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Não entendi essa manifestação do PT contra Haddad

Alguém pode explicar?

Em discurso, Gleisi evita mencionar a candidatura de Haddad

Senadora participou de seminário promovido pela Fundação Perseu Abramo

14.set.2018 

 

Patrícia Campos Mello

FOLHA DE SÃO PAULO

Em seminário internacional promovido pela Fundação Perseu Abramo, centro de estudos do PT, o candidato do partido à Presidência, Fernando Haddad, foi virtualmente ignorado.

Em discurso de 10 minutos na abertura do seminário “Ameaças à democracia” a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, não citou nem uma única vez Haddad, que substituiu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na chapa do partido nesta terça-feira (11).

“Lutamos até o último minuto para que nossa suprema corte revisse esse processo injusto (que impediu Lula de concorrer), mas não conseguimos”, disse Gleisi. “Tanto o Lula quando o PT avaliaram que iríamos substituir a candidatura de Lula e concorrer às eleições”, disse ela, sem se referir à candidatura de Haddad, que estava em agenda de campanha no Rio.

A presidente da legenda afirmou que o fato de Lula não participar das eleições já desestabiliza o processo porque, segundo ela, uma parcela grande da população não poderá exercer livremente seu direito de voto.

“Não estamos totalmente certos de que essa eleição ocorra em ambiente normal, vai depender muito do desempenho que o PT vai ter.”

A filósofa Marilena Chauí, uma das fundadoras do PT, citou Haddad apenas de forma indireta e, mesmo assim, para criticá-lo.

Falando sobre os acontecimentos que desencadearam as manifestações de 2013, Marilena lembrou de uma reunião de que participou com “o prefeito” (que era Haddad na época) e membros do Movimento Passe Livre, que pedia redução das tarifas de ônibus. Na reunião, segundo ela, havia sido votado a favor de não se elevar a tarifa de ônibus.

"Mas o secretário de Transportes [secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto] resolveu aumentar as tarifas mesmo assim", disse Marilena.

O seminário, organizado pelo ex-ministro de Relações Exteriores Celso Amorim (2003-2010), reuniu ex-líderes mundiais como o ex-premiê francês Dominique Villepin, o ex-primeiro-ministro italiano Massimo D’Alema e o ex-primeiro ministro espanhol José Luis Rodriguez Zapatero, além do linguista americano e ídolo da esquerda Noam Chomsky. Todos criticaram o processo judicial que mantém Lula preso em Curitiba e o impede de concorrer à Presidência.

D’Alema, que visitou Lula na prisão em Curitiba na quinta-feira (13), afirmou que Lula “está um pouco mais magro, e machucado por seu julgamento injusto, mas não está fundamentalmente diferente”. “Lula continua com a mesma visão, a mesma determinação lúcida, e falou mais sobre a fome no mundo do que sobre seus problemas.”

Coube ao ex-líder espanhol José Luis Rodriguez Zapatero pedir à plateia de intelectuais ligados ao PT apoio à candidatura de Haddad.

Zapatero citou Haddad, a quem chamou de Fernando, dizendo estar otimista e acreditar que o próximo presidente do Brasil será do PT. A plateia, que havia aplaudido em vários outros momentos, ficou silenciosa.

“Eu sei o que significou para vocês o presidente Lula não poder ser candidato, sei o que vocês sentem”, disse Zapatero. “Mas vocês têm que acatar [o pedido de Lula] e apoiar seu candidato, assim Lula ficará onde ele deveria estar e estarão fazendo um grande serviço para a democracia.”

No final, participantes puxaram um coro Lula Livre e se levantaram, enquanto alguns poucos, depois, entoaram um breve "Haddad presidente".

 

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