"NÃO". QUANDO A PROPAGANDA NÃO FAZ MAIS EFEITO PARA IMPEDIR A LIBERDADE DO HOMEM

O primeiro-ministro da Turquia, Tayyip Erdogan, afirmou hoje (30) a uma multidão de refugiados sírios que o país deles se prepara para um "nascimento sagrado". Erdogan visitou os campos de refugiados na Turquia que abrigam 150 mil sírios e disse às pessoas que elas podem considerar a Turquia um "segundo lar" e que ajuda estava à disposição. "Podemos ver muito claramente que a ajuda de Deus está perto. Não esqueçam que a vitória vem para aqueles que são pacientes", disse o primeiro-ministro turco ao lado de Moaz Alkhatib, líder da Coalizão Nacional Síria, grupo de oposição ao atual governo sírio reconhecido por Ancara. A declaração de Erdogan ocorre no mesmo dia em que o enviado especial da ONU e da Liga Árabe para a Síria, Lakhdar Brahimi, anunciou uma nova proposta para tentar solucionar o conflito no país. Em entrevista coletiva no Cairo, Brahimi destacou que o plano "contém bases válidas para o lançamento de um processo de paz" e inclui um cessar-fogo, a formação de um governo "com todos os poderes" e a convocação de eleições para escolher o sucessor de Bashar al Assad e um sistema parlamentar. O mediador internacional afirmou que seu projeto conta com o apoio da maioria dos países da região, dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas e do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. "Participaram dessa proposta os países da região, exceto a Arábia Saudita e o Irã", acrescentou Brahimi, que teve hoje um encontro com o secretário-geral da Liga Árabe, Nabil al Araby, para informá-lo sobre seus últimos contatos. "O problema é que as partes não estão falando entre si, mas uns contra os outros; por isso é necessária a ajuda externa para nos assegurar de que elas falam sobre o mesmo tema", prosseguiu Brahimi ao analisar sua passagem pela Síria, realizada na última semana. Além disso, ele criticou a falta de ação do Conselho de Segurança da ONU e advertiu "o mundo estará ameaçado" se a crise síria não for resolvida nos próximos meses. “O país seria transformado em um inferno", alertou. Em Moscou, ao lado chanceler russo Serguei Lavrov, Brahimi disse que “a mudança do poder não irá necessariamente regular a crise na Síria”. Um dia depois da reunião, o Kremlin anunciou hoje o envio de mais uma embarcação para o porto de Tartus, na Síria, que funcionou como centro soviético nos tempos da Guerra Fria. "Ontem, o Novocherkassk pôs a bordo uma unidade de Infantaria da Marinha e várias unidades de tecnologia militar. Amanhã atravessará os estreitos de Bósforo e Dardanelos para entrar no mar Egeu em 1º de janeiro e se reunir com os navios de guerra da Frota do mar Negro", disse o militar russo. O navio russo Novocherkassk se unirá no Egeu a outros cinco navios embarcações da frota do mar Negro: os navios de desembarque Azov e Nikolai Filchenkov, que zarparam nesta semana de Novorossiysk; o cruzeiro porta-mísseis Moscou; a fragata Smetliviy e o cargueiro Ivan Bubnov. Outra pequena frota integrada por cinco navios da frota russa do Báltico zarparam rumo à Síria em meados de dezembro: os navios de desembarque Kaliningrado e Aleksandr Shabalin, a fragata Yaroslav Mudri e dois navios de apoio. A estes navios de guerra pode se unir em águas da Síria outra pequena frota, a do mar do Norte, já que o Estado-Maior russo anunciou uma grande operação conjunta da Armada da Rússia no Mediterrâneo oriental, com a participação de três das quatro frotas russas. Segundo fontes militares e diplomáticas russas, Moscou tem tudo pronto para iniciar uma ampla operação para retirar os cidadãos russos do país árabe em caso de um aumento do conflito. O Novocherkassk tem capacidade para transportar 225 militares e 10 tanques. Já o governo encomendou anteontem aos EUA mísseis "ar-ar" AIM-9X-2 Sidewinder no total de US$ 140 milhões. Se o pedido for aprovado pelo Congresso, a Turquia receberá 117 mísseis AIM-9X-2 Block II, seis munições de treinamento e seis sistemas de orientação tática. Enquanto isso, os dois lados do conflito comemoram pontos estratégicos ao mesmo tempo que a população protesta, inclusive crianças (acima). Ontem, o Exército sírio assumiu o controle de um bairro de Homs, grande cidade do centro do país. "O Exército executa há vários dias uma ofensiva contra o bairro de Deir Baalbeh (norte da cidade), com intensos bombardeios, combates contínuos e repetidos ataques, provocando a retirada dos rebeldes", afirma um comunicado do Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), com sede em Londres. Na véspera, o Exército Livre Sírio (ELS), de oposição a Assad e apoiado pelo Ocidente, ocupou a cidade de Basr al Harir, na província sulina de Deraa, após duros confrontos contra as forças leais a Bashar al-Assad. No mesmo dia a agência de notícia AFP divulgou que dois generais da aviação síria desertaram para se refugiar na Turquia engrossando a fila de centenas de militares que desertaram. 

O primeiro-ministro do Egito, Hesham Kandil, disse hoje (30) que seu país vai retomar em janeiro as conversas com o Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre um empréstimo de US$ 4,8 bilhões. A negociação tinha sido suspensa neste mês por causa da turbulência política relacionada com a Constituição recém-adotada. O Egito luta contra um déficit orçamentário paralisante e uma redução das reservas internacionais. Hoje foram publicados no país dados pouco animadores sobre o estado das reservas em ouro e divisas do país. No período posterior à revolução, elas diminuíram mais de metade e constituem agora US$15 bilhões, um montante inferior ao ponto crítico, que mal chegará para 3 meses de pagamento das mercadorias importadas. O atual governo do Egito impôs um controle duro sobre a compra e venda de divisas. O Banco Central, contudo, pretende prosseguir a política de apoio à libra egípcia. Segundo analistas, a maioria dos gastos de divisas por parte do Estado visou precisamente este objetivo. Mas as autoridades não querem desistir do controle dos preços do pão e dos combustíveis. O primeiro-ministro do Egito, Hisham Qandil, negou hoje que o país esteja “em quebra” apesar dos graves problemas que sua economia atravessa, em particular o alto déficit fiscal. Em entrevista coletiva, ele ressaltou a necessidade de tomar medidas para minimizar esse déficit, incluindo a aprovação ainda pendente de um empréstimo de US$ 4,8 bilhões do FMI, a luta contra a corrupção e uma melhor aplicação dos subsídios. 'Os subsídios devem chegar aos necessitados, e os mais afortunados não se negam que sejam adotadas medidas para conseguí-lo', afirmou Qandil. Além disso, ele reconheceu que os últimos 'problemas no campo político influíram de forma negativa na economia', o que motivou a suspensão das conversas com o FMI e uma queda no turismo. Qandil garantiu que os preços dos produtos básicos como o pão e a gasolina não vão aumentar. Na entrevista coletiva, o premier anunciou a chamada 'Iniciativa nacional para o avanço econômico', cujo objetivo é abrir um diálogo entre o governo e os diversos setores sobre os planos econômicos necessários para que o país saia da crise. “O objetivo da iniciativa é chegar a um plano nacional, porque estamos em uma etapa excepcional e transitória na qual deve haver um consenso”, disse o chefe de Governo egípcio. “Há uma forte luz no final do túnel. Há um plano e uma visão para sair deste túnel, cuja extensão depende de nosso trabalho, produção e estabilidade política”, acrescentou. Ontem, o presidente egípcio, Mohamed Mursi disse que o país apoia a revolução síria e que o regime de Bashar Assad não tem lugar no futuro da nação. Ele afirmou que a prioridade do Egito é conter a violência e trabalhar com "consenso e apoio árabe, regional e internacional" para uma solução política que permita que "o povo sírio substitua o atual regime" por líderes eleitos. "Tudo isso, preservando a unidade da Síria", afirmou o islamita Mursi durante um discurso televisionado ao Conselho Shura, equivalente ao Senado. "Não há lugar para o atual regime no futuro da Síria”, disse o presidente. Do lado de fora houve novos confrontos entre as tropas egípcias e manifestantes de oposição (acima). "A revolução do povo sírio, que nós apoiamos, avançará, se Deus quiser, para realizar as metas de liberdade, dignidade e justiça social", acrescentou. No mesmo discurso, Mursi disse que a nova Constituição, que divide o país há semanas, garantirá a igualdade de direitos para todos. "Todos são iguais perante a lei e nesta Constituição", disse o presidente islamita sobre o texto elaborado por uma comissão dominada por seu partido e validada há uma semana por referendo, prometendo "a liberdade para todos, sem exceção". Durante o referendo celebrado nos dias 15 e 22 de dezembro, no qual apenas um terço dos eleitores foram às urnas, os egípcios aprovaram por cerca de 64% dos votos a nova lei. O presidente pediu aos parlamentares que trabalhem de forma séria e colaborem "com o governo e as forças políticas e sociais para preparar as leis da próxima legislatura". A Constituição confia o poder legislativo ao Senado, dominado pelos islamitas, até que se celebrem novas eleições legislativas previstas em um prazo de dois meses. Contudo, a oposição considera que a Constituição abre a via a uma crescente islamização da legislação e não oferece suficientes garantias aos direitos das mulheres e a às liberdades de expressão e de culto. Na vizinha Líbia, que também passou pela “Primavera Árabe” que derrubou o ditador Muamar Kadafi, duas pessoas morreram e duas ficaram feridas numa explosão ocorrida hoje numa igreja cristã copta perto da cidade de Misrata, 200 km a leste de Trípoli. Segundo a agência de notícias AFP, a bomba foi lançada dentro do local de culto pouco depois do meio-dia durante uma missa. Um diplomata egípcio disse que a explosão ocorreu numa igreja de Dafnia, na província de Misrata. "O cônsul (do Egito) foi imediatamente a Misrata para tomar conhecimento dos detalhes. Ainda não temos informações claras", acrescentou. Pouco antes, uma autoridade de segurança de Misrata havia anunciado o registro de um morto e três feridos, todos egípcios, na explosão na igreja. Segundo o diplomata egípcio, um dos feridos morreu no hospital. 

