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Mubarak: Morde e assopra lembra campanhas de Israel

De Luiz Carlos Azenha, em Vi o Mundo

Eu não ficaria surpreso se, em 15 ou 20 anos, quando a História contar os detalhes do que está acontecendo no Egito, descobrirmos que o governo de Israel colaborou, direta ou indiretamente, com as tentativas de Hosni Mubarak de se manter no poder.

Minha ficha caiu ontem à noite, quando eu assistia simultaneamente às redes Al Jazeera e CNN Internacional.

De repente, na emissora dos Estados Unidos, aparece a veterana jornalista Barbara Walters, a título de narrar as experiências que viveu em sua carreira. Durante a entrevista, Walters fez um alerta. Disse que os Estados Unidos perderiam completamente a credibilidade com os líderes árabes se abandonassem Mubarak agora.  Lembrou que o governo dos Estados Unidos “abandonou” o xá Reza Pahlavi, no Irã, em 1979, o que resultou na ascensão do regime dos aiatolás (com os americanos é sempre assim, o Sol nasce de manhã em função deles).

Antes de avançar, me parece absolutamente óbvio que o regime de Hosni Mubarak entrou no “modo” guerra civil sem assumir isso. É uma tática muito parecida com o comportamento “morde e assopra” da máquina de relações públicas de Israel, aquela que existe para justificar as ações violentas e muitas vezes criminosas de Israel contra os palestinos e aqueles que defendem os direitos dos palestinos.

O objetivo do regime de Mubarak, a essa altura, nem é mais preservar Mubarak, mas sim a capacidade de moldar e influenciar as futuras eleições. Para que o regime seja preservado com outra face. É isso, também, o que interessa agora aos Estados Unidos e a Israel: que o Egito preserve os acordos de paz com Israel e que mantenha o cerco militar ao regime do Hamás em Gaza. Regime, diga-se, que foi resultado de eleições livres e monitoradas por autoridades internacionais.

A tática  “morde e assopra” do regime de Mubarak, nas últimas horas, incluiu: 1. organizar as tentativas de intimidação dos que se manifestam na praça central do Cairo; 2. provocar violência para demonstrar à maioria silenciosa do Egito que Mubarak é a menos pior das opções; 3. intimidar os jornalistas internacionais para diminuir a capacidade deles de registrar e transmitir as imagens da repressão planejada contra as próximas manifestações; 4. fazer cara de paisagem e prometer investigação da violência; 5. fazer cara de paisagem e dizer que as demandas dos manifestantes já foram atendidas; 6. vender a ideia de que as negociações para transição com Mubarak estão avançando.

A suposta “imparcialidade” do exército egípcio é outra grande bobagem. É óbvio que o exército quer preservar sua própria imagem, mas seria muito cinismo acreditar que aqueles que serviram a Mubarak durante 30 anos de repente foram convertidos à democracia…

Finalmente, o que me convenceu de que o regime de Mubarak está usando o mesmo livro normalmente utilizado por Israel?

Hoje, via twitter, recebi o link de uma entrevista de Charles Krauthammer, o campeão dos neocons, na Fox News. Ele disse que a “perda” do Egito pelos Estados Unidos poderia custar tanto ao presidente Barack Obama quanto a “perda” do Irã custou ao ex-presidente Jimmy Carter (presidente, diga-se, de um mandato só).

Ou seja, ele disse praticamente o mesmo que Barbara Walters. Pode ser mera coincidência, mas conhecendo um pouquinho sobre a máquina de relações públicas de Israel, desconfio seriamente que não.

Desta vez, porém, acho que a tarefa dos neocons não é tão simples quanto foi na invasão do Iraque. Falta combinar com alguns milhões de egípcios.

PS do Viomundo: Acabo de saber, via Al Jazeera, que Hosni Mubarak deu uma entrevista à rede americana ABC dizendo que gostaria muito de deixar o poder, mas que teme… o caos. Acreditem, é parte da mesma campanha de relações públicas.

