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Mudanças econômicas marcam nova fase do socialismo em Cuba

Publicado no Vermelho

No dia em que se comemoram os 50 anos da proclamação do caráter socialista da Revolução Cubana, o Partido Comunista de Cuba promove o 6º Congresso para discutir e aprovar a nova política econômica e trabalhista da ilha. O cônsul geral, Lázaro Méndez, acredita em uma nova fase do socialismo no país e ressalta que as mudanças serão imprescindíveis para a continuidade e o sucesso da revolução.

 

As marcas oficiais do 6º Congresso do Partido Comunista de Cuba e dos 50 anos da derrota norte-americana em Praia Girón

Há 50 anos, Fidel Castro declarava o caráter socialista da Revolução Cubana contra o imperialismo norte-americano. Hoje, sob a liderança de Raul Castro, o país inicia uma nova etapa de seu socialismo. Neste sábado (16), o Partido Comunista de Cuba promove o 6º Congresso para aprovar as novas diretrizes da política econômica da ilha. As mudanças propõem um reordenamento trabalhista e tributário, tendo em vista uma maior eficiência, a diminuição de gastos e o aumento da produtividade do país.

Ainda sob bloqueio econômico e tecnológico dos Estados Unidos, Cuba vive uma situação delicada: estima-se que até o ano passado o país teve um prejuízo de mais de US$ 750 bilhões com o corte de relações comerciais. Outros fatores, como a crise mundial de 2008 e os 16 furações que abalaram o país em dez anos – causando perdas no valor de US$ 20,5 bilhões – ajudaram a agravar o quadro.


TV VermelhoBatalha de Praia Girón: Cuba celebra 50 anos de socialismo

Sob este cenário, o cônsul-geral de Cuba em São Paulo, Lázaro Méndez, avalia que as mudanças econômicas são imprescindíveis para a continuidade do socialismo na ilha. “Teremos um sistema econômico muito produtivo e, para isso, vamos realocar gradativamente os trabalhadores excedentes em determinados setores”, explica. Méndez acrescenta ainda que existe uma ausência significativa de trabalhadores em certas áreas, enquanto em outras, há profissionais em excesso. “Temos que canalizar melhor a mão de obra cubana”, enfatiza. 

Entretanto, o cônsul alerta que essa recolocação não pode ser feita repentinamente. “Estamos trabalhando nisso há muito tempo e sem pressa. Não pode haver enganos”. Méndez garante também que os profissionais transferidos serão capacitados para ocupar as novas funções. “Partimos do pressuposto que temos um povo bem preparado culturalmente. Quando os Estados Unidos pararam de importar açúcar de Cuba, por exemplo, a indústria açucareira sofreu um impacto muito grande; quase 300 mil pessoas tiveram que sofrer uma realocação no mercado”, lembra. 

Méndez acredita que depois de tantos anos este é o momento ideal para a reestruturação. “Queremos desenvolver nosso próprio modelo econômico, sem olhar para ninguém. A China e o Vietnã construíram o deles. Precisamos levar em consideração que Cuba precisa se atualizar de acordo com o mundo atual”, observa. “O mundo não pode ir por um caminho e nós, seguirmos por outro”, reflete.

Futuro social e econômico

Para o Projeto de Diretrizes de Política Econômica e Social chegar ao Congresso de Cuba com as novas propostas do governo, ele passou por uma ampla discussão de base realizada junto à população, comunidades, centros de trabalho e membros do partido. “Percebemos que os cubanos optaram pela atualização do socialismo no país”. 

Segundo o cônsul, foram criadas comissões de economistas, nas quais foram desenvolvidas mais de 290 diretrizes que englobam toda a economia da ilha. Ao longo do processo, dos 11 milhões de cubanos que vivem hoje no país, mais de 7 milhões participaram com sugestões e opiniões da elaboração do projeto. E ainda, de acordo com ele, cerca de 60% do projeto inicial foram alterados ao longo das reuniões de base. 

Com a nova postura do Estado cubano – que passará a atuar de um modo menos “paternalista”, como definem os cubanos – acredita-se que os trabalhadores poderão render melhor, ou seja, cada um deles dará um aporte mais importante à sociedade. Atualmente, com o processo de transição, cerca de 500 mil trabalhadores estão sendo remanejados. 

Méndez explica que a mudança não traz riscos de desemprego nem de concentração de propriedade e poder. “O acúmulo de propriedade continuará proibido, assim, não haverá riscos de pessoas físicas acumularem poder político a partir do poder econômico”, afirma ele. “A concentração de profissionais será mais bem distribuída e o Estado passará a subsidiar apenas a parcela da população mais necessitada”, esclarece. 

Capacidade de resistência

Em meio a esse contexto de mudanças, Cuba lembra os 50 anos da declaração do caráter socialista da revolução, fato que intensificou o processo revolucionário da ilha, iniciado em 1º de janeiro de 1959. Em 15 de abril de 1961, aviões norte-americanos bombardearam aeroportos de diversas cidades cubanas com o objetivo de derrubar a revolução. Um dia depois, quando Fidel Castro anunciou o socialismo para a ilha, Praia Girón, na Bahía dos Porcos, foi invadida por tropas norte-americanas.