Uma pesquisa de opinião divulgada hoje (30) mostra que o líder de centro-esquerda Pier Luigi Bersani é o favorito entre os italianos para liderar o próximo governo, seguido em segundo e terceiro lugares pelos ex-primeiro-ministros Mario Monti e Silvio Berlusconi. Bersani marcou 36,2%, enquanto Monti tem 23,3% e Berlusconi tem 21,8%, mostrou a pesquisa realizada pelo instituto de pesquisa eleitoral CISE para o diário "Il Sole 24 Ore". A pesquisa com 1.309 italianos foi realizada entre 22 de dezembro e 28 de dezembro. Ontem, ao chegar à estação de trem de Milão, o ex-premiê italiano Silvio Berlusconi reprovou o plano do atual primeiro-ministro italiano, Mario Monti, de liderar uma aliança centrista na eleição de fevereiro, acusando-o de conluio com partidos de esquerda (acima). "Esse grupo foi formado para favorecer a esquerda", disse ele, depois de ter chamado Monti de "estepe" do Partido Democrático (PD) em entrevista à Vista TV. O bilionário de 76 anos, que pegou o trem de Roma com sua nova mulher Francesca Pascale, de 27 anos, disse não acreditar que os eleitores italianos "cairiam na armadilha", a qual ele disse visar roubar votos do partido de centro-direita. Mas Pier Ferdinando Casini, chefe do mais antigo e maior partido centrista da Itália, o UDC, que está cooperando com Monti, negou fortemente as acusações. "Nossa iniciativa não nasceu do apoio do PD. Não começou com uma aliança pré-determinada ... até o dia das eleições, o importante é visar a maioria", disse Casini em entrevista. No último domingo (23), Monti declarou que poderia concorrer a um segundo mandato se uma força política de "credibilidade" apoiasse suas "reformas", mas reconheceu que a campanha seria complicada. Monti impôs uma série de políticas baseadas no aumento de impostos e no corte de gastos, que afetaram a classe média italiana. Na França, o governo socialista teve uma grande perda política após o Conselho Constitucional ter decidido invalidar, por dois anos, o imposto para os ricos que iria começar a valer em 2013. O Gabinete do primeiro-ministro informou que o governo francês vai redesenhar a proposta e reenviá-la ao Congresso. "Ela será apresentada como parte da próxima lei orçamentária", afirmou em comunicado Jean-Marc Ayrault sem dar um prazo. O texto dizia que a rejeição do Conselho sobre a taxa não afetará os esforços para conter o déficit público do país. O imposto de 75% seria aplicado a rendas superiores a € 1 milhão (o equivalente a R$ 2,7 milhões) e era um dos principais pontos do orçamento para o ano que vem. Em comunicado, os magistrados negaram a constitucionalidade dos cálculos do teto do Imposto sobre Fortuna (ISF), em particular a soma dos lucros ou benefícios que o contribuinte ainda não realizou. O Conselho Constitucional foi acionado pelo principal partido da oposição, a UMP, totalmente contrário à política fiscal do presidente François Hollande. A cobrança foi uma promessa de campanha do socialista nas eleições de maio passado. Taxando ricos e grandes negócios, a França esperava arrecadar € 20 bilhões (R$ 52 bilhões). O governo alegava que a medida afetaria quase 1.500 pessoas, que pagariam € 140 mil na média. Dos € 10 bilhões a serem arrecadados de pessoas físicas, afirmava o governo francês, a maioria - € 6,2 bilhões - viria de pessoas com renda superior a € 150 mil, taxadas em 45%. Com o aumento das taxas e cortes de gastos, o país esperava atingir a meta de déficit orçamentário de 3% do PIB (Produto Interno Bruto) no ano que vem. Para 2012, o governo prevê que o déficit alcance 4,5% do PIB. Na Espanha, o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, disse anteontem que vai anunciar medidas em breve para retomar o crescimento econômico do país em 2013. "Haverá medidas para estimular o crescimento econômico. Também agiremos para aumentar o crédito para pequenas e médias empresas. A intenção é que o sistema  bancário não tenha dúvida e dê crédito aos clientes". Entre as medidas, Rajoy adiantou que o setor exportador deverá ser beneficiado porque, segundo ele, as contas externas já estão reagindo positivamente. Durante entrevista de balanço de seu primeiro ano à frente do governo espanhol, Rajoy comentou que os três grandes pilares da política econômica serão mantidos em 2013: redução do déficit público, reformas estruturais - em especial, do mercado de trabalho - e a reestruturação do setor bancário. Durante a entrevista ontem, o primeiro-ministro foi questionado pelos jornalistas sobre como seria a Espanha sem as medidas adotadas nos últimos 12 meses. "Estaríamos em uma situação insustentável. Mas o melhor é não pensar, porque o mais importante é mudar o rumo da política econômica e criar bases para o crescimento sustentável", disse Rajoy. "As coisas não se resolvem de uma hora para outra", acrescentou. Em plena reestruturação bancária na zona do euro, os quatro maiores bancos comerciais da Grécia necessitam de capital adicional no total de US$ 36 bilhões para se manter à tona, informou o Banco Central do país. Os bancos comerciais estão entre os maiores detentores de dívida do governo grego, cujo valor tem caído drasticamente devido à crise econômica no país. Em meados de dezembro, o Eurogrupo aprovou a concessão à Grécia do próximo empréstimo no total de quase € 50 bilhões.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou hoje (30) que não se pode deixar que a política seja um impedimento para o desenvolvimento do país e pediu para que o Congresso cumpra seu dever de evitar o "abismo fiscal". “Não podemos permitir que a política de Washington seja um obstáculo para o progresso do país", disse o presidente, afirmando que abismo fiscal ainda pode "chegar a um acordo bipartidário".  Até às 20h (hora de Brasília) o acordo permanecia incerto. O líder da maioria no Senado, o democrata Harry Reid, disse que os dois partidos ainda mantinham diferenças nas negociações. O senador afirmou ainda que não apresentou uma contraproposta para a última sugestão republicana. "Tive diversas conversas com o presidente e, nesta fase, não somos capazes de fazer uma contraproposta", disse Reid no Senado. "Eu acho que o líder republicano está demonstrando boa fé. Só que divergimos em algumas questões bem grandes", Reid acrescentou. O capelão do Senado Barry Black abriu a sessão de hoje com um apelo a Deus para os legisladores evitarem dificuldades econômicas. "Olhe com bons olhos a nossa nação e nos salve de ferimentos", disse Black numa oração. Se os senadores não concordarem em bases comuns, o aumento de impostos e o corte de gastos do governo tiraria 600 bilhões de dólares de estímulos à economia norte-americana. O maior impasse da negociação é o aumento de impostos para os mais ricos. O presidente Barack Obama defende a proposta. Os republicanos são contra, principalmente os mais conservadores. O senador republicano Lindsey Graham admitiu que o acordo aumentará tributos sobre os mais ricos, poupando o resto do país de elevações de impostos. "Eu acredito que as pessoas não querem cair no abismo", disse Graham, um líder conservador, ao canal Fox News Sunday. Obama ofereceu aos republicanos um acordo para aumentar o imposto de renda para as famílias que ganham mais de 250 mil dólares por ano, e mais de 400 mil dólares por ano. O presidente chegou a fazer uma rara aparição num programa de entrevistas da rede NBC para pressionar os legisladores a chegar a um acordo. "Se as pessoas perceberem que em 1o de janeiro este problema não estará resolvido, que não vislumbramos a redução do déficit porque os republicanos não aceitaram o acordo que eu os ofereci ... então, obviamente, isso vai ter uma reação adversa nos mercados", acrescentou. "E se tudo mais falhar, se os republicanos de fato decidir bloqueá-lo, de modo que os impostos sobre as famílias de classe média subam em 1o de janeiro, então vamos voltar com uma nova proposta ao Congresso em 4 de janeiro para cortar impostos sobre as famílias de classe média ", acrescentou. O republicano John Boehner, presidente da Câmara dos Deputados, respondeu à crítica de Obama de que os republicanos dificultavam um acordo. "O presidente continua a insistir num pacote favorável a impostos mais altos, que destruiria empregos. Nós estamos sendo razoáveis e responsáveis", disse Boehner, num comunicado. Na véspera, Obama pediu também ao Congresso que Congresso que evite o aumento de impostos para a classe média. "Devemos fazer o necessário para proteger a classe média, fazer com que esta economia cresça e fazer o país avançar", disse Obama em seu programa semanal de rádio, que também é transmitido na Internet. Hoje o presidente tocou em outro assunto polêmico na TV: o controle de armas. Ele disse ainda estar cético sobre a proposta da Associação Nacional do Rifle (NRA, na sigla em inglês) de colocar guardas armados nas escolas. A organização chamou o projeto de lei de "mentiroso" e afirmou que não acredita que seja aprovado, se referindo à lei proposta pela senadora democrata Diane Feinstein sobre a proibição da venda de fuzis de assalto e carregadores de grande capacidade. O presidente prometeu defender o projeto quando o próximo Congresso assumir em janeiro. Durante entrevista à NBC, Obama reconheceu que os erros de segurança que facilitaram o atentado contra o consulado estadunidense na cidade líbia de Benghazi revelaram "um grande problema" e disse que serão aplicadas medidas para garantir a segurança nas missões diplomáticas dos Estados Unidos. "Não vamos ficar na defensiva. Não vamos fingir que isto não foi um problema: isto foi um grande problema", afirmou.

