Como o tempo, o futuro presta-se a todo tipo de investigação, a começar pela filosofia estóica: “Só temos o presente a suportar. Nem passado, nem futuro podem nos afligir, uma vez que um não existe mais e o outro não existe ainda”. Ou, mais atualmente: “A verdadeira generosidade para com o futuro consiste em dar tudo ao presente” (Albert Camus). Enfim, para continuar no século que passou (quem poderia afirmar com mais autoridade?): “Eu nunca penso no futuro. Ele não tarda a chegar” (Einstein). Entre tantos pensadores, Santo Agostinho, que se dedicou especialmente ao tempo: “O futuro não existe, quem o nega? Apesar disso, sua espera já está no nosso espírito”. Contudo – apesar de todas essas passagens, por parte de pensadores tão distintos –, o tema continua a inquietar; contudo, tanto se fala dele, o futuro; isso, em boa parte, porque: “O objeto próprio, único e perpétuo do pensamento é: ‘o que não existe’”, o que começa a dizer desse futuro “que não é mais o que era” ou que só se pode ver, revendo e prevendo.
Ver, rever, prever – eis o desafio, analítico, sintético e abstrato, em meio a um mundo que só oferece fatos e mais fatos, que mais confundem do que informam; que é fundamentalmente técnico – psicologia, lógica, politologia, robótica, estatística, cibernética – e, portanto, quer abolir o valor da experiência.