 

por Luiz Carlos Azenha

Eu não ficaria surpreso se, em 15 ou 20 anos, quando a História contar os detalhes do que está acontecendo no Egito, descobrirmos que o governo de Israel colaborou, direta ou indiretamente, com as tentativas de Hosni Mubarak de se manter no poder.

Minha ficha caiu ontem à noite, quando eu assistia simultaneamente às redes Al Jazeera e CNN Internacional.

De repente, na emissora dos Estados Unidos, aparece a veterana jornalista Barbara Walters, a título de narrar as experiências que viveu em sua carreira. Durante a entrevista, Walters fez um alerta. Disse que os Estados Unidos perderiam completamente a credibilidade com os líderes árabes se abandonassem Mubarak agora.  Lembrou que o governo dos Estados Unidos “abandonou” o xá Reza Pahlavi, no Irã, em 1979, o que resultou na ascensão do regime dos aiatolás (com os americanos é sempre assim, o Sol nasce de manhã em função deles).

Antes de avançar, me parece absolutamente óbvio que o regime de Hosni Mubarak entrou no “modo” guerra civil sem assumir isso. É uma tática muito parecida com o comportamento “morde e assopra” da máquina de relações públicas de Israel, aquela que existe para justificar as ações violentas e muitas vezes criminosas de Israel contra os palestinos e aqueles que defendem os direitos dos palestinos.

O objetivo do regime de Mubarak, a essa altura, nem é mais preservar Mubarak, mas sim a capacidade de moldar e influenciar as futuras eleições. Para que o regime seja preservado com outra face. É isso, também, o que interessa agora aos Estados Unidos e a Israel: que o Egito preserve os acordos de paz com Israel e que mantenha o cerco militar ao regime do Hamás em Gaza. Regime, diga-se, que foi resultado de eleições livres e monitoradas por autoridades internacionais.

A tática  “morde e assopra” do regime de Mubarak, nas últimas horas, incluiu: 1. organizar as tentativas de intimidação dos que se manifestam na praça central do Cairo; 2. provocar violência para demonstrar à maioria silenciosa do Egito que Mubarak é a menos pior das opções; 3. intimidar os jornalistas internacionais para diminuir a capacidade deles de registrar e transmitir as imagens da repressão planejada contra as próximas manifestações; 4. fazer cara de paisagem e prometer investigação da violência; 5. fazer cara de paisagem e dizer que as demandas dos manifestantes já foram atendidas; 6. vender a ideia de que as negociações para transição com Mubarak estão avançando.

A suposta “imparcialidade” do exército egípcio é outra grande bobagem. É óbvio que o exército quer preservar sua própria imagem, mas seria muito cinismo acreditar que aqueles que serviram a Mubarak durante 30 anos de repente foram convertidos à democracia…

Finalmente, o que me convenceu de que o regime de Mubarak está usando o mesmo livro normalmente utilizado por Israel?

Hoje, via twitter, recebi o link de uma entrevista de Charles Krauthammer, o campeão dos neocons, na Fox News. Ele disse que a “perda” do Egito pelos Estados Unidos poderia custar tanto ao presidente Barack Obama quanto a “perda” do Irã custou ao ex-presidente Jimmy Carter (presidente, diga-se, de um mandato só).

Ou seja, ele disse praticamente o mesmo que Barbara Walters. Pode ser mera coincidência, mas conhecendo um pouquinho sobre a máquina de relações públicas de Israel, desconfio seriamente que não.

Desta vez, porém, acho que a tarefa dos neocons não é tão simples quanto foi na invasão do Iraque. Falta combinar com alguns milhões de egípcios.

PS do Viomundo: Acabo de saber, via Al Jazeera, que Hosni Mubarak deu uma entrevista à rede americana ABC dizendo que gostaria muito de deixar o poder, mas que teme… o caos. Acreditem, é parte da mesma campanha de relações públicas.

 

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Comentário de Nonato Pereira em 4 fevereiro 2011 às 0:58
Alguma coisa estranha está acontecendo.

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