Os capitalistas Tico e Teco voltaram a conversar sobre o mundo contemporâneo, acompanhados pela diarista Aparecida e pela filha Bytes, no dia 30 de dezembro de 2012, véspera do fim do ano.

Tico: No dia de hoje o presidente dos Estados Unidos Richard Nixon ordenou a suspensão dos bombardeios aéreos contra o Vietnã do Norte acima do paralelo 20, e anunciou que as negociações de paz seriam reiniciadas no dia 8 de janeiro, em Paris. O Acordo de Paris estabeleceu o cessar-fogo, a retirada das tropas norte-americanas, a convocação das eleições gerais no Vietnã do Sul e a libertação dos prisioneiros. Os principais negociadores na capital francesa foram o Conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos Henry Kissinger e o membro do Politburo norte-vietnamita Le Duc Tho. Mais tarde os dois foram agraciados com o Prêmio Nobel da Paz daquele ano, por seus esforços em negociar um fim para a Guerra do Vietnã, apesar de Tho se recusar a recebê-lo, alegando que a paz completa não havia sido conseguida. Há 40 anos.

Teco: No dia de hoje o Conselho dos Sovietes criou a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. A Revolução Russa de 1917 provocou a queda do Império Russo, nascendo uma luta de poder entre os bolcheviques, liderados por Vladimir Lênin, e o movimento anticomunista do Exército Branco. Em dezembro de 1922, os bolcheviques venceram a guerra civil e a União Soviética foi formada com a fusão da República Socialista Federativa Soviética Russa, República Socialista Federativa Soviética Transcaucasiana, a República Socialista Soviética Ucraniana e a República Socialista Soviética Bielorrussa. Depois da morte de Vladimir Lenin, em 1924, Josef Stalin assumiu o poder, levando a União Soviética a uma industrialização de larga escala que equiparou o novo país às potências ocidentais. Em junho de 1941, a Alemanha nazista e seus aliados invadiram a União Soviética, quebrando o pacto de não-agressão, que Adolf Hitler havia estabelecido com Stalin em 1939. Depois de quatro anos de conflito brutal, a União Soviética saiu vitoriosa da Segunda Guerra Mundial como uma das duas superpotências mundiais, sendo a outra os Estados Unidos. A União Soviética foi concebida há 90 anos.

Bytes: No dia de hoje nascia em Roma, há 1973 anos, o imperador romano Tito Flávio. Antes de ser proclamado rei, alcançou renome como comandante militar ao servir sob as ordens do seu pai na Judeia, durante o conflito conhecido como a Primeira Guerra Judaico-Romana. Após a coroação, recaiu sobre Tito a responsabilidade de acabar com os judeus sediciosos, tarefa realizada satisfatoriamente após sitiar e destruir Jerusalém, em 70, cujo templo foi demolido no incêndio. A sua vitória foi recompensada com um triunfo e comemorada com a construção do Arco de Tito. Já o Templo de Salomão se transformou no Muro das Lamentações.

Aparecida: No dia de hoje morreu, pelo calendário gregoriano, há 96 anos, o místico siberiano Grigori Rasputin. Ele foi assassinado após atingir um grande poder junto à czarina Alexandra. Alguns documentários afirmam que os ingleses mataram Rasputin. Prevendo a morte, o místico deixou escrito: “Escrevo e deixo esta carta na cidade de São Petersburgo. Sinto que devo morrer antes de 1º de janeiro. Desejo deixar claro ao povo russo... Os irmãos matarão os irmãos, e eles matar-se-ão uns aos outros e odiar-se-ão uns aos outros, e por vinte e cinco anos (1925) não haverá nobres no país. Czar da Rússia, se ouvir o som do sino que diz que Grigori foi morto, deves saber o que segue: se forem parentes teus a provocar a minha morte, então ninguém da tua família, ou seja, nenhum de teus filhos ou de teus parentes permanecerá vivo por mais de dois anos. Eles serão mortos pelo povo russo. Eu serei morto. Eu não ficarei muito tempo entre os vivos. Orai, orai, sede fortes, pensai na vossa família abençoada. Grigori”.

Bytes: Amanhã completam 13 anos quando Vladimir Putin se transformou no segundo presidente da Rússia após a renúncia inesperada de Boris Yeltsin. Em 2000, ele foi eleito em 2000, reeleito em 2004, passou um período como primeiro-ministro de 2008 e a 2012, sendo eleito novamente chefe de Estado neste ano para um mandato até 2018, com direito à reeleição. Putin vem deixando claro o seu ponto de vista sobre a história: “Estamos vendo um desprezo cada vez maior pelos princípios básicos do Direito internacional. Mais do que isso, normas independentes estão, na verdade, quase se tornando todo o sistema legal de um Estado único — antes de tudo, claro, dos Estados Unidos — que ultrapassou suas fronteiras nacionais em todas as esferas: na econômica, na política e na humanitária — e as impõe a outras nações. Enfim, quem aprecia isso? A quem isso agrada?”

Aparecida: Por falar em Rússia, as agências internacionais destacaram que a imigração russa para Israel tem sido tão intensa que vem mudando os hábitos do Estado judeu. A vida noturna de Tel Aviv incorporou a cultura russa (acima), segundo a "legenda". E carne de porco, considerada "impura" na tradição judaica, tem sido vendida nos frigoríficos.

Bytes: Por falar em Putin, na semana passada ele deu ordem em Sochi, onde estava, por teleconferência para o início da hidrelétrica de Baksan, reparada após o atentado terrorista de julho de 2010. “Essa importante infraestrutura permitirá aumentar a capacidade industrial da Cabardino-Balcária, criar novos postos de trabalho e abastecer a indústria e os habitantes da república com energia elétrica”, disse Putin. “Um dos setores mais importantes da nossa economia. Sem qualquer desenvolvimento de energia, em geral, não é possível", frisou. Segundo o presidente russo, a reativação da hidrelétrica de Baksan  é um “sinal muito bom de que ninguém pode parar o desenvolvimento progressivo da Rússia e do Cáucaso do Norte".

Aparecida: Por falar em Cáucaso do Norte, dois homens armados mataram a tiros um membro do partido governante da Rússia na semana passada no norte do Cáucaso, onde o Kremlin combate uma insurgência islâmica. Segundo o Comitê de Investigação da Rússia, os agressores não identificados invadiram o gabinete de Boris Zherukov em Nalchik, capital da província de Kabardino-Balkaria, e atiraram duas vezes na cabeça dele. Zherukov era chefe do partido Rússia Unida, além de reitor da Universidade Agrícola Estatal.

