativas, tanto pelo custo do projeto, quanto pela indefinição da armazenagem dos rejeitos. Pelo fato de não se ter uma definição sobre a instalação de depósitos no momento, ele acredita que postergar a decisão para o futuro pode fazer com que os projetos nucleares saiam mais caro do que apresentado hoje.

Expansão nuclear


O governo federal planeja construir mais quatro usinas no país, duas no Nordeste e duas no Sudeste, a decisão sobre estados e municípios que vão receber as usinas ainda não foi anunciada. Cada usina terá capacidade de geração entre 1 mil e 1,2 mil megawatts.

Ainda não há valores precisos para a construção das demais unidades, mas, alicerçado em valores praticados no exterior, onde cada quilowatt tem um custo de US$ 3 mil, o presidente da Eletronuclear estima que cada usina demande investimentos de cerca de US$ 3 bilhões.

As usinas seriam as primeiras centrais nucleares que poderão ser instaladas no país. Cada central terá capacidade de receber até seis usinas, conforme informou o presidente da Eletronuclear.

Edison Lobão reforçou sua opinião sobre a necessidade de se instalar uma usina nuclear ao ano, a partir de 2030 até 2060, para atender a demanda de energia que o país deverá apresentar com uma população estimada em 250 milhões de pessoas. Nesse ano, Lobão projeta que o potencial hidroelétrico do país terá sido explorado em sua totalidade, resultando em 190 mil megawatts. O consumo de energia per capita deverá ser 4.380 quilowatts/hora (kwh), comparada à demanda por habitante de Portugal.

Neste cenário, o ministro explicou que a geração nuclear poderá chegar ao patamar da França, com uma participação de 24% na matriz energética nacional.

Fontes alternativas


Por outro lado, mesmo apresentando entusiasmo com a energia nuclear, Lobão ressaltou que fontes alternativas também deverão receber mais atenção para o pleno atendimento da demanda energética em 2060. A melhoria dos serviços básicos, saneamento, educação, abastecimento de água, saúde pública, eletrificação das residências, passa por consumo de energia. Com isso, o grande desafio deverá ser atender a energia demandada por habitante, onde as energias solar, eólica e biomassa terão também papel de destaque.

“O objetivo é não permitir que o povo passe por um sobressalto como o de 2001. Se não investirmos agora, teremos problemas futuros”, disse o ministro referindo-se ao racionamento de energia ocorrido no período.

Lobão salientou que a percepção sobre a instalação de usinas nucleares já é bem vista pelos estados e municípios, o que não era verificado à época da construção das usinas de Angra 1 e 2. Isso ocorre porque, segundo ele, “percebeu-se que as usinas nucleares não trazem nenhum dano ambiental. Resultam em desenvolvimento”. Hoje, de acordo com o ministro, há disputa municipal pelas usinas.

Tags: 3, angra, energia, greepeace, mme, nuclear, rejeitos

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