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MUTAÇÕES: O Futuro Não é Mais o que Era

MUTAÇÕES: O Futuro Não é Mais o que Era

(Obs. para o Brasil e para o mundo online: em 2011 as palestras proferidas no Rio de Janeiro, foram online pelo site da ABL: www.academia.org.br, creio, espero, que devem continuar, confiram).

Como o tempo, o futuro presta-se a todo tipo de investigação, a começar pela filosofia estóica: “Só temos o presente a suportar. Nem passado, nem futuro podem nos afligir, uma vez que um não existe mais e o outro não existe ainda”. Ou, mais atualmente: “A verdadeira generosidade para com o futuro consiste em dar tudo ao presente” (Albert Camus). Enfim, para continuar no século que passou (quem poderia afirmar com mais autoridade?): “Eu nunca penso no futuro. Ele não tarda a chegar” (Einstein). Entre tantos pensadores, Santo Agostinho, que se dedicou especialmente ao tempo: “O futuro não existe, quem o nega? Apesar disso, sua espera já está no nosso espírito”. Contudo – apesar de todas essas passagens, por parte de pensadores tão distintos –, o tema continua a inquietar; contudo, tanto se fala dele, o futuro; isso, em boa parte, porque: “O objeto próprio, único e perpétuo do pensamento é: ‘o que não existe’”, o que começa a dizer desse futuro “que não é mais o que era” ou que só se pode ver, revendo e prevendo.
Ver, rever, prever – eis o desafio, analítico, sintético e abstrato, em meio a um mundo que só oferece fatos e mais fatos, que mais confundem do que informam; que é fundamentalmente técnico – psicologia, lógica, politologia, robótica, estatística, cibernética – e, portanto, quer abolir o valor da experiência.

SESC SP


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Tags: Adauto_Novais, Mutações, SESCSP

Comentário de Oswaldo Conti-Bosso em 28 julho 2012 às 15:11


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Prezados,
Estou na coxia do pensamento, no aquecimento e preparação do espírito para possíveis novos “pontos de mutações”, aleatórios, ao acaso, “fé na incerteza”, na vida e jornada:

“Nada, em rigor, tem começo e coisa alguma tem fim”, Guimarães Rosa.

“A clarividência é uma virtude que se adquire pela intuição, mas sobretudo pelos estudos, tentar ver a partir do presente, o que se projeta no futuro.”
Milton Santos: O mundo global visto do lado de cá.

Escreveu EPICURO a Meneceu (há mais de XX séculos):
“Quando ao destino, que alguns consideram o senhor de tudo, o sábio ri-se dele. De fato, mais vale ainda aceitar o mito sobre os deuses do que se sujeitar ao destino dos físicos. Pois o mito nos deixa a esperança de nos conciliarmos com os deuses através das honras que nós lhe rendemos, ao passo que o destino tem um caráter de necessidade inexorável.”

O DILEMA DE EPICURO
(…) As questões,…, O universo é regido por leis deterministas? Qual o papel do nosso tempo? – foram formuladas pelos pré-socráticos na aurora do pensamento ocidental. Elas nos acompanham já há dois mil anos e quinhentos anos. Hoje, os desenvolvimentos da Física e das Matemáticas do caos e da instabilidade abrem um novo capítulo nessa longa história. Atualmente percebemos esses problemas sob um novo ângulo. Podemos a partir de agora evitar as contradições do passado.
Foi Epicuro o primeiro a estabelecer os termos do dilema a que a física moderna conferiu o peso de sua autoridade. Sucessor de Demócrito, ele imaginava o mundo constituído por átomos em movimento vazio. Pensava que os átomos caiam todos com a mesma velocidade, de acordo com trajetórias paralelas. Como podiam, então, entrar em colisão? Como podia aparecer a novidade, uma nova combinação de átomos? Para Epicuro, o problema da ciência, da inteligibilidade da natureza e o do destino dos homens eram inseparáveis. Que podia significar a liberdade humana no mundo determinista dos átomos?
(…)
Embora os físicos de que fala Epicuro sejam os filósofos estóicos, esta citação soa de maneira espantosamente moderna! Repetidas vezes, os grandes pensadores da tradição ocidental como Kant, Whitehead ou Heidegger, defenderam a existência humana contra uma representação objetiva do mundo que ameaçava o seu sentido. Mas nenhum deles conseguiu propor uma concepção que satisfizesse as paixões contrárias, que reconciliasse nossos idéias de inteligibilidade e de liberdade.
(O Fim das Certezas, Ilya Prigogine, 1996. p:17-18.)