Bytes: Ontem, Putin convidou por telefone o novo primeiro-ministro do Japão, o conservador Shinzo Abe, para uma visita oficial à Rússia em 2013. O nacionalista japonês informou que na pauta estará a disputa russo-japonesa pelas Ilhas Curilas, que foram ocupadas pelas forças soviéticas no final da Segunda Guerra Mundial e estão sob jurisdição russa desde então.

Aparecida: Por falar em guerras mundiais, Rasputin foi morto pelo serviço secreto inglês?

Bytes: O que podemos afirmar é que Trotski disse a respeito da família do último czar da Rússia: "Em Rasputin, a monarquia, condenada e agonizante, encontrou um Cristo feito à sua imagem e semelhança”.

Aparecida: Ah, entendi! Escreveu o apóstolo Paulo em carta aos gregos: “Porventura começamos outra vez a louvar-nos a nós mesmos? Ou necessitamos, como alguns, de cartas de recomendação para vós, ou de recomendação de vós? Vós sois a nossa carta, escrita em nossos corações, conhecida e lida por todos os homens. Porque já é manifesto que vós sois a carta de Cristo, ministrada por nós, e escrita, não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas nas tábuas de carne do coração. E é por Cristo que temos tal confiança em Deus. Não que sejamos capazes, por nós, de pensar alguma coisa, como de nós mesmos; mas a nossa capacidade vem de Deus. O qual nos fez também capazes de ser ministros de um novo testamento, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata e o espírito vivifica. E, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, veio em glória, de maneira que os filhos de Israel não podiam fitar os olhos na face de Moisés, por causa da glória do seu rosto, a qual era transitória. Como não será de maior glória o ministério do Espírito? Porque, se o ministério da condenação foi glorioso, muito mais excederá em glória o ministério da justiça. Porque também o que foi glorificado nesta parte não foi glorificado, por causa desta excelente glória. Porque, se o que era transitório foi para glória, muito mais é em glória o que permanece. Tendo, pois, tal esperança, usamos de muita ousadia no falar. E não somos como Moisés, que punha um véu sobre a sua face, para que os filhos de Israel não olhassem firmemente para o fim daquilo que era transitório”.

Tico: Qual será o destino do “abismo fiscal?”

Teco: Historicamente o democrata Obama é o que “cede” na “relação”. E o mundo não crê que o Império se desintegre. O que já é um “crédito” e tanto. Para os capitalistas, meia palavra basta.

Bytes: O meu colega gaiato lá da facû disparou: “A Dilma poderia ensinar o Obama sobre a instituição das Medidas Provisórias. É um maná dos deuses para poder governar”. Eu srespondi: “Viva a Constituição de 1988. Viva!”

Aparecida: O Obama disse que quer uma solução final sobre o “ajuste fiscal” para não ficar nas mãos dos republicanos na Câmara dos Representantes.

Bytes: O outro colega, adepto da Teoria da Conspiração, tem outro ponto de vista: “O Império está promovendo a propaganda do abismo fiscal para provocar o temor nas Bolsas de Valores do mundo para depois fazer o acordo e levar Wall Street ao orgasmo”. Eu respondi: “Há controvérsias”.

Aparecida: E o Hollande? Taxará os mais ricos?

Bytes: Hollande aprovou o imposto no Parlamento onde tem maioria. Mas foi impedido pelo Supremo francês. É a República.

Aparecida: E como pensa o governo dos Estados Unidos?

Bytes: Deu no jornal “O Globo” de 29 de dezembro de 1962, cuja manchete foi “O Exército defenderá o regime contra quaisquer extremismos”: “O ministro da Guerra, general Amauri Kruel, ao agradecer à homenagem que o Alto Comando do Exército lhe prestou ontem no Rio, salientou que o Ato Adicional implantou o reinado da irresponsabilidade no país e que o Exército não permitirá que quaisquer investidas extremistas venham a derrubar o regime democrático”. E mais: “Assessores e conselheiros do presidente João Goulart vêm manifestando sua apreensão ante a possibilidade de ser criado o Ministério do Planejamento, proposta do plano trienal de govêrno elaborado pelo Sr. Celso Furtado. Argumentam que a nova pasta teria características de um superministério, ao qual estariam subordinados”. E mais: “Não estou entendendo mais o Sr. Brizzola. Ele, inegàvelmente, sempre mostrou tendências esquerdistas, mas, de uns tempos para cá, suas atitudes são inteiramente subversivas, só comparadas com as do ditador de Cuba, Fidel Castro. Em declarações feitas em Minas, chegou ao ponto de dizer que o Congresso não tem condições para tanto, não pode funcionar. Pelo menos é o que se deduz das suas declarações – assim se expressou o presidente nacional do PSD, embaixador Ernâni do Amaral Peixoto, em mesa-redonda na Rádio Globo”.

Aparecida: Deu no jornal “O Globo” de 29 de dezembro de 2012, 50 anos depois: “Descaso na gestão pública. Prefeitos não reeleitos deixam caos em cidades. De saída de cargo, gestores abandonam coleta de lixo e atrasam salários. Pelo país, Ministério Público cobra na Justiça que prefeituras mantenham pagamentos em dia e cumpram contratos”. E mais: “Anac multa e Infraero e Dilma também punirá”. E mais: “Fora de ordem. Da realidade medieval à da Suíça. Depois de dizer que o Brasil tem prisões medievais, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, comparou o estado mais violento do país, Alagoas, com a Suíça, ao elogiar a redução de homicídios após um programa federal: São números suíços. Alagoas tem 135 homicídios por 100 mil habitantes; a Suíça, 0,7”.   

Bytes: Por falar em violência, professores de Salt Lake City, em Utah, nos Estados Unidos se reuniram ontem numa arena de esportes para receber instrução sobre o manuseio de armas de fogo, dada por ativistas pró-armas (acima). O conselho do Tiro Esportivo,  organizador do encontro, em resposta aos disparos de um atirador em Newtown, Connecticut, afirmou que normalmente atrai cerca de 16 professores para os seus cursos anuais de formação para armas. Mas o evento de ontem atraiu o interesse de centenas de pessoas, e a classe teve de ser restrita por causa de limitações de espaço. “Sinto que eu levaria um tiro por qualquer aluno no distrito escolar”, afirmou Kasey Kasey, professora de educação especial em uma escola de um distrito de Salt Lake City. “Se nós um dia tivermos de enfrentar um atirador como o de Connecticut, estarei totalmente preparada para responder com a minha arma”, disse ela, acrescentando que planeja comprar uma arma em breve e levá-la para o trabalho.

Aparecida: O que você achou da declaração do Cardozo?

Bytes: O ministro da Justiça é um “autêntico socialista”. Prefiro o secretário de Segurança do Rio. O seu argumento é simples: Não foi a Feiticeira que empinou o nariz e pacificou as favelas, mas sim que elas foram ocupadas pela polícia. Agora morro e asfalto seguem a mesma lei: a do Estado. Mas a perspectiva sobre a violência no Brasil é alvissareira.

Aparecida: Sobre a questão das armas nas escolas estadunidenses, o seu Carlos disse, exaltado: “Os esquerdistas ficam defendendo o fim das armas porque não sabem o que é dar aulas em algumas escolas públicas nos Estados Unidos. Em muitas delas a professora tem que usar spray de pimenta para acalmar a violência dos alunos que não querem ter contato com o aprendizado. O Obama, o populista, aceita passá-las de ano automaticamente como ocorre no Brasil, algo que o Bush não aceitava, assim como não aceitava a moral relativa”.

Bytes: Por falar em moral, visitar os mais velhos será uma lei, pelo menos na China. O governo aprovou uma emenda que altera a lei nacional sobre o trato com os idosos para exigir que filhos adultos visitem seus pais com mais frequência. De acordo com a mídia estatal, a nova cláusula permitirá que idosos processem seus filhos caso se sintam negligenciados. O texto, no entanto, não especifica com que frequência as visitas devem ocorrer.

Aparecida: O que você achou do médico que faltou ao trabalho no Hospital municipal Salgado Filho na noite de Natal, que levou à morte cerebral de uma menina baleada numa troca de tiros?

Bytes: O médico faltoso é uma “norma” no serviço público da área de saúde. Como diria o deputado Justo Veríssimo: “Pobre tem mais que morrer. Eu odeio pobre”. Já Jorge Darze, socialista de esquerda, fará de tudo para que o Município controle a frequência dos funcionários para justificar a “folha de pagamento”. O médico faltoso disse que já ia ao hospital há um mês. A unidade hospital continuou funcionando. Enquanto isso, la nave vá.

