Modelos de demanda por combustível no Brasil

Por Thaís Vilela, do Blog Infopetro

1 - Introdução

A matriz brasileira de combustíveis automotivos passou, e continua passando, por diversas mudanças, ora introduzidas pelo Governo Federal, ora pelas condições de mercado. Neste cenário, a predominância de um combustível em relação a outro mudou ao longo das últimas quatro décadas, tendo sido a falta de um planejamento estratégico bem definido, em relação a essa matriz, a principal responsável pelos diversos processos de substituição entre os combustíveis. Dentro deste contexto, o interesse em avaliar a dinâmica do consumo dos combustíveis automotivos no Brasil é grande, uma vez que o estudo sobre o comportamento do mercado de combustíveis, principalmente com relação à análise de sensibilidade da demanda a variações no preço e na renda, tende a ser uma importante ferramenta de orientação de política para o setor, já que este tema insere-se num contexto mais amplo envolvendo as esferas energéticas, ambientais e de infraestrutura.

De fato, o interesse em avaliar a demanda brasileira por combustíveis automotivos aumentou a partir do Primeiro Choque de Petróleo em 1973, quando os preços do petróleo no mercado internacional quadruplicaram em apenas três meses. O repasse desse aumento rápido dos preços na inflação preocupava o Governo Federal, que repassou o aumento apenas para os preços da gasolina, subsidiando, assim, o consumo do diesel. Consequentemente, as vendas de veículos a diesel aumentaram significativamente, resultando na “dieselização” da frota nacional. Vale mencionar, que o consumo do diesel segue uma trajetória ascendente desde o início da década de 70. A expansão do agronegócio juntamente com o deslocamento de pólos de produção e comerciais para o interior do Brasil correspondem a uma das explicações possíveis para tal tendência de alta.

Cabe lembrar, no entanto, que, assim como a gasolina, o diesel é também um combustível derivado de petróleo, cujo preço havia quadruplicado em apenas três meses. Ao contrário dos demais países, o governo brasileiro optou por evitar a recessão econômica e com o objetivo de reduzir ainda mais a dependência e vulnerabilidade brasileira aos preços internacionais do petróleo, o Governo Federal instituiu, em 14 de Novembro de 1975, o Programa Nacional do Álcool, o ProÁlcool.

Inicialmente, o Programa visava a adição de álcool anidro à gasolina, porém com o Segundo Choque do Petróleo e com o novo patamar de US$ 30 o barril do petróleo em 1980, os gastos com a importação de petróleo e de seus derivados aumentaram consideravelmente. Diante desta situação, o Governo Federal passou a incentivar, através de políticas fiscais e tributárias, o uso do álcool etílico hidratado carburante como combustível substituto à gasolina.

Contudo, no final da década de 80, os preços do petróleo no mercado internacional reduziram à metade, de US$ 30 para US$ 15 o barril, período denominado Contra-Choque do Petróleo. Neste cenário, tornou-se custoso para o Governo financiar a produção de álcool carburante, especialmente, o álcool hidratado. Os subsídios foram eliminados e uma crise de abastecimento instalou-se. Dentro deste contexto, a maior parte dos consumidores voltou a utilizar a gasolina como combustível.

Já na década de 90, o Governo Federal incentivou o uso do gás natural como combustível substituto da gasolina. A descoberta de reservas na Bacia de Campos e o avanço das negociações, a partir de 1994, para a importação de gás boliviano aumentaram a disponibilidade de gás natural no mercado brasileiro. Com isso, além do apoio governamental e o preço baixo do produto devido ao aumento da oferta, muitos consumidores fizeram as conversões necessárias em seus veículos para usarem gás natural.

Finalmente, em março de 2003, os carros com tecnologia flex-fuel foram introduzidos no mercado de automóveis no Brasil, permitindo uma recuperação das vendas de álcool hidratado até então em tendência decrescente. Os impactos, porém, da introdução dos automóveis bicombustíveis são difíceis de serem mensurados. Antes da introdução desta tecnologia, a preferência do consumidor por determinado combustível era revelada na escolha do carro, porém os automóveis bicombustíveis não permitem mais traçar uma relação direta entre automóvel e combustível, sendo a avaliação de preferências um trabalho mais difícil. (...) continua no Blog Infopetro

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