O PARADOXO DO TEMPO
(…) “o senso comum tende a afirmar ‘que todo evento é causado por uma evento que o precede, de modo que se poderia predizer ou explicar qualquer evento… Por outro lado, o senso comum atribui às pessoas sadias e adultas a capacidade de escolher livremente entre várias vias de ação distintas..’. Está tensão no interior do senso comum traduz-se no pensamento ocidental por um problema maior, que William James chamou de “dilema do determinismo”. Este dilema tem como desafio nossa relação com o mundo e particularmente com o tempo. O futuro é dado ou está em perfeita construção? É uma ilusão a crença em nossa liberdade? É uma verdade que nos separa do mundo? A questão do tempo está na encruzilhada do problema da existência e do conhecimento. O tempo é a dimensão fundamental de nossa existência, mas está também no coração da física, pois foi a incorporação do tempo no esquema conceitual da física galeana o ponto de partida da ciência ocidental. Por certo, este ponto de partida é um trunfo do pensamento humano, mas está também na origem do problema que constitui o objeto deste livro. Sabe-se que Einstein afirmou muitas vezes que o “tempo é uma ilusão”. E, de fato, o tempo tal qual foi incorporado nas leis fundamentais da física, da dinâmica clássica newtoniana até a relatividade e a física quântica não autoriza nenhuma distinção entre passado e o futuro. Ainda hoje, para muito físicos, esta é um verdadeira profissão de fé: em termos da descrição fundamental da natureza, não há flecha do tempo.
E no entanto, em toda parte, na química, na geologia, na cosmologia, na biologia, ou nas ciências humanas, o passado e o futuro desempenham papéis diferentes. Como poderia a fecha do tempo emergir de um mundo a que a física atribui uma simetria temporal?
Este é o paradoxo do tempo, que transpõe para a física o “dilema do determinismo”. O paradoxo do tempo está no centro deste livro. O paradoxo do tempo só foi identificado tardiamente, na segunda metade do século XIX, graças aos trabalhos do físico vienense Ludwig Boltzmann. Ele acreditara poder seguir o exemplo de Charles Darwin na biologia e fornecer uma descrição evolucionista dos fenômenos físicos. Sua tentativa teve como efeito pôr em evidência a contradição entre as leis da física newtoniana, baseadas na equivalência entre futuro e passado. Na época, as leis da física newtoniana eram aceitas como a expressão de um conhecimento ideal, objetivo e completo. Já que as leis afirmavam a equivalência entre passado e futuro, toda tentativa de conferir um significado fundamental á fecha do tempo aparecia como uma ameaça contra esse ideal. A situação não mudou hoje. Assim muitos físicos consideram a mecânica quântica no campo da microfísica, como a formulação definitiva da física, assim como os físicos da época de Bolztmann julgavam definitivas as leis da física newtoniana. Por isso, a questão permanece: como incorporar a fecha do tempo sem destruir essas construções grandiosos do espírito humano?
Desde a época de Boltzmann, a fecha do tempo foi, portanto, relegada ao domínio da fenomenologia. Nós, humanos, observadores limitados, seríamos responsáveis pela diferença entre passado e futuro. Esta tese, que reduz a fecha do tempo ao caráter aproximado de nossa descrição da natureza, ainda é defendida na maior parte dos livros recentes. Outros autores renunciam a pedir às ciências a chave do mistério insolúvel que constituiria o surgimento da fecha do tempo. Ora, desde Boltzmann, a situação mudou profundamente. O desenvolvimento espetacular da física de não-equilíbrio e da dinâmica dos sistemas instáveis associados à ideia de caos força-nos a revisar a noção de tempo tal como é formulada por Galileu.
De fato, ao longo das últimas décadas, nasceu uma nova ciência, a física dos processos de não-equilíbrio. Esta ciência levou a conceitos novos, como a auto-organização e as estruturas dissipativas, que são hoje amplamente utilizados em áreas que vão da cosmologia, até a ecologia e as ciências sociais, passando pela química e pela biologia. A física de não-equilíbrio estuda os processos dissipativos caracterizados por um tempo unidirecional, e, com isso, a fecha do tempo estava associada a processos muito simples, como a difusão, o atrito, a viscosidade. Podia-se concluir que esses processos eram compreensíveis com o auxilio simplesmente das leis da dinâmica. O mesmo não ocorre hoje em dia. A irreversibilidade não aparece mais apenas em fenômenos novos, como a formação dos turbilhões, das oscilações químicas ou da radiação laser. Todos esses fenômenos ilustram o papel construtivo fundamental da fecha do tempo. A irreversibilidade não pode mais ser identificada como uma mera aparência que desapareceria se tivéssemos acesso a um conhecimento perfeito. Ela é uma condição essencial de comportamento coerentes em populações de bilhões de bilhões de moléculas. Segundo uma frase que gosto de repetir: a matéria é cega ao equilíbrio ali onde a fecha do tempo não se manifesta, longe do equilíbrio, a matéria começa a ver! Sem a coerência dos processos irreversíveis de não-equilíbrio, o aparecimento da vida na Terra seria inconcebível. A tese de que a fecha do tempo é apenas fenomenologia tornar-se absurda. Não somos nós que geramos a fecha do tempo. Muito pelo contrário, somos seus filhos.