Aparecida: O seu Carlos está mais preocupado é com a classe C: “È temerosa a influência dessa gente porque eles não pensam como nós”. Ele me mandou um torpedo hoje: “Você leu o jornal O Globo? O réveillon no Pavão-Pavãozinho custa R$ 1 mil, mais do que o Forte de Copacabana que terá show de Jorge Benjor e 300% mais caro do que o ano passado. E só restam seis vagas”. Eu respondi: “Qual é o problema? Ninguém está impondo nada. É a economia de mercado. Nos parques de Orlando, os turistas pagam US$ 120 por pessoa para ver o "Mundo das Maravilhas". No réveillon "dessa gente", não "star", os turistas começam por um "tour" pela favela e confraterniza com champanhe. A dona Azelina, no alto do morro, disse que investiu em 2012 para celebrar 2013”. Para o seu Carlos, o "real" é o "fim do mundo". 

Bytes: Eu assisti ontem ao filme “Histórias Cruzadas” no Telecine. Foi emocionante a história real sobre a conturbada relação entre patroas e empregadas na Mississipi dos anos 60.

Aparecida: Por falar em histórias cruzadas, o que você achou do filho do Eike Batista entrar na lista da “Forbes” no quesito “bilionários que se envolveram em escândalos em 2012?”

Bytes: O meu amigo gaiato lá da facû disparou: “Em breve eles serão vistos como os filhos de Saddam. Não confundir com Satã”.

Bytes: Por falar em bilionários, a imprensa russa divulgou que as autoridades sanitárias do país encontraram salmonela num lote de carne bovina congelada enviado pela brasileira JBS, maior produtora de proteína animal do mundo.

Aparecida: O seu Carlos disse, exaltado: “Em 2013 as exportações brasileiras cairão, o dólar subirá aumentando a inflação, o desemprego explodirá, a greve parará o País e a czarina cairá”.

Bytes: Anteontem, o colunista Ancelmo Góis do jornal “O Globo” escreveu na nota “Calma, gente.....”: Aliás, no apagão do Galeão-Tom Jobim, quarta, um passageiro do voo 974 (Rio-Nova York), da American Airlines, gritou enfurecido: Se alguém aqui votar no Lula ou na Dilma é um filho da puta! Foi aplaudido”.

Aparecida: Eu não entendi a nota intitulada “Baía de M....” publicada no mesmo dia 28. Era sobre o medo dos velejadores de passarem vergonha junto aos estrangeiros nas Olimpíadas Rio 2016. Tudo por causa do monte de lixo na baía de Guanabara, que foi fotografada pela leitora do jornal, a velejadora Isabel Swan. Ela especulou que a prova poderia ser disputada em Búzios. O problema não está aí, mas no título. Se a coluna estava recheada de palavrões, inclusive na nota “Pode dar merda, literalmente” por que o título foi com pontinhos. O palavrão com todas as letras daria mais impacto e revolta”.

Bytes: Impacto foi a queda do helicóptero na praia de Copacabana. Eu vi apenas o vídeo do jornal “O Globo” filmado por um turista mineiro. Mas não achei com tanto impressionante como a queda do avião russo.

Aparecida: Se houvesse uma lista de políticos com direitos políticos cassados hoje, quem entraria?

Bytes: Na votação disparada da facû aparece o primeiro o Lula porque se assemelha a JK. Em segundo a Dilma porque lembra “Jango de saias”. Também foram votados o Cabral, o Paes, o Pezão e entrou também o Kassab.

Aparecida: Ah, entendi! Está escrito sobre a circuncisão de Jesus ao oitavo dia como rezava a “Lei de Moisés”: “E, cumprindo-se os dias da purificação dela, segundo a lei de Moisés, o levaram a Jerusalém, para o apresentarem ao Senhor (Segundo o que está escrito na lei do Senhor: Todo o macho primogênito será consagrado ao Senhor). E para darem a oferta segundo o disposto na lei do Senhor: Um par de rolas ou dois pombinhos. Havia em Jerusalém um homem cujo nome era Simeão; e este homem era justo e temente a Deus, esperando a consolação de Israel; e o Espírito Santo estava sobre ele. E fora-lhe revelado, pelo Espírito Santo, que ele não morreria antes de ter visto o Cristo do Senhor. E pelo Espírito foi ao templo e, quando os pais trouxeram o menino Jesus, para com ele procederem segundo o uso da lei. Ele, então, o tomou em seus braços, e louvou a Deus, e disse: Agora, Senhor, despedes em paz o teu servo, Segundo a tua palavra, pois já os meus olhos viram a tua salvação, a qual tu preparaste perante a face de todos os povos. Luz para iluminar as nações e para glória de teu povo Israel. E José, e sua mãe, se maravilharam das coisas que dele se diziam. E Simeão os abençoou, e disse a Maria, sua mãe: Eis que este é posto para queda e elevação de muitos em Israel, e para sinal que é contraditado e uma espada traspassará também a tua própria alma; para que se manifestem os pensamentos de muitos corações”.    

A Bolívia informou hoje (30) que espera atingir um acordo com a empresa privada espanhola Iberdrola após nacionalizar quatro de suas empresas no país andino. Já a Espanha lamentou a medida do governo boliviano e pediu "segurança jurídica". Ontem, o presidente da Bolívia, Evo Morales, decretou a nacionalização das empresas distribuidoras de eletricidade das cidades de La Paz e Oruro, geridas pela companhia espanhola Iberdrola. A medida também afetou suas duas empresas menores de serviços: a Companhia Administradora de Empresas Bolívia (CADEB) e a Empresa de Serviços EDESER, com sede na cidade de La Paz. Vamos conversar com eles sempre em um ambiente cordial para ver de que maneira podemos chegar a uma transação que seja favorável para ambas as partes", afirmou hoje o ministro de Energia, Juan José Sosa. Segundo o governo, ainda não se sabe o valor das quatro empresas, principalmente da Electropaz e Elfeo, que atendem a uma população urbana de 1,8 milhão de pessoas, enquanto que veículos locais - citando dados do mercado espanhol - apontaram que elas teriam um valor de mercado de US$ 100 milhões. Após a avaliação, "serão descontados os passivos e sentaremos para negociar com a empresa Iberdrola da Espanha para ver quanto é o montante justo" da indenização, afirmou a autoridade governamental. Segundo Sosa, os ganhos anuais em 2011 da Electropaz foram de 77 milhões de bolivianos (11 milhões de dólares) e da Elfeo de 20 milhões de bolivianos (2,9 milhões de dólares). A Iberdrola disse em Madri que espera o pagamento "pelo valor real" de suas ações, mas sem precisar uma quantia. O presidente boliviano tomou a medida oito meses depois de nacionalizar a Transportadora de Eletricidade (TDE), empresa na qual a Red Eléctrica de Espanha (REE) possui quase 100% das ações. No dia 21 de dezembro, fim do Calendário Maia, Evo Morales disse que seria o fim do consumo de Coca-cola e do comércio do McDonald's' numa nova era de “cultura da vida”. Já na Venezuela, a A ministra para o Serviço Penitenciário da Venezuela, Iris Varela, informou da expulsão do país do francês Frédéric Laurent Bouquet, que esteve preso durante quase quatro anos na nação caribenha por causa de um suposto plano de assassinato do presidente Hugo Chávez. Iris remeteu ao artigo 39 da Lei de Estrangeiros e Migração venezuelana que estabelece que os estrangeiros que comprometam a segurança e defesa do país podem ser expulsos do território nacional. A Promotoria venezuelana informou em 11 de maio de 2009 a detenção do francês, assim como a de três dominicanos, supostamente integrantes de um "grupo terrorista", de quem foram confiscados diversas armas e explosivo plástico C-4. Na Argentina Os produtores rurais da Argentina iniciaram, na semana passada, um locaute de 24 horas, para protestar contra o decreto presidencial, nacionalizando a La Rural, um tradicional edifício de exposições, em Buenos Aires. Os ruralistas argentinos usavam as instalações do prédio, que fica no bairro nobre de Palermo, desde 1875, para a sua exposição anual. Até 1991, o edifício pertencia ao Estado, mas durante o governo de Carlos Menem muitas propriedades e empresas estatais foram privatizadas, entre elas, La Rural. Para o presidente da Sociedade Rural Argentina (SRA), Luis Miguel Etchevehere, a estatização do prédio é uma 'represália' a um setor que tem estado em conflito com o governo. Em 2008, Cristina Kirchner tentou impor alíquotas móveis de exportações agrícolas - medida que uniu o setor rural contra ela. A medida acabou sendo derrotada. O ministro da Agricultura, Norbert Yauhar, disse que a paralisação é motivada por questões políticas, e não por uma reivindicação justa. A SRA diz que vai apelar à Justiça. Anteontem, o presidente dos EUA, Barack Obama, assinou a Lei de Combate à Influência do Irã no Hemisfério Ocidental, que já havia sido aprovada pelo Legislativo. O Departamento de Estado tem agora 180 dias para desenvolver um plano para lidar com "o crescimento da presença hostil e da atividade do Irã" na América Latina. O plano de ação prevê  combater o "terrorismo e a radicalização", para isolar o Irã e seus aliados na região. A lei também determina que o governo norte-americano reforce a segurança nas fronteiras com o Canadá e México, para impedir a entrada nos Estados Unidos de "agentes do Irã, da Guarda Revolucionária Iraniana, do Hezbollah ou de qualquer outra organização terrorista". Segundo Washington, desde 2005 Teerã já abriu seis novas embaixadas e 17 centros culturais em países da América Latina, entre eles, o Brasil. O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, tem visitado a região regularmente. O Irã tem relações especialmente estreitas com Bolívia, Equador e Venezuela, onde o país islâmico vem reforçando seus investimentos. Segundo o texto da lei, relatórios da inteligência iraniana desde o início dos anos 90 sugerem "apoio indireto do governo iraniano a atividades do Hezbollah na área de tríplice fronteira entre Argentina, Brasil e Paraguai". 

