atualizado em 17/10/2009 com o video Café da Manhã: bate-papo com a atriz Fernanda Montenegro


Atriz, que completa 80 anos hoje, une talento espontâneo à capacidade de vivenciar plenamente a personagem

SÁBATO MAGALDI
ESPECIAL PARA A FOLHA

O moderno teatro brasileiro é pródigo em grandes atrizes. Mencioná-las corre o risco de levar a um esquecimento, por certo imperdoável. Razão suficiente para citar apenas Fernanda Montenegro, cujo aniversário se está comemorando. Já há muitas temporadas ela é considerada grande atriz.
Sustenta esse conceito a soma de numerosos atributos: a capacidade de vivenciar plenamente a personagem, o domínio dos meios para alcançar os desejados efeitos, a inteligência a fim de manter a adesão do público, o talento espontâneo para transmitir drama e comédia. Mérito especial vem de que ela não precisou cursar uma escola, a não ser a de aproveitar a companhia da grande atriz Henriette Morineau, outro monstro sagrado que tanto enobreceu o teatro brasileiro.
Certamente, Fernanda soube inspirar-se na talentosa atriz francesa, de técnica admirável, que valorizava o uso da palavra. Cabe lembrar que Fernanda, vinda a São Paulo do Rio de Janeiro, participou do elenco do Teatro Popular de Arte (Companhia Maria Della Costa), de proposta semelhante à do Teatro Brasileiro de Comédia. No palco da rua Paim, ela foi, em 1955, protagonista de "A Moratória", que lançou Jorge Andrade como um dos importantes dramaturgos brasileiros. E, no TBC, ela viveu a personagem principal de "Vestir os Nus", texto de Pirandello.
Fase brilhante da carreira de Fernanda Montenegro foi também quando atuou no Teatro dos Sete. O conjunto encenou em 1959, no Municipal do Rio de Janeiro, "O Mambembe", obra-prima do nosso clássico Artur Azevedo. E, no Ginástico daquela cidade, Fernanda viveu Selminha, da peça "Beijo no Asfalto", escrita por Nelson Rodrigues a pedido dela. Os espectadores se impressionavam, entre outros momentos, com o vigor da cena em que a atriz defendia a virilidade do marido.
Fernanda Montenegro, depois de extinto o Teatro dos Sete, se fez empresária dos próprios espetáculos, realizados por Fernando Torres. Como era natural num sistema de produção do gênero, alternaram-se peças exigentes e textos comerciais. O que acontecia na tradição dos palcos britânico, francês e norte-americano. A qualidade literária pouco importa: o teatro é criação definida pela presença física do ator, e grande ator pode realizar melhor um espetáculo com uma obra medíocre do que um grande texto desempenhado por um ator fraco. Sem o sopro de Fernanda Montenegro, várias peças pouco significariam.
Atriz exemplar de teatro, monstro sagrado, no pleno sentido que tem a expressão, Fernanda Montenegro faz o efêmero do desempenho se igualar à perenidade de qualquer outra arte. Fernanda Montenegro é um dos valores absolutos do nosso palco.

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SÁBATO MAGALDI é teórico, crítico e professor de teatro; escreveu "Panorama do Teatro Brasileiro" (1962) e "Moderna Dramaturgia Brasileira" (1998), entre outros




O cinema, a televisão e o teatro estão em festa. A grande dama da arte de interpretar comemora 80 anos de idade, e fala sobre carreira e família.




Descendente de portugueses e italianos, Fernanda Montenegro, nome artístico de Arlete Pinheiro Esteves da Silva nasceu em 1929, no Rio de Janeiro. O primeiro contato com o palco foi aos oito anos.



Atriz completa 80 anos nesta sexta-feira, 16.



Café da Manhã: bate-papo com a atriz Fernanda Montenegro

Fernanda Montenegro revela detalhes da nova peça 'Viver sem tempos mortos'. A atriz fala dos trabalhos no cinema e relembra novelas inesquecíveis.


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Comentário de Laura Macedo em 17 outubro 2009 às 2:20
Gilberto,
O Sábato Magaldi foi muito feliz no seu texto quando diz, no finalzinho, que "Fernanda Montenegro é um dos valores absolutos no nosso palco". Eu assino embaixo.
Ótima seleção dos vídeos, Gilberto.
Beijos.
Comentário de Solange Teixeira da Cunha em 17 outubro 2009 às 8:17

Vivaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa Encontrei uma página que fala na nossa Fernanda Montenegro.
Achei .... estou feliz
Grata
um abraço
Solange
Comentário de Helô em 27 outubro 2009 às 0:19
Gilberto
Parabéns pela homenagem.
Ela é ótima! Seja no cinema, na TV, no Teatro, ou na vida particular.
Dois momentos inesquecíveis de Fernanda.



Beijos.
Comentário de Gilberto Cruvinel em 27 outubro 2009 às 1:04
Helô querida,
Ainda hoje, depois de ter visto a cena do café da manhã tantas vezes, ainda hoje
eu, e qualquer um que veja, choro de tanto rir. Um clássico.
E a fala final da Fernanda? "Olívia, pode tirar a mesa"
É de matar.

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