Emocionado, o cônsul de Cuba confessa que depois de 50 anos, não imaginava continuar falando da revolução. “Ao longo de todos esses anos, cometemos muitos erros, mas não de princípios. Princípios não são negociáveis. O povo cubano tem o mérito da resistência”, enfatiza. “E mesmo com o bloqueio dos Estados Unidos até hoje, continuamos pensando e atualizando a economia do país”. 

Para a presidente do Centro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz), Socorro Gomes, o significado dessa data se dá, sobretudo, pelo exemplo de libertação contra o imperialismo para todo o continente latino-americano. “Esse fato coloca de forma concreta a possibilidade real da luta emancipatória de um país que conseguiu construir seu terreno próprio com soberania nacional”, explica. 

“Durante esse período, Cuba sofreu todo o tipo de bloqueio, ataques terroristas, golpes, e isso fez com que toda a América Latina tomasse consciência do caráter contra-humanitário do capitalismo estadunidense”, enfatizou Socorro.

Da redação, Fabíola Perez


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Comentário de Luís Otávio em 16 abril 2011 às 23:39

Pelo menos - embora que tardiamente, estão aprendendo algo...

Sinceramente, também espero que se livrem desse entulho ditatorial e jurássico Castrista e que o povo -verdadeiro soberano de qualquer estado - retome as rédeas do poder e venha a escolher seus dirigentes em eleições livres e democráticas... 

Comentário de José Safrany Filho em 17 abril 2011 às 4:37

Para quem, ainda, não sabe, o sistema eleitoral cubano (existe mesmo!) é um dos mais democráticos de quantos existam: é o povo que escolhe os candidados em seus círculos eleitorais, bairro a bairro, cidade a cidade, província a província. Desde o delegado do bairro (equivale ao nosso vereador), passando pelo Poder Popular de Província (nosso Estado) ao federal com o Poder Popular Nacional, é obrigatório haver um mínimo de 2 e até 8 candidados. Em não havendo maioria de 50% acima, há segundo turno e os cargos são revogáveis a qualquer tempo, o voto não obrigatório e cada eleito está obrigado a prestar contas em seu círculo e/ou provícia, nação, a cada 6 meses, etc. O sistema é parlamentar e, eleitos os deputados federais (inclusive Fidel, Raul e todos os demais), estes elegem seus representantes maiores, como presidente, secretário-geral, etc. Sistema similar a muitos países, inclusive europeus, com a diferença de que não há financiamento particular de campanha e outros vícios do sistema ocidental em geral.

Então, insistir nas baboseiras da mídia corporativa e atrelada ao império sobre ditadura e DDHH, segundo o ponto de vista dos que bloqueiam Cuba (e indiretamente a nós) é, apenas, mais uma prova de alienação e ignorância! Se liga! Ou democracia é aquela do baby-bush-2000 e os bilhões para se eleger, financiados pela máquina de guerra e conspiração?

Comentário de Luís Otávio em 17 abril 2011 às 15:10

Tsc, tsc, tsc...

João, que vergonha...

Usando a velha e odiosa técnica do ad hominem?

 

Que feio...

Se liga você! Não seja falastrão e muito menos manipulador!

Você sabe muito bem a que esfera do poder me refiro que quando digo: "que o povo -verdadeiro soberano de qualquer estado - retome as rédeas do poder e venha a escolher seus dirigentes em eleições livres e democráticas... "


Ah, ninguém aquí liga para a sua ignorância e alienação, que  ainda não o permitiu deduzir o óbvio?

Então vou lhe dizer com todas as letras: ELEIÇÕES PARA PRESIDENTE DA REPÚBLICA, O QUE NO SISTEMA CUBANO VALE DIZER QUE É PRÁ REI DE CUBA!!

Comentário de Nonato Pereira em 17 abril 2011 às 22:09

Caro Luis Otávio, o senhor José Safrany escreveu o que de fato acontece. A grande imprensa mente, ela não manipula, ela mente ao falar de ditadura cubana. Têm-se atribuído um monte de adjetivos contra Cuba. Inclusive acadêmicos que têm como suas fontes de informação a grande imprensa e os escribas pagos para escreverem asneiras sobre Cuba.

Ninguém vota para presidente nos USA. Nos USA além de pensamento único os dois partidos disputam para ver quem melhor aplica o pensamento único e há quem, lá e aqui, considere aquilo como a maior manifestação democrática. Lá nos USA e fora deles não pode haver pensamento ou governo discrepante que logo são transformados em Vietnã, Iraque, Líbia, etc.

As mudanças em Cuba seguem um processo dialético, engessar é antidialético e se estava engessado que o gesso seja quebrado.