Tico: No dia de hoje a ditadura militar no Brasil divulgou a lista de políticos cassados. Naquele tempo, além de 11 deputados que tiveram o direito político cassado, o marechal Costa e Silva decretou a aposentadoria do desembargador Joaquim de Sousa Neto, presidente do Tribunal de Contas de Brasília, e suspendeu por 10 anos os direitos políticos do ex-governador Carlos Lacerda. Foram punidos os deputados federais Márcio Moreira Alves, Hermano Alves, David Lerer, Hélio Navarro, Gastone Righi, Mateus Schmidt, Henrique Henkin, Maurílio Ferreira Lima, José Lurtz Sabiá, Renato Archer e José Carlos Guerra. Havia outros nomes na relação inicial de punições, mas Costa e Silva limitou-se às pessoas que já tinham processo de investigações concluídos. Costa e Silva encerrou o encontro anunciando que novas decisões revolucionárias, da mesma natureza, seriam tomadas. Falando pela rádio e televisão, ele disse que o AI-5 concedeu a ele poderes excepcionais, transitoriamente, para praticar todos os atos necessários à manutenção da ordem, à defesa da segurança individual e coletiva. "Declarei em recesso o Congresso Nacional até que se pusesse mão nas causas imediatas ou mais ou menos remotas da crise que denunciou a falência temporária do poder político... A decretação do estado de sítio não seria remédio, mas paliativo perigoso, pois a curto prazo colocaria a crise nas mãos do próprio congresso". Há 44 anos.

Teco: No dia de hoje o Iraque atacou aviões estrangeiros que sobrevoavam o seu território, descumprindo a determinação da ONU. A ofensiva contra aeronaves estadunidenses e britânicas foi respondida com o bombardeio de uma base iraquiana na zona de exclusão aérea, no sul do país. Na véspera, o vice-presidente iraquiano, Taha Yassin Ramadan, havia afirmado que as Forças Armadas do Iraque iriam atacar qualquer avião estrangeiro que sobrevoar as "zonas de exclusão aérea" estabelecidas após a Guerra do Golfo. Ele lembrou que o Conselho de Segurança das Nações Unidas nunca aprovou as zonas de exclusão aérea. Por isso, reiterou que a invasão do espaço aéreo iraquiano por Washington e Londres era ilegal. "As chamadas zonas de exclusão aérea existem somente nas mentes enfermas das pessoas que governam os EUA e a Grã-Bretanha", disse Ramadan à época. "Essa proibição é totalmente ilegal e não estamos dispostos a tolerá-la por mais tempo", acrescentou. Há 14 anos.

Bytes: No dia de hoje o Conselho Nacional de Telecomunicações publicou um decreto concedendo o canal 4 do Rio de Janeiro à TV Globo Ltda. Em julho, o presidente Juscelino Kubitschek, já havia aprovado a concessão de ao jornalista Roberto Marinho que lhe fazia uma feroz oposição. Há 55 anos.

Aparecida: No dia de hoje nascia em Nova York, há 95 anos, o engenheiro militar Seymour Melman. Depois de sua graduação, no mesmo ano, ele recebeu uma bolsa de viagem para a Palestina e Europa, onde ficou até 1940. Após seu retorno aos Estados Unidos, ele atuou por dois anos como secretário da Federação Sionista do Estudante. Logo após o ataque a Pearl Harbor, ele ingressou para o exército americano como primeiro tenente no corpo de artilharia da costa. Mais tarde, Melman entrou para o Conselho da Conferência Industrial Nacional. Em 1976, apresentou uma conferência da SANE em Nova York com o tema: "A Corrida Armamentista e a Crise Econômica". Ele ganhou um memorial na plataforma do Partido Democrata.

Bytes: No dia de hoje morreu em Bagdá, há 6 anos, o ditador Saddam Hussein. Antes de ser enforcado, deixou escrito: “Paciência, em Deus procuramos conforto e ajuda contra os tiranos. Ofereço minha alma em sacrifício, e Deus Todo Poderoso a levará para onde estão os mártires, pois Deus Glorificado quis mais uma vez que eu estivesse no coração da jihad. Ou que seja feita a Sua vontade, Ele, o Clemente, o Misericordioso. Dele somos e a Ele retornaremos. Não odeiem o ser humano, mas repudiem o mal. (...) Saibam perdoar, pois Deus é clemente e perdoa mesmo sendo superior. Ele nos quer ideal exemplo do amor, do perdão e da fraterna convivência entre si. Que a lei seja seu embasamento e que sejam justos, pois as nações e os povos só crescem com justiça e não com rancores e ilegalidades. Os que se apóiam nos poderosos ocupantes para se sentirem mais fortes que os demais são banais e vis. Só há um Deus e Maomé é seu profeta”.

Aparecida: No dia de hoje nasceu em Passos, há 40 anos, o ator e cineasta mineiro Selton Mello. Ele é 10. Dirige a excelente série “Sessão de terapia” no GNT, ganhou o Emmy por participar da série “A mulher invisível” na Globo, só não levou o Oscar por sua direção e atuação no filme “O Palhaço”.

Bytes: Ontem eu fui assistir ao filme “No” do cienasta chileno Pablo Larraín (acima). Em tradução literal para o português o título é “Não”. É uma obra muito original com lances de documentário e filmada com câmeras de TV da época. A história é baseada na peça teatral “O Plebiscito”, de Antonio Skármet, sobre o referendo no Chile, por pressão internacional, que consultava a população sobre se queria continuar com a ditadura de Augusto Pinochet ou se preferiria a democracia. O personagem de Gael Garcia Bernaz, em ótima atuação, é um exilado que volta ao país e se engaja na campanha publicitária do “não”. O contraponto entre o seu personagem e o de Alfredo Castro, seu chefe numa agência de propaganda e seu rival na campanha política, é o ponto mais alto do filme. O sentimento de alegria e liberdade fala mais alto dos que os opressores. Valeu o ingresso.

Aparecida: A “Folha” publicou hoje a crítica da jornalista Magdalena Ruiz Guiñazú, uma das dez integrantes da Comissão Nacional Sobre a Desaparição de Pessoas, ao casal Kirchner. "É como se tudo tivesse começado com eles, como se os que lutam pelo esclarecimento dos crimes dos anos 70 não existissem", disse a jornalista. A gestão Kirchner ignorou as leis de indulto e levou mais de 900 ao banco dos réus. Algumas condenações são consideradas históricas mesmo por antikirchneristas, como o julgamento dos repressores da Esma (Escola de Mecânica da Marinha) e dos assassinos do escritor Rodolfo Walsh, das duas monjas francesas que faziam trabalho humanitário no país e de Mães da Praça de Maio sequestradas e atiradas no rio da Prata. "Esses julgamentos são muito positivos. O que está errado é que se aproveitem politicamente deles e excluam do cenário gente que está lutando por Justiça desde aquela época", acrescentou.

Bytes: O presidente do Uruguai, José Mujica, entregou à família os restos do uruguaio Alberto Mechoso, sequestrado e desaparecido em 1976, em Buenos Aires. "É um um momento contraditório", com "muita dor", mas também com "certa alegria", disse Mujica. A urna com os restos de Mechoso, identificados en maio deste ano pela Equipe Argentina de Antropologia Forense, foi entregue à mulher e aos filhos do desaparecido na sede do governo uruguaio. A família decidiu realizar velório público e seguiu em marcha até o Cemitério do Cerro para o sepultamento.

Aparecida: O que você acha da ditadura militar na América Latina ainda estar viva na memória?

Bytes: Porque ainda não formou capital. Em 2013, os socialistas, em seu “movimento dos contrários”, vão ser ainda mais violentos por causa da compressão tempo-espaço. Como já afirmamos em nosso conteúdo, os “anciãos das horas” sempre voltam ao local do crime. Mas não conseguirão impor novamente o “sangue derramado” no Brasil.

