Muitos políticos vão cair do Palanque Eletrônico.


Muitos políticos vão cair do Palanque Eletrônico.
A cada dia que passa cresce o número de políticos que criam perfil no twitter, dinamizam seus blogs e sites e comemoram junto ao público conectado a liberação da internet na próxima eleição. Ao que parece inclusive com debates online sem restrições.
Animados com a possibilidade de praticar a comunicação com eleitores e seus apoiadores de forma instantânea, eficaz e com baixíssimo custo alguns estão inclusive freqüentando cursos de introdução as redes sociais e treinando suas equipes para assimilarem a demanda que se aproxima.
Porém afirmo, muitos cairão do palanque eletrônico.
Se eles acham, e muitos deles pensam assim, que os velhos truques de fingir interação com o cidadão vão funcionar no meio digital irão se surpreender com a capacidade que nós temos de expor nossa opinião a respeito deles.
Vai ter político querendo censurar o Google e similares.
Tenho sido consultado por vários deles a respeito das possibilidades da campanha na internet. A minha primeira pergunta é: O que o senhor acha de ter milhares de pessoas na porta da sua casa 24 horas por dia, exigindo sua opinião sobre os mais variados assuntos, questionando seu desempenho como parlamentar ou gestor, cobrando sua votação a respeito de assuntos de que o senhor nem se lembra mais e declarando que não vai votar em você por causa disto ou daquilo?
De Deus me livre a PQP ouvi um bocado de coisas. Até mesmo “eu sabia que esse troço aí não é pra gente, é pra americano”.
Tem mais. Que tal ranking exposto em blogs e sites sendo consultado por vários veículos não digitais sobre o desempenho dos candidatos na internet? Números de acesso, comentários pró, contra, atualizações e qualidade de conteúdo tudo publicado em milhares de jornais e revistas do país, exibidos e comentados em programas de TV e Rádio, região por região, partido por partido, cargo por cargo?
Na eleição de 2008 fiz um trabalho de comunicação política em muitos municípios do Rio de Janeiro. Um deles tinha em torno de 22 mil moradores e 17mil eleitores. O site do candidato a prefeito teve uma média de 890 visitas dias com picos de mais de 1500 visitas nos dias posteriores a comícios e caminhadas. Fotos, vídeos e artigos eram postados na madrugada após os eventos. Uma vez, por conta de uma reunião estratégica que começou 6 da manhã pude mostrar ao grupo político em tempo real o número de acessos entre 7 e 9 da manhã.
No fim da tarde disparamos pelo telemarketing uma pesquisa para medir o conhecimento do assunto abordado na última postagem. Resultado, mais de 40% dos entrevistados que não foram ao comício sabiam do tema tratado no site, (vi na internet – 35,8% – viram na internet e me contaram 42,4% – foram ao comício e me contaram 13,1% – não lembro onde soube 3,2% – NR 8,7%) isso numa cidade onde o número de conexões internet instalado não chegava a 25% da telefonia fixa que por sua vez cobria apenas 60% da cidade. A partir da internet surgia um boca a boca na cidade.
Quando eu apresento os gráficos deste capítulo da minha ação profissional nas últimas eleições e reafirmo que o sucesso dessas campanhas na internet foi conseguido pelo conteúdo bem desenvolvido dentro de uma linha de comunicação adequada, somente os conseqüentes, de opinião, de leis, projetos e realizações continuam animados.
Os que vivem politicamente do assistencialismo, do fisiologismo, do uso da máquina pública como favor e os que têm ficha suja e passado que querem esconder começam a verificar que provavelmente a internet será um obstáculo a mais para sua eleição.
Porque ao contrário dos panfletos e jornais de campanha de conteúdo reduzido com pouca informação e pequena vida útil, a informação na internet é dinâmica e constante. Para o bem e para o mal.
Ao invés dos segundinhos no espremido horário eleitoral nossos candidatos terão ao seu dispor espaço para vídeos reportando as suas ações e expondo suas promessas.
Quem não tem o que mostrar e o que dizer e nem disposição para o debate terá de fugir deste meio e sua ausência será notada.
Talvez o melhor indicador sobre o que nos espera na próxima campanha seja o fato de dois grandes partidos brasileiros disputarem a contratação da equipe que trabalhou para o Obama. Tudo indica que um deles conseguiu.
Quem observar hoje o trabalho que vem sendo feito pelo marinasilvapresidente.org poderá ter uma idéia da dimensão que esta ferramenta pode alcançar.
Plataformas e softwares farão parte do linguajar de assessores e coordenadores de campanha.
Marketing digital, SEO, Hits, upload, Pageviews. Um mundo novo para nossos políticos junto com os tradicionais cabos eleitorais e líderes comunitários.
Eleitores comentarão que deram retweet no conteúdo de seu candidato.
Frases como essa serão comuns. “Adiciona meu candidato, você vai gostar tem vários links do seu trabalho.”
“Cuidado, tem um fake do meu candidato espalhando boato no twitter.”
O Instituto Informa do sociólogo @fabiogomes_ fez recentemente uma pesquisa nacional sobre hábitos na internet dos jovens das classes ABC. Uma matéria sobre os resultados já saiu no O Globo e após a “quarentena” que toda pesquisa tem ele me concederá uma entrevista no twitter sobre o assunto. (vai ser aberta a todos que quiserem participar e um belíssimo exercício de perguntar e responder em 140 toques) Vou adiantar um dado qualitativo que chamou muito atenção da equipe do Informa e da Binder, agência que participou do empreendimento. A interação dos jovens com suas marcas preferidas na internet.
Dá pra imaginar essa relação no caso das militâncias partidárias, políticas e simpatizantes espontâneas.
Por não se prepararem ou não ter o que apresentar muitos candidatos irão cair dos seus palanques eletrônicos, outros nem conseguirão subir.
Para aqueles que ainda têm dúvida das possibilidades, dos prós e contras recomendo este vídeo curto. http://www.youtube.com/watch?v=LCec4Vpf6cE
Luiz Barbosa Neves

Exibições: 98

Comentário de moacir oliveira em 30 setembro 2009 às 19:05
Muito bem! Que venham os políticos.Nós aguardamos aqui.
Comentário de luiz barbosa neves em 30 setembro 2009 às 19:34
Com a devida atenção e paciência.

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