"Documentário musical focalizando a figura ímpar do compositor e cantor Antonio Moreira da Silva, o popular Kid Morengueira, o inventor do samba de breque, que aos 70 anos está em plena forma de terno de linho branco e chapéu panamá, interpretando seus antigos sucessos em locais-cenários freqüentados pela antiga malandragem como o Morro de São Carlos, o Hipódromo da Gávea, o Cinema Íris, a Gafieira Elite e outros que marcam a imagem do Rio de Janeiro como o Pão de Açúcar".

Moreira da Silva, ou Kid Morengueira, mulherengo, de estilo inconfundível com seu terno de linho S-120 e chapéu panamá, viveu o século XX sem abrir mão de sua identidade de malandro, ou melhor, de falso malandro, pois sempre trabalhou.
A ÚLTIMA ENTREVISTA DO KID MORENGUEIRA
A última entrevista de Antônio Moreira da Silva, o Kid Morengueira, foi concedida à revista Música Brasileira, em maio de 2000, na casa do artista, bairro do Catumbi, Rio de Janeiro. No ato da entrevista, era o mais antigo cantor em atividade no mundo.
Dois dias depois foi internado em conseqüência de um tombo que sofreu dentro de casa. Com 98 anos de idade a saúde complicou-se vindo a óbito, dia 6 de junho, de falência múltipla dos órgãos.
Confiram alguns trechos da entrevista:
- Noventa e oito anos cravadinhos, hein, Morengueira?! E como está a saúde?
- Nos trinques. Pressão doze por nove, colesterol de menino e coração a mil. Estou diabético, mas isso eu tiro de letra.
- Continua trabalhando?
- Fazendo meus showzinhos por aí. Ainda canto e canto bem. Se quiser um show do velho Morengueira é só me chamar.
- Há quanto tempo você não grava?
- Muito tempo. As gravadoras têm preferido outras coisas. Tá cheio de cantorzinho aí, cantando bonitinho, requebrando a bundinha.
- Procede a informação de que você é o mais antigo cantor em atividade no mundo?
- Em plena atividade. Sou o decano de todos eles.
- Você cantou muito e gravou bastante. Mas compôs pouco, não foi?
- Fiz uma coisinha ou outra. Composição nunca foi meu forte.
- Já precisou vender sambas?
- No começo, sim.
- Comprou também?
- Comprei, vendi, emprestei, negociei, entrei em parceria. Em certo tempo, isso era comum. Todo mundo vendia. O grande compositor Geraldo Pereira me vendeu um samba por um conto e trezentos.
- Foi o Na subida do Morro?
- Foi. Depois dei forra colocando o nome dele na parceria de Acertei no Milhar, que era só do Wilson Batista.
- E seguidores? O Moreira vai deixar o bastão com alguém?
- Mais ou menos. Tem uns que tentam, mas modéstia à parte ninguém chega aos pés. Moreira é conhecido no mundo inteiro e já cantou em vários idiomas. Sabia que já cantei em francês?
- Sabia. E em alemão também, pelo menos duas palavras no Samba de Berlim, do Wilson Batista.
- Isso. Chucrute, Seu Fritz...
- Você foi muito namorador. E continua?
- Elas que me namoravam. E até hoje eu continuo maltratando alguns corações. Outro dia mesmo uma moça olhou pra mim e disse “ganhei o dia”. Respondi: “eu também”. Mas hoje estou meio devagar. Se bem que de vez em quando, vejo umas imagens na televisão e “o malandro ainda suspira”...
- Você mora em frente do Cemitério do Catumbi (bairro do Catumbi - RJ). Uma vez você disse que isso era bom porque “qualquer coisa, era só atravessar a rua”...
- Mudei de idéia. Não quero mais ser enterrado. Já fui no cartório e registrei minha última vontade: quero ser cremado. Não vou dar moleza pra micróbio...
Não deu moleza mesmo, foi cremado. Provavelmente, escutando durante o cortejo uma voz de alerta: “Cuidado, Moreira!”
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Fontes:
VIDEO: Site Porta Curtas Petrobras.
LIVRO: Com Esses Eu Vou: de A a Z, crônicas e perfis da MPB, de Luis Pimentel / Ilustrações Amorim. - Rio de Janeiro: Zit, 2006.
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Tags: kid morengueira, moreira da silva, moreira da silva última entrevista, samba de breque
Comentário de Helô em 13 setembro 2009 às 23:03 
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