Aparecida: A dona Irene ficou revoltada porque a TV Brasil suspendeu no domingo passado a missa. “A guerrilheira quer transformar o povo brasileiro em ateus. Na missa de hoje a imagem ficou congelada para que nós não ouvíssemos o Evangelho. Muitos doentes tem como hábito assistir essa missa. Os católicos devem se unir contra a guerrilheira”. O que você acha?

Bytes: Na Era digital não existe só um canal, mas diversos, quase cem. De religiosos católicos têm pelo menos duas. Os doentes não vão ficar sem a missa, nem deixarão de ouvir a Palavra do Senhor. Mas pode haver um movimento dos principais sacerdotes. Afinal, o dia em que acabar a correlação “direito x força”, os principais sacerdotes perderão a sua “razão de viver”. Freud explica.

Aparecida: Ah, entendi! Está escrito no Evangelho, a “Boa Notícia”: “E, estando ele ainda a falar, surgiu uma multidão; e um dos doze, que se chamava Judas, ia adiante dela, e chegou-se a Jesus para o beijar. E Jesus lhe disse: Amigo, com um beijo trais o Filho do homem? E, vendo os que estavam com ele o que ia suceder, disseram-lhe: Senhor, feriremos à espada? E Simão Pedro feriu o servo do sumo sacerdote, e cortou-lhe a orelha direita. E, respondendo Jesus, disse: Deixai-os; basta. E, tocando-lhe a orelha, o curou. E disse Jesus aos principais dos sacerdotes, e capitães do templo, e anciãos, que tinham ido contra ele: Saístes, como a um salteador, com espadas e varapaus? Tenho estado todos os dias convosco no templo, e não estendestes as mãos contra mim, mas esta é a vossa hora e o poder das trevas. 

Tico: O que é conversão?

Teco: Em geral, conversão é a transformação de uma coisa em outra. Na religião é alterar a percepção da alma sobre o caminho para se religar ao Todo. Na política é a alterar a percepção do cidadão sobre o caminho para se atingir a “verdadeira comunidade”. Na religião, a conversão à força foi determinante para o futuro das igrejas como tradição em diversos continente. Na política, a conversão à força gerou mais opressão. Na comunista União Soviética o regime obrigou a conversão ao ateísmo baseado nas palavras de Marx que dizia que a religião era o “ópio do povo”. Hoje a fé na Igreja Ortodoxa Russa voltou com força. Qual é a diferença entre os dois? Na política o líder tem as Forças Armadas. Na religião, o líder precisa do chefe de Estado. Daí a "evolução da espécie" chegou à conclusão que o Estado deveria ser "laico". A história lembra do Massacre da Noite de São Bartolomeu, em Paris. Para os capitalistas, meia palavra basta.

Bytes: Segundo as agência internacionais, um grupo islâmico matou anteontem 15 cristãos na região nordeste da Nigéria. 'Segundo as informações que recebemos, os criminosos entraram em algumas residências e mataram 15 pessoas que estavam dormindo", disse a fonte, que pediu anonimato. A Nigéria, o país mais populoso da África e um grande produtor de petróleo, está dividida entre o norte predominantemente muçulmano e o sul predominantemente cristão.

Aparecida: Qual é o medo no Egito?

Bytes: É a transformação do país em uma república islâmica como o Irã.

Aparecida: Teerã negou a informação da imprensa de que a sua marinha se preparava para bloquear o estreito de Ormuz durante as suas manobras militares que se prolongarão até o dia 2 de janeiro. Anteriormente, os meios de comunicação tinham informado que, no âmbito das manobras Liderança-91, que começou anteontem, a marinha de guerra do Irã tencionava realizar uma operação de bloqueio na área.

Bytes: Por falar em Irã, cerca de 60 mil sunitas se reuniram para um protesto na cidade iraquiana de Al Fallujah, a 50 km a oeste de Bagdá, bloqueando mais uma vez a rodovia estratégica que liga o país com a Síria e a Jordânia (acima). Os participantes do comício apelaram ao primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, para parar de se orientar ao Irã quanto à política interna e externa do país. Muitos manifestantes também exigiram a demissão de al-Maliki, queimaram bandeiras iranianas e ameaçaram uma revolta.

Aparecida: Por falar no Médio Oriente, o partido Likud, do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, deve ser o vencedor da eleição parlamentar de 22 de janeiro. Mas a agremiação vem perdendo votos para um partido religioso, direitista e contrário ao Estado da Palestina: o Bayit Yehudi, do político da nova geração Naftali Bennet.

Bytes: Por falar em judeus, no Castelo Ujazdowski, no centro de Varsóvia, antigo gueto judeu, está exposta uma estátua de Adolfo Hitler rezando. A obra do artista italiano Maurizio Cattelan gerou grande polêmica na sociedade polonesa. A figura de Hitler ajoelhado pode ser vista através de um buraco em um portão de madeira na rua Prozna, no centro da capital. Parece rezando como um menino inocente. Os organizadores afirmam que a estátua levanta questões morais. A inscrição na estátua diz que na infância todos os seres humanos foram “tenros, inocentes e indefesos”. Além dos horrores do holocausto, a recente manifestação de jovens neonazistas em Varsóvia acendeu a luz vermelha. Pois afirmavam que quem manda hoje na Polônia são os judeus.

Aparecida: E como pensa o governo dos Estados Unidos?

Bytes: Deu no jornal “O Globo” de 28 de dezembro de 1962, cuja manchete foi “Falcão denuncia plano subversivo coordenado por Brizzola e Julião”: “Depois de dois meses de investigações, agentes do Departamento de Ordem Política e Social de São Paulo descobriram, na manhã de ontem, um arsenal clandestino à margem da estrada que liga Taubaté e Queririm, no Vale do Paraíba. Foi apreendido um farto material bélico, inclusive metralhadoras pesadas. Tão logo se positivou a existência do armamento, dois delegados, investigadores e militares do Serviço Secreto do Exército compareceram ao local e estão trabalhando para descobrir os responsáveis pela introdução das armas no país”. E mais: “O bloqueio de Cuba e o vôo orbital dos cosmonautas soviéticos Popovich e Nikolayev, nesta ordem, foram os dois mais importantes acontecimentos de 1962, segundo diretores de jornais europeus ouvidos pela UPI. A eles seguiram-se a guerra entre a China e a Índia; as vitórias eleitorais de De Gaulle e o Concílio Ecumênico”.

Aparecida: Deu no jornal “O Globo” de 28 de dezembro de 2012, 50 anos depois: “No calor do apagão. Dilma descarta risco de apagão: É ridículo. Presidente diz que é para gargalhar quando culparem raios por queda de energia. Promessas de investimentos e crescimento econômico marcam discurso de Dilma em café com jornalistas; ela também defendeu o PT, disse que nada é perfeito e que o Brasil deve muito ao partido”. E mais: “Férias ameaçadas. Outra agência de turismo quebra. Com 24 anos de existência, a operadora Shangri-lá fechou as portas, causando prejuízo a mais de mil clientes com pacotes comprados para embarques até abril de 2013. Há menos de um mês, faliu a Tia Augusta”.

Bytes: Hoje o jornal “O Globo” transcreve o artigo "A identidade nacional dos judeus", de Waldemar Zveiter: “Vez por outra, nas negociações da paz entre o Estado de Israel e seus vizinhos, os Estados árabes insistem na partilha de Jerusalém, com retorno às fronteiras de 1967. Em 5 de junho daquele ano, tocam as sirenes de alarme na Jerusalém judia. Naquela manhã seus residentes já sabiam da iminência de novo ataque ao país. Informava-se que os egípcios haviam movimentado um exército de 80 mil homens e 800 tanques no Sinai e bloqueado o Estreito de Tirã. A defesa da Jerusalém israelense estava a cargo apenas de uma brigada composta por reservistas ativados poucos dias antes, para operações de apoio. Nos dias subsequentes eles participaram de numerosas batalhas como se fossem tropas regulares de assalto. Com o reforço de paraquedistas e de uma brigada mecanizada, lutaram pelo domínio de ruas e vielas. E em apenas três dias conquistaram a parte árabe de Jerusalém, reunificando a cidade. (...)Logo após as batalhas, o governo de Israel anunciou que os fiéis das três religiões (cristã, muçulmana e judaica) teriam livre acesso aos seus lugares santos. Cumpria-se, assim, a palavra empenhada pelo general Shlomo Goren, rabino- chefe do Exército, quando, chegando ao Muro das Orações, anunciou que os israelenses haviam tomado “a cidade de Deus”. A vinculação dos judeus com Jerusalém, portanto, é indissociável. Seja dos pontos de vista histórico ou religioso, Jerusalém representa sua identidade nacional, tanto como povo na dispersão quanto como Estado juridicamente organizado.