O segundo desenvolvimento á revisão do conceito de tempo na física foi o dos sistemas dinâmicos instáveis. A ciência clássica privilegiava a ordem, a estabilidade, ao passo que em todos os níveis de observação reconhecemos agora o papel primordial das flutuações e da instabilidade. Associadas a essas noções, aparecem também as escolhas múltiplas e os horizontes de previsibilidade limitada. Noções como a de caos tornaram-se populares e invadem todos os campos da ciência, da cosmologia à economia. Mas, como mostraremos neste livro, os sistemas dinâmicos clássicos instáveis levam também a uma extensão da dinâmica clássica e da física quântica e, a partir daí, a uma formulação nova das leis fundamental da física. Esta formulação quebra a simetria entre passado e futuro que a física tradicional afirmava, inclusive a mecânica quântica e a relatividade. Esta física tradicional unia conhecimento completo e certeza: desde que fossem dadas condições iniciais apropriadas, elas garantiam a previsibilidade do futuro e a possibilidade de retrodizer o passado. Desde que a instabilidade é incorporada, a significação das leis da natureza ganha uma novo sentido. Doravante, elas exprimem possibilidades.
(…) Como já ressaltamos, tanto na dinâmica clássica quanto na física quântica, as leis fundamentais exprimem agora possibilidades e não mais certezas. Temos não só leis, mas também eventos que não são dedutíveis das leis, mas atualizam as suas possibilidades.
(…) Chegamos aí às fronteiras de nosso conhecimento, numa área em que raciocínio físico e especulação dificilmente se demarcam. Sem dúvida, é prematuro falar de demonstração ou prova, mas é interessante analisar as possibilidades conceituais…
(…)E satisfatório o fato de que, mesmo em suas fronteiras, a física possa afirmar o caráter primordial da fecha do tempo, mas o essencial de nossa tarefa continua sendo a formulação das leis da natureza em que se situa principalmente o nosso diálogo experimental, a área das baixas energias, a da física macroscópica, da química e da biologia. É exatamente aí que se atam os laços que unem a existência humana à natureza.
A questão do tempo e do determinismo não se limita às ciências, mas está no centro do pensamento ocidental desde a origem do que chamamos de racionalidade e que situamos na época pré-socrática. Como conceber a criatividade humana ou como pensar a ética num mundo determinista? Esta questão traduz uma tensão profunda no interior da nossa tradição, que se pretende, ao mesmo tempo, promotora de um saber objetivo e afirmação do ideal humanista de responsabilidade e liberdade. A democracia e as ciência modernas são ambas herdeiras da mesma história, mas essa história levaria a uma contradição se as ciências fizessem triunfar uma concepção determinista da natureza, ao passo que a democracia encarna o ideal de uma sociedade livre. Considerarmo-nos estrangeiros à natureza implica um dualismo estranho à aventura das ciências, bem como à paixão de inteligibilidade própria do mundo ocidental. Essa paixão consiste, segundo Richard Tarnas, em “reencontrar sua unidade com as raízes de seu ser”. Pensamos situar-nos hoje num ponto cricial dessa aventura no ponto de partida de uma nova racionalidade que não mais identifica ciência e certeza, probabilidade e ignorância.
Neste fim de século, a questão da ciência é muitas vezes colocada. Para alguns, como Stephen Hawking em sua “Breve história do tempo” (1988), estamos próximos do fim, do momento em que seremos capazes de decifrar o pensamento de Deus. Creio, pelo contrário, que estamos apenas no começo da aventura. Assistimos ao surgimento de uma ciência que não mais se limita a situações simplificadas, idealizadas, mas nos põe diante da complexidade do mundo real, uma ciência que permite que se viva a criatividade humana como a expressão singular de um traço fundamental comum a todos os níveis da natureza.
Tentei apresentar esta transformação conceitual, que implica a abertura de um novo capítulo na fecunda história das relações entre física e matemática, sob uma forma legível e acessível a todo leitor interessado na evolução de nossas ideias sobre a natureza… (…) Embora este livro seja fruto de décadas de trabalho, estamos apenas no início deste novo capitulo da história de nosso diálogo com a natureza. Mas o tempo de vida de cada um de nós é limitado, e decidi apresentar os resultados como eles existem hoje. Não é à visita de um museu de arqueologia que o leitor está convidado, mas sim a uma excursão por uma nova ciência em evolução.”
(Ilya Prigogine, O fim das certezas, 1996. Cap. I, p:9-15).