Aqui no Brasil, Lula ter dois mandatos é ditadura, o Povo Brasileiro queria que ele continuasse, mas como ele tem caráter preferiu respeitar os Institutos Legais. Agora, fhc, o Vagabundo, não só alterou a regra do jogo no final do primeiro tempo como queria um terceiro tempo. Mas isto não seria creditado como golpe e nem ditadura. O que se disse de Fujimore? Nada. E o que se diz de Hugo Chaves? Ditador. Vence todas as eleições e é ditador. 

Um governante pode ter mil mandatos e não ser ditador, mas pode ter um mês de governo e ser um tirano.

Em Honduras não houve golpe, tudo foi dentro da Lei. O que houve então? E o governo do meliante que deu o golpe? Uma ditadura sanguinária e ninguém que acusa Cuba acusou o Leviatã de Honduras. Assim como não acusa a tirania Saud da Arábia.

Independente de qualquer posição teórica pseudo verdadeira, é a prática que afere a veracidade. O resto pé conversa para elefante dormir, deitado.

Comentário de Dalva de Oliveira em 17 abril 2011 às 23:33
Os mal intencionados chamam os grandes lideres de ditadores.Parece inveja. O povo cubano tem garra. Se não quisessem Fidel, ele não estaria lá, há muito tempo. Temos que ter mais respeito pelas decisões de outros povos.
Comentário de Dalva de Oliveira em 17 abril 2011 às 23:35
Comentário de Nonato Pereira em 18 abril 2011 às 0:24

Caríssima "dalva de oliveira", quanta honra. Gostei do comentário e das fotos.

Logo após a tomada do Poder em Cuba, a "imprensa de sempre", só falava em "Paredón". Os Revolucionários chamaram a imprensa do mundo inteiro para testemunhar os legítimos julgamentos dos abutres do regime de Batista. 100.000 pessoas a testemunhar participando do julgamento dos criminosos. Ninguém foi condenado injustamente, nem Santo Tomás d`Aquino diria que alguém foi injustiçado. 

Ocorre que essa gentalha a serviço da minúscula parcela da sociedade, que detêm 60% do PIB, é paga para mentir, porque essa elite não tem coragem e nem se arrisca a uma verdadeira democracia. Fazer um julgamento como o que foi feito em Cuba não é para essa nata parasitária, ela não tem coragem, não tem competência e sabe que "roda". Então é melhor usar a força de forma mascarada.

 

Comentário de Luís Otávio em 18 abril 2011 às 2:10

Caro Nonato,

 

Se é assim; se os Castros são "Ditadores do Bem" e gozam de tanta deferência do povo cubano, qual o medo de lá se realizarem eleições diretas para Presidente?? Qual a dificuldade? Medo do povo mostrar suas reais e soberanas vontades??

 

Se metade do que dizes - acerca do apoio popular e da honradez dos Castro - for minimamente verdade, então não há o que temer pois certamente serão reeleitos para mais 500 anos de poder, no mínimo...

Humm...

 

Penso que a coisa não é assim tão pura e bela...

Comentário de Dalva de Oliveira em 18 abril 2011 às 19:03

A honra é minha, em compartilhar de sua página, Nonato.

Curioso como pessoas não se levantam para condenar o criminoso Batista ou para comparar as duas épocas de Cuba. Como não esbravejam contra as pilhagens e assassinatos de inocentes perpretados pelos EUA e outros países capitalistas. Se fossemos citar aqui ficaríamos repetitivos, todo mundo sabe. As dificuldades que existem em Cuba hoje, são as mesmas triplicadas ou mais em países capitalistas, com vantagem para Cuba, por não terem se curvado aos EUA.

Para que ir até Cuba? podemos ficar no nosso país e gastar toda a nossa indignação com as violações dos direitos aqui mesmo, sem falar na impunidade descarada dos mais poderosos.

Duvidar da capacidade de reagir dos cubanos, caso não lhes agradasse seu regime, é ofender a memória de todos os que tombaram com coragem e dignidade na luta pela libertação da ilha. E mais,  ofende-se a memória de todos os que um dia, em qualquer época e em qualquer país, deram o sangue ou a vida, pelo fortalecimento da justiça social. Ou é um ímpeto de maldade ou só ignorância consentida da História. O sistema político em Cuba e a relação com o povo está bem contado, em muitas páginas da internet, não é mesmo?

Um abraço!

Comentário de Nonato Pereira em 18 abril 2011 às 19:56

Oh, "dalva de oliveira" gostei imensamente do seu comentário. Noam Chomsky diz em um de seus textos que só em 1962, durante o governo Kennedy, os USA fizeram mais de 5.000 ações para assassinar Fidel.

Realmente os USA são o país da liberdade e da democracia. Cinco mil em um único ano.

Mas fiquei desapontado com a retirada do vídeo aí de cima. Imagens belíssimas. Quanta determinação. Isso deve incomodar muita gente.

Vamos em frente.

Um fraterno abraço.

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