Bytes abriu o livro “A alma imoral” do Rabino brasileiro Nilton Bonder no capítulo “Processos de traição”.

Bytes: Um dos ensinamentos classídicos mais interessantes é que aponta para quatro comportamentos do corpo diante das exigências da alma. Esse ensinamento, desenvolvido pelo último rabi de Lubavicht, isola um episódio paradigmático do momento de encontro dos interesses do corpo e da alma: a saída dos hebreus do Egito. Por tratar-se de um símbolo de movimento ativo para deixar a escravidão rumo à liberdade, esse acontecimento em muito se presta para exemplificar os processos humanos que realizam movimento semelhante. É fundamental mencionar que o Egito é, acima de tudo, um símbolo, por representar um lugar que “já foi bom” e deixou de ser. As analogias se tornam mais interessantes ainda se reconhecermos que a etimologia hebraica da palavra Egito – mistraim – quer dizer “lugar estreito”.

Aparecida: Todos nós deparamos com lugares que se tornam estreitos em determinado momento. Estes lugares, que outrora serviram para nosso desenvolvimento e crescimento, se tornam apertados e limitadores.

Bytes: No processo de saída de um lugar estreito, temos uma descrição interessante dos fatos históricos ocorridos no relato bíblico. Segundo o mesmo, o processo de saída esbarra num limite tão real e profundo como o mar. Arrependido por ter permitido a saída dos hebreus após sofrer dez pragas diferentes, o faraó os encurrala junto ao mar. Entre o exército mais poderoso do mundo de então e o mar, os hebreus se voltam ao líder Moisés em desespero. O que fazer?

Aparecida: Quando resolvemos sair do lugar estreito, ocorre um processo semelhante com o corpo. O corpo não gosta de sair, de mudar. São a estreiteza e o desconforto que o convencem de que não existe outra saída. Mas para onde ir se o corpo não conhece nada diferente de si mesmo? A alma, imoral, em sua proposta de desalojamento do corpo, impõe uma caminhada que para o corpo acaba por ser um enfrentamento com uma barreira aparentemente intransponível. Como seguir rumo à “terra prometida”, ao futuro, se entre o presente e ela existe um fosso, um mar, absoluto, O corpo então questiona a sensatez da alma. Os portões do passado se fecham, os do futuro estão abertos e o corpo experimenta a mais temida das sensações – o pânico de se extinguir.

Bytes: Encurralados diante do mar, o povo, representativo do corpo, assume algumas posturas possíveis. De acordo com o ensinamento classídico, existem quatro comportamentos classídicos mencionados como quatro acampamentos. Sem saber como proceder, o povo se divide em quatro acampamentos. O primeiro quer voltar, o segundo quer lutar, o terceiro quer jogar-se ao mar, o quarto se mobiliza em oração.

Aparecida: Como leituras da alma, essas quatro posturas representam a resistência do corpo. A própria idéia de acampar é, em si, uma nova forma de “empacar”. Aquele que propõe o retorno reconhece o poder do lugar estreito. Esse lugar do hábito é tão poderoso que foi uma ilusão se deixar levar pelo sonho-de-sair. Tudo estava errado desde o início e a proposta de voltar pressupõe uma vida estreita e uma conformidade com a realidade e as limitações que ela impõe.

Bytes: Lutar, por sua vez, é a crença de poder fazer do próprio lugar estreito um lugar mais amplo. Se o lugar estreito é poderoso para impor-se como realidade, o que resta é desafiá-lo, como se estreiteza fosse externo e não um processo de relação entre o mundo externo e o interno. Jamais devemos esquecer que o lugar estreito um dia não o foi. Jogar-se ao mar é uma atitude de desespero. É a entrega do corpo na descoberta de que a alma propiciou um limbo insuportável em que não há mais o passado que o definiu nem lhe é permitido um novo futuro que o redefina. Na busca de um novo “bom”, não se encontra um novo “concreto” e a única saída é pagar o preço de não ter bancado o “correto” do passado mesmo que o “bom” fosse inadequado. Desse desespero surge a resignação de que, apesar de não se voltar ao lugar estreito, jamais se poderá atingir um novo lugar amplo.

Aparecida: Orar é um recurso de fazer da situação do “novo” uma reprodução do lugar estreito. Nunca aparente resolução das demandas da alma, o corpo exige que a realidade seja “compassiva com ele, permitindo que o novo lugar não exija dele uma nova definição de si”. O novo lugar é o velho sem parecer-lhe estreitos. Muitos de nossos sonhos do pós-vida se classificam nessa categoria.

Bytes: A beleza da interpretação classídica está na utilização do versículo (Ex. 14:13), que esboça a reação de Moisés, o líder e representante dos interesses da alma (o empreendedor da saída do lugar estreito): “E disse Moisés ao povo: (1) Não temais, ficai e vede a salvação do Eterno; (2) porque os egípcios que vedes hoje não voltareis a vê-lo nunca mais; (3) o Eterno lutará por vós e (4) vós vos calareis”.

Aparecida: Segundo essa interpretação, temos aqui uma resposta aos quatro acampamentos. Aos que queriam se jogar no mar: “Não temais, ficai”. Aos que se propunham a lutar: “O Eterno lutará por vós”. E aos que oram: “Vós vos calareis”. Nenhum dos acampamentos representa o futuro e a saída. Todos eles são variações sobre a hesitação e a vacilação. São, na realidade, a fronteira onde o corpo morre para renascer com uma mesma alma em outro corpo – do outro lado da margem.

Bytes: Mas se nenhuma dessas condutas é apropriada, qual é o caminho então? Não nos esqueçamos da realidade que interpõe um mar entre um corpo e o outro. A resposta D’us às vacilações do corpo, ou seja, resposta proveniente da fonte de toda alma e todo futuro, é igualmente decisiva e intrigante (Ex: 14:15): “Diga a Israel que marche”.

Aparecida: Marchar, dar andamento, a quê? Para onde? Que solução óbvia é essa que a divindade apresenta, pela qual nenhum acampamento, ou nenhuma perspectiva do corpo, consegue dar conta de uma saída?

Bytes: Conhecemos o final do relato bíblico em que o mar se abre. Mas, para o Midrash – comentários alegóricos dos rabinos –, a abertura do mar se dá de uma maneira muito peculiar. Um homem chamado Nachshon ben Amadinadav, que não sabia nadar, começou a adentrar as águas. Estas, no entanto, não se abriram num primeiro instante. Somente quando o homem já estava com a água no nível do nariz, as águas se abriram.

Aparecida: Diferente do acampamento, que queria se jogar ao mar como forma de desesperança no futuro, Nachshon compreende a recomendação de D’us: “marchem”. O futuro existe se vocês marcharem. O futuro, porém, não está ligado ao presente pelo corpo. A alma guiará o caminho seco por meio do molhado, de um corpo a outro ou de uma margem a outra. Saber abrir mão desse corpo na fé de que outro se constituirá é saber dar o passo que leva até onde “não dá mais pé”. Enquanto der pé, estaremos estacionados em acampamentos.

Bytes: Esse profundo ato de confiança em si e no processo de vida garante a passagem pelo vazio que magicamente se concretiza em chão sob nossos pés. O que não existia passa a existir e um novo lugar amplo se faz acessível. Conhecemos esse processo através do nosso nascimento. Em determinado momento, o lugar mais maravilhoso, aconchegante e repleto de nutrientes para o corpo se desenvolve e se torna estreito. O útero materno deixa de ser amplo e se transforma em um mistraim (Egito). A saída pelas águas a seco é difícil e pressupõe uma coragem que só se torna possível se alma e corpo andam de mãos dadas. Saber entregar-se às contrações do lugar estreito rumo ao lugar amplo é um processo assustador, avassalador e mágico. Vindos de outra margem, extasiados, constatamos a existência da alma para além da anatomia do corpo. O passado se fez um novo presente, um futuro conquistado.

Aparecida: Na outra margem, por algum tempo o corpo irá se esquecer de que nenhum lugar poderá ser amplo para sempre. A estreiteza é uma condição da vida para qual a alma imoral é um mecanismo tão inato quanto o corpo, moral, reprodutivo. O Éden ficou estreito e a espécie humana deparou, como ocorre de era em era com a estreiteza de que seu ser e de sua natureza. Passar por um processo de mutação de maneira bem-sucedida é irromper em um outro corpo que não se sabia que poderia conter nosso “eu”.

Em seguida, se entreolharam como duas capitalistas brasileiras e contemporâneas. E celebraram.

Bytes: Feliz 2013!

Aparecida: Com Champanhe!

A 2013

Rio de Janeiro, 30 de dezembro de 2012

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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