The Unselfish Gene, Yochai benkler, 2011:
The Wall Street Game x Community Game
The Leviatã (T. Hobbes e A. Smith) x Penguim (J. J. Rousseau e D. Hume)

Tradução livre:
(…) “Se você deseja, como eu, construir uma sociedade em que os indivíduos cooperem generosamente e sem egoísmo para o bem comum, você pode esperar uma pequena ajuda da natureza biológica. Vamos tentar ensinar generosidade e altruísmo, porque nós nascemos egoístas….”.
(Richard Dawkins. O Gene Egoísta- The Selfish Gene, 1976).

(…) “talvez o aspecto mais notável da evolução é a sua capacidade de gerar cooperação em um mundo competitivo. Assim, poderíamos acrescentar ‘Cooperação Natural’ como o terceiro princípio fundamental da evolução, ao lado de mutação e seleção natural”. Martin Nowak, Science Magazine, 2006.

“Vivemos em um mundo construído por uma motivação humana em torno de modelos enganosos, incorretos. Temos quatro décadas de refinamento requintado de sistemas a partir de nossos locais de trabalho, para um sistema bancário, para as nossas estruturas de rede, que são todos construídos em torno desse núcleo e fundamental erro, …., o erro básico não é que às vezes temos interesses-próprio, isso é correto, o erro básico é a ideia de que podemos corretamente modelar e construir nossos sistemas assumindo que faremos isso muito bem, e desenhando nossos sistemas se for construído de acordo com um modelo que assume que parte de nossa racionalidade é interesse-próprio, que estaremos nos aproximamos de quem somos, ao dizer que somos ‘mais ou menos uniforme’ e ‘ mais ou menos auto-interessado’, nós não estaremos indo muito errado,….”

Inglês:
(…) “If you wish, as I do, to build a society in which individuals cooperate generously and unselfishly towards a common good, you can expect little help from biological nature. Let us try to teach generosity and altruism, because we are born selfish”
(O Gene Egoísta – The Selfish Gene, Richard Darwkins, 1976).

(…) “perhaps the most remarkable aspect of evolution is its ability to generate cooperation in a competitive world. Thus, we might add ‘natural cooperation’ as a third fundamental principle of evolution beside mutation and natural selection.”
(Martin Nowak, Science Magazine, 2006).

“We live in a world build around a mistaking model of a human motivation. We have a four decades of exquisite refinement of systems from our work places to a banking systems to our networking structures that are all build around this core fundamental error…., and that basic error is not we are sometimes self-interest, that is correct, that basic error as the idea that we can properly modeling and build our systems on assuming that we will do well enough and design our systems if we build them according to a model that assumes that part of our rationality is self-interest, that we approximate who we are by say that we are more or less uniformly, more or less self interested, we will not go too wrong….”
-Unselfish ;Gene, 2011
-The Penguin and the Leviathan: How Cooperation Triumph over Self-Interest
-Vídeo: In new book, Benkler makes the case for “prosocial” systems design, 19-10-2011: http://www.law.harvard.edu/news/spotlight/faculty-research/benkler-...
(No youtube: http://www.youtube.com/watch?v=dPbE3WieoUo).

Tradução live, Paul Valery:
“Todas as nações que pensávamos ser sólidas, todos os valores da vida civilizada, tudo o que fez para a estabilidade nas relações internacionais, tudo o que fez a regularidade na economia. . . em uma palavra, tudo o que tende feliz para limitar a incerteza do amanhã, tudo o que deu às nações e indivíduos alguma confiança no amanhã. . . tudo isso parece muito comprometida. Tenho consultado todos os sinais que eu poderia encontrar, de cada espécie, eu tenho ouvido apenas palavras vagas, profecias contraditório, garantias curiosamente fraca. Nunca a humanidade combinou tanto poder com tanta desordem, tanta ansiedade com tantos brinquedos, tantos conhecimentos com tanta incerteza “.

“All the nations we thought solid, all the values of civilized life, all that made for stability in international relations, all that made for regularity in the economy . . . in a word, all that tended happily to limit the uncertainty of the morrow, all that gave nations and individuals some confidence in the morrow . . . all this seems badly compromised. I have consulted all the augurs I could find, of every species, and I have heard only vague words, contradictory prophecies, curiously feeble assurances. Never has humanity combined so much power with so much disorder, so much anxiety with so many playthings, so much knowledge with so much uncertainty”.
(Paul Valery, “Historical Fact”, 1932, The Art of the Long View, 1996 p. xviii).

“The Future is uncertain…. but this uncertainty is at very heart of human creativity”
(O futuro é incerto …. mas esta incerteza está no coração da criatividade humana)
Ilya Prigogine

Sds,

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